Encontro realizado pela Fundação Perseu Abramo reuniu secretários nacionais e estaduais do Partido dos Trabalhadores, ativistas e pesquisadores do projeto Reconexão Periferias
O seminário Periferias e o PT – uma reconexão estratégica e necessária, realizado pela Fundação Perseu Abramo em 28 e 29 de janeiro, reuniu em Brasília secretários estaduais e nacionais do Partido dos Trabalhadores, integrantes da equipe e do conselho do projeto Reconexão Periferias, ativistas e pesquisadores periféricos para traçar um plano de organização da militância petista que possibilite ampliar o diálogo com as periferias de todo o Brasil.
A playlist com os vídeos do seminário pode ser assistida pelo canal da Fundação Perseu Abramo no youtube.
Estiveram presentes o secretário nacional de Organização do PT, Laércio Ribeiro, a secretária nacional de Nucleação, Maria de Jesus Lima “Claudinha”, o assessor da Secretaria Nacional de Movimentos Populares Luis Alberto de Mendonça Sabanay, a secretária nacional de Juventude, Julia Köpf, e ainda 73 secretários estaduais de todas as regiões do país.
Participaram da abertura o presidente do PT, Edinho Silva, e o presidente interino da Fundação Perseu Abramo, Brenno Almeida, a vereadora Tainá de Paula (PT-Rio), o coordenador do Reconexão Periferias, Paulo Ramos, e o consultor responsável pelo projeto, Artur Henrique Silva Santos, que coordenou a mesa.
Paulo Ramos lembrou o momento de criação do projeto, em um cenário de retração de direitos. “Sabíamos que era importante criar espaços de formulação, diálogo, conexão e criação de redes. Esse seminário chega em uma hora muito especial, porque desde 2016, quando o neofascismo começou a mostrar suas garras, a gente foi acuado pra não se reunir, para não ir pra rua. E o Reconexão vem para ser esse espaço”, afirmou.
Para Artur Henrique, é necessário que nos preparemos para disputar e vencer as eleições de 2026, um dos principais desafios deste ano e do próximo período. Ele disse que estar presente na periferia significa construir laços. “Essa me parece ser uma tarefa fundamental de nosso seminário. Temos refletido ao longo da nossa história o aprofundamento da visão de um PT renovado, atuante nas novas formas de organização do trabalho, mas também um PT que fortaleça suas bases de participação popular e combata a violência de gênero, de raça, de classe e a discriminação LGBTQIAPN+”.
O presidente do PT, Edinho Silva, ressaltou a importância do Reconexão Periferias para o partido. “O centro da nossa ação neste ano certamente serão as eleições, pois seu resultado vai sinalizar externamente, para o mundo, que é possível vencer o fascismo, as concepções imperialistas autoritárias. E dizer ao mundo que um país do tamanho do Brasil, com sua a importância política, econômica e geográfica, é capaz de derrotar as expressões do fascismo, é uma grande vitória. E é fundamental para que a gente mantenha o país no caminho da reconstrução das políticas públicas”, pontuou.
Ele destacou ainda que a reconstrução do Brasil não é discurso. “Herdamos um país totalmente desorganizado, com instituições fragilizadas, com todas as políticas públicas literalmente destruídas. E o presidente Lula vem, de 2023 para cá, reconstruindo aquilo que nós havíamos deixado de legado até o golpe contra a presidenta Dilma. O volume de entregas do nosso governo é impressionante, vamos terminar esse quarto ano de mandato com 3 milhões de casas do Minha Casa, Minha Vida, o PAC, principalmente na área de infraestrutura, no maior volume de investimentos das últimas décadas no país. Se estamos batendo recordes na bolsa, e no primeiro mês de 2026 o volume de recursos externos que entrou no Brasil é maior que todas as marcas históricas que nós já registramos, não é gratuito. Estamos atraindo tantos investimentos porque o Brasil, liderado pelo presidente Lula, é um país estável, que valoriza a democracia, que respeita as normas”.
A vereadora licenciada e Secretária do Meio Ambiente da Prefeitura do Rio de Janeiro Tainá de Paula (PT-RJ) disse que o principal desafio que enfrentaremos no próximo período é como reinventar a alegria política que foi possível construir na cabeça da população e no voto popular, petista, no momento da Carta ao Povo Brasileiro. E afirmou que é preciso ousar mais nas políticas públicas.
“Precisamos de oito anos de pleno emprego qualificado. E [para apresentar] esse programa precisa ter um negro retinto na televisão. A nossa agenda de cuidado, no governo federal, é numa perspectiva sempre da extrema miséria, não do prazer, e sempre associada à lógica laboral. A gente tem que ter academia para pobre ao ar livre, de qualidade. Internet de graça, é óbvio. Não é a creche dos municípios. Precisamos restabelecer os modelos de creche e das escolas integrais desse país, porque esse modelo de educação que temos hoje está muito ruim. Ninguém gosta da escola do jeito é hoje, um espaço do bullying e de preconceito para a população das periferias”.
Territorialização
Um plano que oriente a vivência nos territórios e construção de núcleos nas periferias do Brasil foi o tema debatido no segundo dia do evento. Os consultores e pesquisadores do projeto Reconexão Periferias Darlene Testa e Danilo Morais apresentaram a proposta de construção de uma agenda ainda no primeiro semestre, com cinco encontros nas diversas regiões do Brasil, para dar continuidade ao diálogo fundamental entre as secretarias do Partido dos Trabalhadores e organizações de periferias, com apoio da FPA.
Segundo Paulo Ramos, a proposta parte da perspectiva de que o território não deve ser reconhecido como um lugar de crise, e sim como espaço de confluência de perspectivas. “Se a gente sofre opressão pelo patriarcado, pelo racismo, pelo capitalismo, tudo isso vai ser vivenciado e converge para o território.
A ideia de cultura, política é reveladora daquilo que dá sentido pro mundo. Ela é a arte, mas não apenas isso, é como a gente significa o mundo. Por isso os coletivos culturais das periferias são a grande base a partir da qual se pode desenvolver um trabalho de politização, organização e renovação do repertório de organização”, afirmou.
De acordo com pesquisa realizada pelo projeto reconexão Periferias, os movimentos sociais periféricos têm uma relação com o Estado baixíssima. Em especial as organizações que foram fundadas a partir dos anos 2000, nos governos petistas, as organizações que não têm nenhum tipo de relação com o Estado chegam a 70%.
“Por isso que o trabalho de reconexão com as periferias ganha mais sentido. Pois a cultura de participação tem a ver com criação de uma vida segura, de uma nova mentalidade, com a disputa de consciência. E tem a ver também com a organização do mundo do trabalho”, concluiu.