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“Temos que substituir o desalento pelo sonho, o ódio pela esperança”, afirma Lula

Em sua passagem pela Espanha, onde participou, neste domingo (19), de cerimônia de encerramento da Mobilização Progressista Global, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou sua posição em defesa da soberania e valorização do Sul global, pelo multilateralismo e pela reforma de organismos internacionais e disse que garantir democracia é garantir direitos. “Temos que substituir o desalento pelo sonho, o ódio pela esperança”, destacou.

Lula também ponderou que “a democracia não é um destino, é uma construção cotidiana” e falou sobre o quanto a rotina de opressão sobre mulheres e homens trabalhadores resulta numa vida de privações cotidianas.

“Não é democracia quando um pai não sabe de onde tirar seu próximo prato de comida. Não há democracia quando o neto perde seu avô na fila do hospital. Não há democracia quando a mãe passa horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite nos seus filhos. Não há democracia quando alguém é discriminado pela cor da sua pele, quando a mulher morre apenas pelo fato de ser mulher.

Multilateralismo reformado

Como uma das principais vozes em defesa de uma nova ordem mundial com participação ativa e soberana do Sul global, maior diálogo entre as nações e contra o belicismo imperialista, Lula disse que “ser progressista na arena internacional hoje é defender um multilateralismo reformado. É defender que a paz prevaleça sobre a força. É combater a fome e proteger o meio ambiente. É reinstituir a credibilidade da ONU, que foi corroída pela irresponsabilidade dos seus membros permanentes”.

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O presidente brasileiro voltou a defender que é preciso criar um sistema internacional em que as regras “valham para todos, em que países desenvolvidos e em desenvolvimento estejam em pé de igualdade no Conselho de Segurança, no Banco Mundial, no FMI e na Organização Mundial do Comércio”.

Além disso, argumentou que o Sul global vem pagando a conta “de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou. É tratado como quintal das grandes potências e sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis”.

Papel da Mobilização Global Progressista

Nesse cenário, argumentou, a Mobilização Global Progressista “tem uma missão importante: recuperar a capacidade das forças progressistas de projetar um futuro melhor, um futuro com justiça social, igualdade e democracia. Esses três termos — mobilização, global e progressista — precisam andar juntos, não como palavras de ordem, mas como realidade viva”.

Lula lembrou dos vários momentos em que potências levantaram falsas justificativas para iniciar conflitos com outros países, como ocorreu, por exemplo, com o Iraque e a Líbia e declarou: “E agora estão atrás, outra vez, de construir a ideia de que o Irã ia construir uma bomba atômica. Eles não iam construir bomba atômica. Nós precisamos acabar com essa história de contar mentiras sobre as pessoas para depois destruí-las”.

Ele também criticou forma como os EUA tratam os países da América Latina — “vendida como se fosse o mundo do narcotráfico” — e do Oriente Médio — “vendido como se fosse o mundo do terrorismo”.

Lula também disse que o campo progressista muitas vezes foi vítima “da nossa inocência política”. E completou: “Quantas vezes a gente ganha eleições e depois a imprensa, o sistema financeiro, os acadêmicos conservadores escrevem artigos e matérias obrigando a gente a tentar destruir aquilo que foi a razão da nossa eleição. E a gente vai ficando com medo e vai tentando agradar o mercado, os empresários e o que acontece é que nós vamos ficando desmoralizados”.

Na sequência, declarou sob palmas: “O povo pobre quer ter direito a um emprego decente, a morar numa casa boa, a estudar. Ele quer ter direito de que o seu filho possa ser doutor igual o filho do seu patrão. Ele quer o direito a um sistema de saúde decente. É a única coisa que nós queremos e tudo isso está na Bíblia, na Constituição de cada país e na Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU. E por que que não me cumpre?”.

Perto de concluir sua fala, salientou: “A minha causa é a democracia. A minha causa é a liberdade. A minha causa é a igualdade. A minha causa é garantir que todas as pessoas sejam respeitadas”.

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