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Suspeita de trama eleitoral envolvendo Vorcaro e aliados de Flávio Bolsonaro chega à PF

O grupo jurídico Prerrogativas anunciou que pediu à Polícia Federal (PF) a abertura de uma investigação sobre suspeitas de que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria sido incentivado a apresentar acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em troca da sua liberdade caso Flávio Bolsonaro (PL) fosse eleito. Leia em TVT News.

A articulação teria como objetivo provocar prejuízos políticos e eleitorais ao presidente e favorecer a campanha de Flávio.

Segundo Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas, o grupo recebeu informações de que Vorcaro teria prestado recentemente um depoimento à PF sobre um suposto financiamento ao documentário Lula, dirigido pelo cineasta norte-americano Oliver Stone e lançado em 2024.

Carvalho nega que o banqueiro tenha financiado a produção e afirma que o caso precisa ser apurado.

De acordo com o relato recebido pelo grupo, Vorcaro teria sido estimulado a apresentar as acusações em troca da promessa de deixar a prisão no início de 2027, com uso de tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar. Seu pai, Henrique Vorcaro, seria libertado imediatamente.

Carvalho afirma que a suposta articulação buscaria criar uma associação entre o documentário sobre Lula e Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que recebeu financiamento de Vorcaro. Para o advogado, a comparação poderia ser explorada eleitoralmente contra o atual presidente.

Advogados pedem investigação sobre gravação

Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida solicitaram que a Polícia Federal apure a existência e a origem de um material atribuído ao banqueiro, que conteria acusações contra Lula, integrantes do governo e ministros.

Segundo o documento, um HD com o depoimento teria sido entregue a terceiros. Os advogados pedem que as autoridades verifiquem sua autenticidade, seu conteúdo e as circunstâncias em que teria sido produzida e divulgada.

A representação também solicita a apuração de possíveis vínculos entre intermediários de Vorcaro e pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro.

O dono da Veja, Fábio Carvalho, que publicou a matéria sobre o depoimento de Vorcaro e patrocínio a filme de Lula, participou de jantares de apoio a Flávio.

Entre as medidas sugeridas estão a identificação de quem recebeu ou repassou o material e a análise de eventuais registros de visitas e entrada de equipamentos eletrônicos na unidade prisional onde o banqueiro está custodiado.

As suspeitas ainda precisam ser comprovadas. O objetivo do pedido é esclarecer se houve uma articulação para interferir no debate eleitoral e se as acusações atribuídas ao banqueiro têm respaldo em provas.

Relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro já é investigada

A representação também menciona a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção dedicada à trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro recursos para a realização do longa-metragem.

Mensagens privadas entre Flávio e Vorcaro, comprovantes bancários e cronogramas de pagamento indicam uma negociação de US$ 24 milhões, valor que equivalia, à época, a cerca de R$ 134 milhões. 

>> Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para financiar filme do pai, revela The Intercept

O senador admitiu ter solicitado dinheiro para o projeto, mas negou irregularidades e afirmou que os recursos eram privados. A Polícia Federal investiga os repasses e a destinação dos valores envolvidos.

Para os advogados do Prerrogativas, a relação financeira entre o banqueiro e o senador deve ser considerada na apuração de uma possível interferência eleitoral. Eles defendem que as autoridades investiguem se a divulgação de acusações contra Lula poderia desviar a atenção do caso Banco Master e influenciar a disputa presidencial.

O grupo também pede que a eventual gravação seja comparada aos depoimentos oficiais de Vorcaro e às propostas de colaboração premiada anteriormente rejeitadas pelas autoridades.

A representação solicita ainda que o caso seja comunicado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações relacionadas ao Banco Master, e à Procuradoria-Geral Eleitoral, para avaliação de possíveis providências.

Até que as suspeitas sejam verificadas, não é possível afirmar que houve depoimento falso ou comprovar a existência de um acordo para a concessão de benefícios judiciais.

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