
A greve dos trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) ganhou forte adesão e apoio de outras categorias sindicais nesta semana. A paralisação por tempo indeterminado afeta as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. No centro da pauta, os ferroviários exigem a reestatização definitiva das linhas, a garantia de todos os 4.700 empregos, que passam por um plano de demissão voluntária (PDV), e o fim do atual modelo de privatizações, apontando falhas operacionais e recentes incidentes, como um incêndio, sob a gestão privada.
Falta de diálogo e apoio da categoria
O principal entrave para o fim do movimento grevista, segundo representantes dos trabalhadores, é a postura do governo estadual, liderado por Tarcísio de Freitas (Republicanos). Os sindicalistas denunciam a ausência de uma mesa de negociação efetiva e a intransigência da gestão estadual em dialogar com a base.
Mantendo a postura intransigente, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reagiu à mobilização, afirmando que a “aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo”. O sindicato, por sua vez, rebateu as críticas, negando qualquer motivação política na greve e reforçando que a luta é estritamente por direitos e segurança no trabalho
Esse cenário de desgaste motivou outras categorias a emitirem notas de repúdio e declarar apoio direto à luta dos ferroviários. Lideranças sindicais classificam a falta de abertura por parte do Palácio dos Bandeirantes como um ataque aos direitos dos servidores e um descaso com a população paulista, que sofre com os reflexos da interrupção no transporte sobre trilhos. A solidariedade entre as categorias tem sido fundamental para manter a mobilização forte e organizada nas estações e garagens.
A postura do governo estadual gerou uma onda de solidariedade no meio sindical. Entidades ligadas aos metroviários e centrais como a CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e CSP-Conlutas emitiram notas de apoio, classificando o movimento como uma resposta direta ao “caos” e ao fracasso da política de desestatização promovida por Tarcísio em São Paulo.
Para a CTB, os acontecimentos desmontam o discurso de que a privatização significaria mais eficiência e melhor qualidade no transporte público. Ao contrário, o governo Tarcísio de Freitas transformou um serviço essencial em laboratório para experiências privatistas que colocam o lucro acima da segurança da população e dos direitos dos trabalhadores.
A Central avalia que o governador é o principal responsável pela crise que hoje afeta o sistema ferroviário paulista. Ao insistir na entrega do patrimônio público à iniciativa privada, ignorando alertas de especialistas, trabalhadores e entidades sindicais, Tarcísio assumiu o risco de precarizar um serviço estratégico para milhões de pessoas. Os episódios registrados desde a concessão demonstram que quem paga a conta das privatizações são os usuários, submetidos ao caos diário, e os trabalhadores, ameaçados pela retirada de direitos e pela insegurança no emprego.
A CTB reafirma total solidariedade aos ferroviários e considera legítima a greve em defesa dos empregos, da reestatização das linhas e de um transporte público estatal, seguro, eficiente e de qualidade. A luta da categoria é também a luta de toda a população contra o desmonte dos serviços públicos promovido pelo governo de São Paulo.
Audiência de conciliação e próximos passos
Diante do impasse, a Justiça do Trabalho interveio no conflito. Em audiência recente, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou que a categoria mantenha um efetivo entre 60% e 80% dos funcionários em operação durante os dias de paralisação.
Está marcada para a tarde de hoje uma nova audiência de conciliação, que reunirá representantes do governo de São Paulo, da concessionária responsável e dos sindicatos que representam os ferroviários.
A expectativa é que o encontro resulte em uma contraproposta concreta que atenda à pauta de reivindicações da categoria, que inclui reajuste salarial, plano de cargos e salários, além de garantias de manutenção do serviço público de qualidade. Os trabalhadores afirmam que a greve só será suspensa caso haja um avanço real nas tratativas durante a audiência de hoje, rechaçando propostas que não contemplem as demandas essenciais da classe.
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