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Sintaema aprova greve na Sabesp a partir de 7 de outubro

Em uma assembleia virtual realizada pelo Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo), nesta terça (30), a categoria aprovou entrar em estado de greve por conta do desmonte do plano de saúde pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Caso as negociações não apresentem avanços, os trabalhadores entrarão em greve a partir da meia-noite do dia 7, próxima terça-feira.

Na segunda-feira (6), está agendada uma nova assembleia às 18 horas para debater as negociações. Até lá a expectativa é de que alguma sinalização seja dada pela Companhia —  privatizada em julho de 2024 — depois de uma semana de mobilizações dos funcionários.

A insatisfação ocorre desde 22 de setembro, quando a Sabesp apresentou a proposta de um novo plano de saúde. Ao analisar a oferta, o Sintaema observou graves problemas como violação da isonomia, pois há diferenciação no plano entre níveis de trabalhadores, e a ausência de hospitais de referência.

“O motivo da greve é a mudança no plano de saúde, que está dentro de um contexto mais geral de tentativa de retirada de direitos e de aumento de assédio, de precarização das condições de trabalho e do ambiente tóxico em que os trabalhadores estão inseridos”, crítica José Faggian, presidente do Sintaema, ao Portal Vermelho.

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Segundo o sindicalista, o plano de saúde é muito importante para as famílias dos trabalhadores e o plano da HapVida oferecido é “extremamente” inferior. Para piorar, o CEO da Sabesp, Carlos Piani, é membro do conselho da HapVida.

“O plano HapVida, que está sendo implementado aqui de maneira unilateral, além dele ser muito inferior em relação ao que a gente possui, existe a questão de conflito de interesses, porque o Piani, presidente da empresa, também faz parte do conselho de administração da HapVida. Isso é uma coisa importante a se destacar, pois a HapVida está entrando aqui na Sabesp por uma determinação, até onde a gente sabe, do presidente, e não teve opção de discussão sobre outras possibilidades dessa mudança”, acusa Faggian.

Ataques aos trabalhadores

Mas não é só o plano de saúde que preocupa. Segundo Faggian, os dirigentes da empresa atuam para reduzir custos com cortes por meio do Programa de Demissão Voluntária (PDV). A estratégia visa reduzir custos ao “se livrar dos trabalhadores mais antigos, concursados, dos trabalhadores com maiores salários que vêm da Sabesp pública”, aponta.

De forma complementar, conforme o sindicalista, a empresa também coloca em sua linha de ataque a cultura “sabespiana”, que sustenta e dá força à categoria.

“Além da questão econômica, a gente percebe que tem uma intenção da empresa de acabar com a cultura ‘sabespiana’ que foi construída ao longo dos 50 anos da empresa. Essa cultura de pertencimento à empresa e à categoria gerou toda a condição de a gente fazer o saneamento de qualidade, e também gera esse espírito de corpo que ajuda a resistir às dificuldades e lutar contra o desmonte da empresa”, destaca.

Piora com a privatização

Em pouco mais de um ano de privatização pelo governo Tarcísio de Freitas, a Sabesp precariza as condições de trabalho dos funcionários, enquanto acumula reclamações de clientes.

Nos últimos meses, a companhia passou a reduzir diariamente a pressão da água na Grande São Paulo, afetando o fornecimento para a população. Chama a atenção a má gestão dos recursos hídricos em tão pouco tempo, não sendo justificativa apenas as irregularidades nos ciclos de chuvas.

Outro efeito nefasto da privatização é o reajuste da conta de água. Clientes têm relatado aumentos abusivos que ferem a promessa feita pelo governador de que as tarifas iriam diminuir.

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Um fato ainda mais complicado aconteceu em setembro, quando Cleia dos Santos Pimentel, de 79 anos, foi morta dentro de casa, em Mauá (SP), após tubulação da Sabesp pertencente a uma obra se desprender durante o içamento.

Para denunciar todo este quadro, o Sintaema promoveu um protesto, também no mês passado, para denunciar as demissões em massa, o assédio contra os trabalhadores e trabalhadoras, assim como a derrocada da qualidade dos serviços prestados.

“A lógica [na Sabesp] é economizar e reduzir custos, e a gente tem visto o aumento dos casos de água suja, desabastecimento, acidentes, todo um contexto que vai prejudicando a população, com alguns sistemas e cidades, ficando vários dias sem água, tudo reflexo da privatização, da redução do quadro de trabalhadores e da precarização das condições de trabalho”, lamenta Faggian.

Defasagem

O presidente do Sintaema avalia com preocupação as condições oferecidas aos trabalhadores somada a defasagem do quadro acumulada, uma vez que postos de trabalho não são repostos, ou são preenchidos por pessoas sem experiência.

Desde a privatização, já ocorreram três Programas de Demissão Voluntária. Com o último, encerrado em 26 de setembro, já são mais de 4 mil trabalhadores que saíram da empresa.

Ao se somar com os PDVs realizados como preparação para a privatização, são mais de 6 mil trabalhadores, praticamente a metade do quadro original.

“Para quem ficou é um ambiente de assédio, muitas dificuldades, excesso de trabalho, precarização das condições de trabalho, excesso de terceirização e ameaças. Com certeza, isso já está se refletindo no serviço prestado para a população, seja pela falta de mão de obra, seja pela perda dos profissionais que têm conhecimento sobre o sistema e pelas condições de trabalho que estão sendo precarizadas”, entende Faggian.

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