
A União da Juventude Rebelião (UJR) convoca a juventude a desmascarar a falsa rebeldia dos partidos e movimentos fascistas e a dedicar suas energias à luta pelo socialismo.
Coordenação Nacional da UJR
JUVENTUDE – O revolucionário Ernesto Che Guevara afirmou que “ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética”. Esta ideia vem da compreensão de que devemos dedicar os melhores anos de nossas vidas à transformação radical da sociedade em que vivemos. Afinal, não há razão para os jovens apoiarem a conservação de uma sociedade em que prevalecem as injustiças sociais, a exploração e a violência.
Por meio de muita propaganda, o sistema capitalista procura nos fazer acreditar que não há qualquer possibilidade de mudança. Em inúmeros filmes e séries, por exemplo, é retratado o fim do mundo ou da sociedade por conta das guerras e da destruição do meio ambiente. Por outro lado, praticamente não existem na indústria cinematográfica produções que imaginem a transformação da sociedade para garantir o bem-estar de todos, o fim das guerras e a preservação ambiental.
Isso não acontece por acaso. Essa é a imagem que a sociedade atual, capitalista, produz de si mesma. É o futuro que se imagina se as coisas permanecerem como estão. Entretanto, na História da humanidade, há muitos exemplos de povos que resistiram à opressão, que venceram grandes batalhas e que construíram novas sociedades, completamente diferentes.
Se o futuro que o capitalismo imagina para si mesmo é a destruição do planeta, o aumento das guerras e da exploração, que motivo teria um jovem para defender esse sistema?
O trabalho no capitalismo
Todos os dias, milhões de trabalhadores brasileiros saem cedo de suas casas. Ocupamos as cadeiras das empresas de telemarketing, limpamos as ruas, fazemos faxinas, operamos máquinas, construímos prédios e fazemos o atendimento nas lojas. Fazemos os trabalhos mais duros e ainda perdemos muito tempo no transporte público lotado. Apesar disso, no fim do mês, o salário não é suficiente para viver. Na sociedade capitalista, os esforços não enriquecem quem trabalha, mas sim os donos dos meios de produção e circulação de mercadorias, que ficam com todo o lucro e vivem no luxo.
Até mesmo as realizações que procuramos ao trabalhar são esmagadas. O trabalhador da construção civil constrói prédios luxuosos em áreas nobres em que nunca irá morar. O engenheiro é bem remunerado e considerado de sucesso se atua na construção desses prédios para os ricos, e não na resolução dos problemas das cidades e dos bairros pobres, como nos casos de habitações precárias e alagamentos. Professores sonham em educar as novas gerações, mas encontram escolas caindo aos pedaços, sem laboratórios, quadras esportivas e merenda de qualidade. Advogados “de sucesso” raramente trabalham com causas que promovem a justiça. Ganham mais dinheiro aqueles que advogam em favor das empresas capitalistas, contra trabalhadores que reivindicam seus direitos, contra medidas de preservação ambiental, etc. A mesma lógica vale hoje para a maioria das profissões.
O jovem que quer estudar, exercer sua profissão e encontrar sentido no que faz, deve, portanto, buscar uma transformação revolucionária da sociedade.
Falsa rebeldia
Com a revolta do povo contra a situação atual, os defensores do capitalismo tentam se mascarar e confundir a população.
O exemplo mais claro disso é o PL, partido da Família Bolsonaro, Nikolas Ferreira e outros. O PL é hoje o partido com o maior número de deputados federais. Também está à frente de diversos governos estaduais e municipais, além de ter um imenso número de deputados estaduais e vereadores. Na internet se dizem “contrários ao sistema”. Pagam fortunas às plataformas digitais para seus vídeos viralizarem, mas fingem uma falsa indignação. Na hora da verdade, votam contra o povo pobre, contra os trabalhadores. São contra o fim da escala 6×1 e querem que a pauta seja votada somente após a eleição para poderem votar contra sem serem criticados pelo povo. São contra a aprovação da lei contra a misoginia, logo num país em que o feminicídio tem matado mulheres todos os dias. Além disso, sempre que podem votam contra o aumento nos investimentos públicos em saúde e educação.
Outro partido criado para enganar os jovens é o “Missão Brasil”. Se dizem novidade, mas seu candidato à Presidência da República, Renan Santos, foi filmado fazendo apologia ao estupro de uma mulher. Num país marcado pela violência de gênero, o que há de inovador em reproduzir essa covardia? Em outra ocasião, Renan chamou o projeto de fim da escala 6×1 de “picaretagem” e defendeu que a medida é inviável economicamente.
Ou seja, os fascistas, embora se digam “novidade na política”, “contrários ao sistema”, na verdade defendem a manutenção das coisas como elas estão. Defendem a mesma pauta de partidos tradicionais como PSDB, MDB, União Brasil e todos os outros do chamado “Centrão”. E são ainda piores do que estes partidos, já que os fascistas defendem o aumento do uso da violência contra os trabalhadores e a supressão de direitos políticos (como vimos na tentativa de Golpe de Estado em janeiro de 2023).
No mesmo barco está o movimento “redpill”. Atrás de discursos de “fortalecimento mental e físico dos homens”, escondem visões que tratam as mulheres como inferiores, como objetos, o que reforça os casos de violência machista, tão comuns no Brasil hoje.
Nas comunidades, alguns jovens, sem oportunidades, também veem nas facções uma forma de ganhar dinheiro e de “exercer poder”. Mas a violência das guerras entre facções e entre facções e a polícia atinge somente o povo pobre e trabalhador, enquanto verdadeiros empresários do tráfico de drogas moram em mansões, inclusive, fora do Brasil.
Nada disso representa uma novidade ou um ato de rebeldia contra o sistema vigente, muito pelo contrário.
Ser revolucionário é lutar pelo socialismo
Para desfazer essa confusão e apontar o que é a verdadeira rebeldia, a Coordenação Nacional da União da Juventude Rebelião (UJR), organização brasileira de jovens comunistas, definiu como chamado de seu 6° Congresso o lema “Ser jovem é ser revolucionário! Ser revolucionário é lutar pelo socialismo!”.
Na política, o que define se uma posição é revolucionária (nova) ou reacionária (velha) é a classe que se beneficia dessa posição. No capitalismo, são reacionárias as ideias e grupos que trabalham para manter no poder os grandes donos dos meios de produção, nas mãos dos bilionários, daqueles que se apoderaram das terras, das fábricas e das matérias-primas e exploram o trabalho humano.
A única posição revolucionária diante deste sistema é a defesa dos interesses das classes trabalhadoras e exploradas. Há muitos séculos, passando por diversos sistemas econômicos, o mundo tem convivido com a exploração das classes trabalhadoras pelas classes dos ricos, detentores dos meios de produção. Essa realidade, contudo, não é eterna: na União Soviética e em Cuba, por exemplo, os trabalhadores mostraram que é possível acabar com a exploração, transformar radicalmente uma sociedade, instaurar o socialismo e botar todas as forças e riquezas de um país a serviço de quem trabalha. Esses países erradicaram o analfabetismo, permitiram o voto feminino antes dos países capitalistas, garantiram educação e saúde públicas em níveis que não temos hoje no Brasil. Também se tornaram potências no esporte, pelo incentivo que os jovens atletas receberam.
Nos próximos meses, uma das nossas principais tarefas é usar as eleições para desmascarar os fascistas e propagandear o socialismo. Para isso, contamos com o partido da luta do povo pobre, a Unidade Popular (UP), que apresentou como pré-candidata à Presidência da República a trabalhadora do SUS Samara Martins, formada nas lutas da juventude. Ao contrário dos velhos partidos, a UP defende um programa revolucionário e medidas como o reajuste de 100% do salário mínimo, o fim imediato da escala 6×1, garantia de educação gratuita para toda população em todos níveis de ensino e fim dos privilégios dos políticos e dos benefícios fiscais distribuídos aos montes entre os ricos.
É nesse sentido que a União da Juventude Rebelião (UJR) faz um chamado a sua militância e a todos jovens do Brasil: dedicar todas as nossas energias para acabar com a exploração e a opressão capitalistas! Basta de fome e violência (nas nossas cidades e nas guerras imperialistas)!
Vamos erguer a bandeira da Rebelião a cada vez que uma injustiça for cometida no mundo!
Matéria publicada na edição impressa nº 333 do jornal A Verdade