O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como uma “suprema humilhação” a operação da Polícia Federal que teve como alvo endereços ligados a ele e ao PL, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (18). Em conversa com a imprensa, Bolsonaro voltou a alegar que está sendo alvo de perseguição política.
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Decisão do ministro Alexandre de Moraes autorizou o cumprimento de medidas cautelares contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em razão dos crimes de coação, obstrução e atentado à soberania nacional. Bolsonaro deverá cumprir recolhimento domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica.
“O julgamento espero que seja técnico e não político, no mais, nunca pensei em sair do Brasil , nunca pensei em ir para embaixada (…) No meu entender, o objetivo é uma suprema humilhação. Esse que é o objetivo”, afirmou. Apesar disso, Bolsonaro destacou que deixar o país seria simples: “Sair do Brasil é a coisa mais fácil que tem. Não conversei com ninguém (…) Nada me coloca em um plano golpista que não existiu, nem os outros”.
O ex-presidente também comentou a apreensão de dólares em sua residência durante a operação: “Tem mais ou menos US$ 14 mil. Poxa, sempre guardei dólares em casa. Todo dólar pego lá tem o recibo do Banco do Brasil”. A PF também aprendeu R$ 8 mil em espécie na sua casa, no bairro do Jardim Botânico, em Brasília.
Ele minimizou as suspeitas da investigação, afirmando que são “um exagero” e que já enfrentou quatro buscas e apreensões: “Eu sou ex-presidente da República, tenho 70 anos. Suprema humilhação”.
Bolsonaro também voltou a se declarar vítima de perseguição política: “Não tenho a menor dúvida que é perseguição. Que provas têm contra mim? Não tem nada. São só suposições”.
Investigações da Polícia Federal apontam que Bolsonaro e o filho e deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro vêm atuando, ao longo dos últimos meses, junto a autoridades governamentais dos EUA, com o intuito de obter a imposição de sanções contra agentes públicos do Estado Brasileiro em razão de suposta perseguição no âmbito ação que investiga a tentativa de golpe de Estado relacionada ao 8 de janeiro de 2023.
Conforme a PF, ambos atuaram “dolosa e conscientemente de forma ilícita” e “com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado estrangeiro, por meio de atos hostis derivados de negociações espúrias e criminosas com patente obstrução à Justiça e clara finalidade de coagir” o STF.
O ex-presidente também foi questionado por repórteres sobre o tarifaço de 50% a produtos brasileiros imposto pelos EUA, que tem como uma das causas, segundo carta enviada pelo presidente Donald Trump, a investigação contra Bolsonaro. Ele ponderou que está impedido de deixar o país, mas afirmou que, se tivesse o passaporte, poderia buscar interlocução internacional: “Eu me coloco à disposição, mas é lógico que não vão me dar o passaporte. Se me derem o passaporte, se o governo tiver interesse, eu converso, busco uma audiência com o presidente dos EUA”.
Ele ainda afirmou que seu filho Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos para lutar por “democracia e liberdade” e disse acreditar que teria uma boa interlocução com o presidente dos EUA: “Ele tem um carinho especial por mim. Se eu fosse presidente, a tarifa seria semelhante à da Argentina”.
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