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Taxa de mortes em centros de detenção do ICE mais que dobra sob Trump

A taxa de mortes nos centros de detenção de imigrantes dos Estados Unidos mais que dobrou desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, segundo uma investigação publicada nesta quarta-feira (17) pela Reuters.

A análise, baseada em registros do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), mostra que, entre 2009 e 2024, ocorreu em média uma morte para cada 3.848 pessoas detidas. 

Desde o início do novo mandato de Trump, a proporção passou para cerca de uma morte a cada 1.630 detidos.

Ao todo, 50 pessoas morreram sob custódia do ICE desde janeiro de 2025, período marcado pela retomada da política racista de deportações em massa prometida pelo presidente norte-americano.

Segundo a Reuters, especialistas em saúde pública e em monitoramento de centros de detenção avaliaram que os dados levantam preocupações sobre a qualidade da assistência médica, o acompanhamento de doenças crônicas, a supervisão de pessoas em situação de vulnerabilidade e a rapidez no atendimento a emergências.

Dos 50 óbitos registrados, 21 ocorreram em situações nas quais os detidos foram encontrados já mortos ou inconscientes. Entre esses casos estão dez suicídios.

As doenças cardiovasculares aparecem como uma das principais causas de morte. Dezesseis detidos morreram em decorrência de ataques cardíacos ou outros problemas relacionados ao sistema cardiovascular. 

Para os especialistas consultados pela Reuters, o dado pode indicar falhas na triagem médica inicial e no acompanhamento de pessoas com doenças pré-existentes.

O aumento das mortes ocorre em meio à ampliação acelerada da população detida pelo governo norte-americano. Quando Trump tomou posse, cerca de 40 mil imigrantes estavam sob custódia do ICE. 

O número chegou a aproximadamente 70 mil durante o auge das operações de repressão migratória e permanecia em torno de 57 mil no início de junho.

A investigação destaca ainda que Trump revogou, logo no primeiro dia de seu novo mandato, diretrizes adotadas durante o governo de Joe Biden que recomendavam considerar fatores como idade, estado de saúde, responsabilidades familiares e histórico de serviço público antes da detenção de imigrantes.

Casos emblemáticos

Entre os casos citados pela Reuters está o de Tuan Van Bui, imigrante vietnamita de 55 anos que sofria de problemas cardiovasculares e morreu em abril em uma unidade de detenção no estado de Indiana.

Companheiros de detenção relataram à agência que gritaram por socorro após o homem desmaiar, mas a equipe demorou para chegar ao local. Um dos detidos afirmou ter iniciado manobras de reanimação antes da chegada dos profissionais de saúde.

Outro caso envolve Chaofeng Ge, imigrante chinês de 32 anos encontrado morto em um centro de detenção na Pensilvânia. Segundo a reportagem, ele havia tentado suicídio anteriormente e possuía histórico documentado de transtornos mentais, mas acabou sendo encaminhado para a população geral da unidade.

A Reuters também cita a morte de Mohammad Paktiawal, refugiado afegão evacuado pelos Estados Unidos após a retomada do poder pelo Talibã em 2021. Ele morreu dois dias após ser detido pelo ICE no Texas. 

Três meses depois, familiares ainda aguardavam explicações oficiais sobre a causa da morte.

Falta de transparência

Outro ponto destacado pela investigação é a redução das informações disponibilizadas pelo governo norte-americano sobre as mortes ocorridas nos centros de detenção.

Especialistas ouvidos pela Reuters afirmam que os relatórios divulgados atualmente contêm menos detalhes do que os publicados em anos anteriores, frequentemente omitindo informações sobre histórico médico, medicamentos prescritos, tratamentos realizados e procedimentos de emergência.

Essa falta de transparência dificulta a identificação das circunstâncias que levaram aos óbitos e a eventual responsabilização por falhas no atendimento.

Em resposta à Reuters, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou que permanece comprometido em garantir um ambiente “seguro, protegido e humano” para os detidos e declarou que cuidados médicos são oferecidos desde a chegada dos imigrantes às instalações do ICE.

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