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Temporal destrói casas e produção em assentamentos do MST em Eldorado do Sul (RS)

Casa destruída por temporal no assentamento Apolonio de Carvalho, em Eldorado do Sul (RS). Crédito: Prefeitura de Eldorado do Sul

Por Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

Casas destruídas, a perda de um galpão comunitário e danos significativos em hortas estão entre os impactos registrados em assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Eldorado do Sul (RS). O município foi atingido pelo temporal de ventos fortes e granizo que alcançou a região Metropolitana de Porto Alegre no sábado (11). Nesta segunda-feira (13), 720 pessoas permaneciam desalojadas, segundo a Defesa Civil estadual.

Ao menos 180 casas foram destelhadas e dez ficaram destruídas no temporal. Postes e árvores também caíram, interrompendo o tráfego e afetando o fornecimento de energia elétrica e água. A prefeitura decretou situação de emergência. Aulas foram suspensas.

Os estragos se concentraram no distrito do Parque Eldorado e no bairro Apolônio de Carvalho, regiões que também abrigam assentamentos e comunidades rurais. Eldorado do Sul foi um dos municípios mais castigados pela enchente de maio de 2024 e que ainda tenta reconstruir moradias, equipamentos públicos e a infraestrutura destruída pelas águas.

Casas, galpão e hortas atingidas

A coordenação do MST-RS confirmou a destruição de cinco casas em áreas de assentamento. No Apolônio de Carvalho, duas residências foram completamente destruídas. A região tem como principal atividade agrícola a produção de arroz. Como o período atual é de preparação da terra, e não de plantio, o movimento ainda não dispõe de informações sobre possíveis perdas na produção.

No assentamento Lanceiros Negros, um galpão comunitário utilizado para o escoamento da produção leiteira foi destruído. A estrutura atendia famílias que trabalham com a criação de gado de leite.

Outras duas casas foram totalmente destruídas na área mais recente do assentamento São Pedro, onde vivem 40 famílias assentadas desde o ano passado. Apesar do pouco tempo no local, as famílias já produziam e comercializavam alimentos.

Outras moradias sofreram danos menores, como a queda de janelas. Os prejuízos mais graves foram registrados nas hortas.

“Na questão da produção de legumes e verduras, o impacto nas hortas foi devastador, destruiu bastante”, relatou a assentada Cleusa de Oliveira, integrante da coordenação do MST na região de Porto Alegre.

Na parte mais antiga do São Pedro, assentamento que se aproxima dos 40 anos, outra casa foi destruída. Os prejuízos à produção nessa área ainda estão sendo levantados.

As informações são preliminares e podem ser ampliadas à medida que o movimento consiga entrar em contato com todas as famílias e acessar os locais atingidos.

Aulas suspensas

As aulas da rede municipal foram suspensas nesta segunda-feira nas escolas localizadas no distrito do Parque Eldorado e nos assentamentos. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a suspensão busca garantir a segurança de estudantes, trabalhadores da educação e comunidades escolares, além de permitir que as equipes municipais continuem mobilizadas no atendimento às famílias.

Granizo acumulado em Eldorado do Sul após o temporal. Crédito: Defesa Civil do RS

O atendimento as famílias atingidas permanece concentrado na base da Defesa Civil instalada na Subprefeitura do Parque Eldorado, na avenida João Ricardo Juliano, 55. No local, as equipes realizam o cadastro das ocorrências, distribuem lonas e orientam os moradores.

A Defesa Civil estadual entregou quatro rolos de lona e iniciou a distribuição de 2.452 telhas após o levantamento das residências atingidas. Durante o fim de semana, também foram distribuídos colchões, cobertores e roupas.

Segundo a prefeitura, as casas danificadas ou destruídas deverão ser reconstruídas com recursos dos governos estadual e federal.

Possível microexplosão

A MetSul Meteorologia avalia que uma microexplosão atmosférica, também conhecida como downburst, pode ter provocado os danos mais graves em Eldorado do Sul. O fenômeno ocorre quando uma corrente violenta de ar desce de uma nuvem de tempestade e se espalha radialmente ao atingir a superfície. As rajadas podem alcançar força destrutiva em uma área concentrada.

Segundo a MetSul, o temporal começou com fortes rajadas de vento, seguidas por uma intensa queda de granizo que durou entre oito e nove minutos. “Os danos estruturais observados em Eldorado do Sul com colapso parcial ou total de estruturas e danos até em silos de armazenagem de grãos são consistentes com rajadas de vento extremamente fortes e com caráter destrutivo”, avaliou a empresa de meteorologia.

A possibilidade de microexplosão ainda é uma hipótese. A confirmação depende da análise das imagens de radar, dos registros meteorológicos e da distribuição dos danos em campo.

Outras cidades atingidas

O temporal também provocou estragos em outros municípios da região Metropolitana. Em Canoas, a Defesa Civil atendeu ao menos 13 ocorrências relacionadas à chuva forte e ao granizo. O bairro Fátima foi o mais atingido. O caso mais grave ocorreu na rua Ucranianos, onde uma residência sofreu colapso estrutural e desabou.

Em Glorinha, a Defesa Civil estadual entregou quatro rolos de lona para auxiliar as famílias atingidas. Os registros em diferentes municípios indicam que a tempestade avançou por uma extensa área da região Metropolitana na manhã de sábado.

Semana com calor antecede chuva volumosa

A semana começa com tempo seco e frio no Rio Grande do Sul, mas a temperatura sobe a partir de quarta-feira (15). A chuva retorna em pontos do estado na quinta-feira (16), dando início a vários dias de instabilidade e risco de temporais.

A MetSul prevê chuva volumosa, com acumulados de 100 mm a 200 mm em vários municípios até a metade da próxima semana. Em algumas áreas, os volumes podem alcançar de 200 mm a 300 mm ou mais.

Editado por: Marcelo Ferreira

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