
Eleito por unanimidade para a presidência nacional da Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores) no encerramento do 15º Congresso da entidade, realizado entre os dias 10 e 12 de julho, na Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza, Antônio Pedro de Sousa, o Tonhão, afirma que a principal missão da nova direção será ampliar a organização popular sem abrir mão dos espaços institucionais conquistados ao longo dos últimos anos.
Em entrevista ao Portal Vermelho, concedida após o encerramento do congresso, Tonhão afirmou que assume a entidade dando continuidade ao trabalho desenvolvido na gestão de Getúlio Vargas Júnior, mas com o objetivo de intensificar a mobilização comunitária em defesa das políticas públicas.
“Eu recebo essa tarefa de dirigir a Conan após o ciclo de dois mandatos do nosso presidente Getúlio Vargas, que conseguiu ampliar os espaços da Conan, sobretudo os espaços institucionais, a presença em conselhos importantes. E tenho aqui a tarefa de manter esse espaço ou até ampliá-los e também ver a outra vertente, que é colocar a Conan em movimentos de rua, ou seja, botar a nossa massa popular dos movimentos, das entidades nas ruas para pressionar os governos, seja municipal, estadual ou federal, para que a gente possa atingir os interesses das comunidades por políticas públicas que são necessárias para melhor qualidade de vida.”
Oriundo do Movimento pelo Direito à Moradia (MDM) e da Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (Facesp), Tonhão já integrava a direção nacional da Conam e foi eleito para suceder Getúlio Vargas Júnior após dois mandatos à frente da entidade.
SUS, reforma urbana e direitos sociais
Sobre as resoluções aprovadas no Congresso, o novo presidente destacou quatro frentes como prioritárias para os primeiros encaminhamentos da gestão. A primeira é o fortalecimento da luta em defesa do SUS, incluindo o trabalho voltado à Conferência Nacional de Saúde, prevista para o próximo ano — a Conam, segundo Tonhão, tem grande presença no Conselho Nacional de Saúde, já presidiu o colegiado por duas vezes e hoje ocupa assento em sua mesa diretora.
A segunda é a luta pelo Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano, voltada a melhorar as condições de vida em comunidades que precisam de urbanização e regularização fundiária. A terceira é o combate ao feminicídio, que Tonhão descreveu como um problema que “atinge hoje em massa milhares de mulheres em todo o país e se tornou um problema de saúde pública, quase uma epidemia”, justificando o engajamento da entidade dada sua base com forte presença feminina.
Por fim, ele citou a continuidade da luta pelo fim da escala 6×1, lembrando que a pauta “já teve êxito no Congresso Nacional e agora vai depender de muita pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que busca inviabilizar essa conquista histórica dos trabalhadores.
“Fortalecer as federações em todo o país
Além da agenda política aprovada pelo congresso, Tonhão afirma que a nova direção terá como prioridade reorganizar a estrutura da Conam nos estados. “Nessa nova gestão da Conan, nós vamos procurar implementar um grande esforço de organização das nossas federações estaduais. Ainda embora a gente tenha entidades, algumas federações bem-organizadas e fortes, isso não é realidade de todo o país.”
Segundo ele, a meta é fortalecer as entidades existentes e ampliar a presença da Conam onde ainda não há organização estadual. “Nossa ideia é reestruturar federações em todo o Brasil, em todos os estados, fortalecendo, buscando fazer acompanhamento, orientando, capacitando essas lideranças. E, noutra ponta, construir federações onde, por acaso, ainda não exista, seja nos estados ou nas capitais.”
Esse fortalecimento das bases, explica, permitirá que a entidade amplie sua atuação tanto nas comunidades quanto nos espaços institucionais.
Eleições de 2026 e direito à cidade
Questionado sobre o papel da Conam no processo eleitoral de 2026, Tonhão foi direto ao afirmar que a eleição de outubro “é fundamental para o destino do Brasil, e não seria diferente para o movimento comunitário”.
Para ele, cabe à entidade “esclarecer e politizar todas as lideranças e comunidades de todo o Brasil” alcançadas pelas federações estaduais e municipais, diante de uma escolha que considera decisiva: continuar avançando “no ritmo das mudanças, com mais políticas públicas, melhor qualidade de vida, geração de empregos decentes e mais direitos sociais”, ou correr o risco de ver “a soberania e a democracia do país ameaçadas”.
Nesse contexto, reforçou a centralidade da reforma urbana e do direito à cidade — moradia digna, saneamento diante do avanço da privatização das empresas do setor, e a bandeira da tarifa zero no transporte público, hoje já adotada “pois mais de 100, quase 200 cidades hoje no Brasil já ofertam a tarifa gratuita para a população.”
“Sair com um movimento comunitário ainda mais fortalecido”
Ao encerrar a entrevista com uma mensagem às lideranças comunitárias de todo o país, Tonhão apontou a reorganização das federações estaduais como o maior desafio da nova gestão. “Embora a gente tenha entidades e algumas federações bem organizadas e fortes, isso não é realidade em todo o país. Nossa ideia é reestruturar federações em todos os estados, fortalecendo, buscando fazer acompanhamento, orientando e capacitando essas lideranças”, disse.
Ele também defendeu a criação de novas federações onde ainda não existem e resumiu o objetivo do mandato: “Sair desse mandato com o movimento comunitário ainda mais fortalecido, garantindo também os espaços institucionais e de conselhos que a entidade ocupou ao longo de quase dez anos das últimas gestões — permanecer nesses espaços, levar nossas propostas e viabilizar políticas públicas cada vez mais efetivas que ajudem a melhorar a vida da nossa população.”
O post Tonhão: “vamos colocar a Conam nas ruas para pressionar governos” apareceu primeiro em Vermelho.