
O tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil por motivos nada convincentes vem se mostrando um pedregulho no sapato do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (16), a população enxerga no parlamentar entreguista a maior responsabilidade pela cobrança.
Questionados sobre se concordam com os argumentos de Lula de que Flávio pediu o tarifaço a Trump ou com os do senador, que diz não ter feito esse pedido, 51% se alinham com o presidente e 30% com o senador; 19% não souberam ou não quiseram responder (NS/NR). Em junho, os percentuais eram de respectivamente 47% e 30% para Lula e Flávio.
A pesquisa também quis saber se os entrevistados assentiam mais com um ou com outro quanto a Lula atribuir as tarifas a uma retaliação contra o Pix ou quanto a Flávio dizer que elas seriam uma reação a declarações de Lula contra os EUA. Neste caso, a maioria, 49%, também fechou com o presidente, e 33% com o senador; 10% disseram não concordar com nenhum e 8% NS/NR. No levantamento feito há um mês, os percentuais eram de 46% contra 36% em relação aos dois respectivamente.
Leia também: Brasil repudia tarifas de 25% de Trump e anuncia resposta soberana
Tais variações mostram maior adesão à posição adotada por Lula, que tem se mostrado altivo e defendido a soberania nacional ante os desmandos de Trump, diretamente relacionados a Flávio e a sua subserviência aos EUA em detrimento dos interesses do Brasil.
Ao desdobrar essa última questão de acordo com o posicionamento político dos entrevistados, 94% dos que se dizem lulistas concordam com o presidente; entre os de esquerda não lulista, o percentual de concordância é de 89%.
Os que a pesquisa classificam como “independentes” também estão majoritariamente com Lula, 44%, enquanto 24% assentem com os argumentos de Flávio; os que não escolhem nenhum dos dois somam 17% e os NS/NR, 15%. No caso dos bolsonaristas, 82% vão com Flávio, enquanto entre a direita não bolsonarista o percentual de concordância é de 67%.
Desejo de voto
Outro ponto relevante da pesquisa é o reflexo dessa questão no desejo de votar em um ou em outro postulante. E também neste caso, o quadro é favorável ao presidente: o percentual dos que dizem ter aumentado sua vontade de votar em Lula saiu de 39% há um mês para 42% agora. No caso de Flávio, houve queda de 30% para 27% no período. Os que responderam “outro” somam 23% nos dois levantamentos, da mesma forma como se manteve o percentual dos NS/NR, 8%.
O percentual de eleitores que perderam a vontade de votar em Flávio também é significativa entre uma e outra pesquisa: na direita bolsonarista, o índice passou de 88% para 81% e na direita não bolsonarista, caiu de 70% para 60%.
No caso do presidente, cresceu a vontade dos lulistas e dos de esquerda não lulista em votar nele. Os percentuais marcados em junho e agora foram de 92% para 93% respectivamente no primeiro grupo e variou de 78% para 81% no segundo.
Também entre os “independentes” aumentou a vontade de votar em Lula: o percentual saiu de 26% para 33%, contra 14% a 13% para Flávio. Os que dizem ter mais vontade de votar em outro candidato nesse segmento caiu de 45% para 38%, o que pode indicar uma migração positiva em favor do presidente.
Fraqueza de Flávio
A percepção da fraqueza de Flávio como interlocutor capaz de convencer Trump a reverter as tarifas também fica evidente na pesquisa: 58% acham que ele não teria força para isso, ante 34% que pensam o contrário; os NS/NR ficam em 8%.
Quanto à influência das tarifas na vida das pessoas, 63% disseram que vai impactar — elas eram 55% em junho e 74% em setembro de 2025, último mês da série de três levantamentos feita pelo instituto logo após o primeiro aumento de tarifas dos EUA contra o Brasil. Os que dizem que não impacta somam 31% agora, ante 37% há um mês e 23% em 2025.
O levantamento também aferiu se as pessoas têm opinião mais ou menos favorável aos Estados Unidos. Os que têm um posicionamento negativo saíram de 46% para 48%; já os favoráveis caíram de 39% para 34%, situação que demonstra aumento do descontentamento dos brasileiros com o país frente às medidas adotadas por Trump. Os NS/NR saíram de 15% para 18%.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho; a margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.
O post Tarifaço de Trump suja ainda mais imagem de Flávio e aumenta adesão a Lula apareceu primeiro em Vermelho.