Notícias

Sob tarifaço de Trump, China supera estimativas com alta de 5,2% no PIB

A economia da China cresceu 5,2% no segundo trimestre de 2025, superando as expectativas do mercado e confirmando a resiliência do país frente à escalada tarifária imposta pelos Estados Unidos.

O dado, divulgado nesta terça-feira (15) pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS), mantém a segunda maior economia do mundo no caminho para atingir a meta anual de crescimento de “cerca de 5%”.

O desempenho foi impulsionado pelas exportações e pelo setor industrial, que compensaram a fraqueza da demanda interna e os efeitos prolongados da crise no setor imobiliário. Analistas consultados pela Reuters e pela plataforma Wind previam uma expansão entre 5,1% e 5,17%, abaixo do resultado final.

Mesmo enfrentando tarifas efetivas superiores a 40% sobre produtos chineses — segundo estimativas do Morgan Stanley —, as exportações do país cresceram 5,9% no primeiro semestre.

O avanço foi puxado por exportações para o Sudeste Asiático, Europa e outros mercados, que compensaram a queda nas vendas para os Estados Unidos.

De acordo com o Financial Times, parte do bom desempenho no comércio exterior pode ser atribuída a uma antecipação das remessas antes de uma nova rodada de tarifas anunciada pelo governo Trump.

Washington impôs sobretaxas de até 145% sobre mercadorias chinesas e tenta bloquear o comércio de produtos via países como o Vietnã. Pequim respondeu com tarifas de 125% sobre itens norte-americanos, mas as medidas foram temporariamente suspensas após rodadas de negociação em Genebra e Londres.

Em meio à ofensiva comercial, o presidente Xi Jinping tenta concluir um acordo duradouro até 12 de agosto.

O governo chinês tem se apoiado na força das exportações e da indústria para manter a economia estável e preservar sua margem de manobra nas negociações com Washington.

Indústria de ponta e estímulos domésticos ajudam a sustentar o PIB

A produção industrial chinesa cresceu 6,8% em junho, superando a projeção de 5,7% dos analistas. Setores de alta tecnologia, como robótica, veículos elétricos, impressão 3D e fabricação de equipamentos industriais, lideraram o avanço.

“As indústrias manufatureiras e de alta tecnologia estão impulsionando o crescimento”, afirmou Yuhan Zhang, economista do China Center da Conference Board.

Pequim também lançou medidas para estimular o consumo doméstico, incluindo um programa de troca de bens duráveis com subsídios de 300 bilhões de yuans (cerca de US$ 42 bilhões). A política, voltada à renovação de carros e eletrodomésticos, mostrou efeito positivo nos primeiros meses, mas começa a dar sinais de esgotamento.

O investimento em ativos fixos cresceu 2,8% no primeiro semestre, abaixo dos 3,7% registrados entre janeiro e maio. Já o investimento privado caiu 0,6%, indicando incertezas entre os empresários. A taxa de desemprego urbana manteve-se em 5% em junho.

Consumo e setor imobiliário continuam fragilizados

Apesar do bom desempenho industrial, o consumo doméstico segue abaixo das expectativas. As vendas no varejo cresceram 4,8% em junho na comparação anual, queda em relação aos 6,4% de maio.

Analistas apontam que o impulso gerado pelas políticas de estímulo ao consumo pode ter atingido seu limite.

No setor imobiliário, os preços de imóveis novos caíram 3,7% em relação a junho de 2024 — a maior queda mensal em oito meses. Os imóveis residenciais de segunda mão recuaram 6% no mesmo período.

A retração persiste mesmo após várias rodadas de medidas adotadas pelo governo para conter a desvalorização e reaquecer o setor.

Segundo Sheng Laiyun, vice-diretor do NBS, o desempenho do mercado imobiliário representa uma “normalização” após o pico da crise, mas a base da recuperação econômica ainda precisa ser fortalecida.

“Devemos estar atentos às muitas incertezas externas e à insuficiência da demanda doméstica”, disse.

Pequim aposta em estímulo e estabilidade para evitar nova desaceleração

O economista Gu Qingyang, da Universidade Nacional de Singapura, afirmou à BBC que o crescimento no segundo trimestre foi beneficiado por uma combinação de estímulos e trégua comercial, mas o segundo semestre tende a ser mais instável.

“Pode ser necessário um pacote de estímulos mais forte. Ainda assim, atingir os 5% de crescimento parece viável”, disse.

Já Dan Wang, diretora da consultoria Eurasia Group, avalia que Pequim fará de tudo para evitar uma desaceleração mais aguda.

“A China deve defender um piso de 4%, que é o mínimo politicamente aceitável”, disse à BBC.

Mesmo diante das pressões externas, o governo chinês tem demonstrado capacidade de adaptação. A estratégia de fortalecimento da indústria, diversificação dos parceiros comerciais e ativação do mercado interno mostra que a economia chinesa mantém espaço de manobra — e resistência — em meio ao novo embate com os Estados Unidos.

O post Sob tarifaço de Trump, China supera estimativas com alta de 5,2% no PIB apareceu primeiro em Vermelho.