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Trabalhadores da limpeza urbana de São José dos Campos (SP) fazem greve contra a exploração e o assédio

No dia 13 de abril, os operários da Urbanizadora Municipal (URBAM), em São José dos Campos (SP), decretaram greve por tempo indeterminado após assembleia liderada pelo sindicato da categoria (SEAAC). Dos 4 mil funcionários da empresa pública municipal, cerca de 2 mil aderiram à paralisação, interrompendo serviços cruciais como a coleta de lixo, a Secretaria de Serviços Municipais e as obras do Mercado Municipal e do novo Ambulatório Médico de Especialidades (AME).

Emily Ferreira e Isabela Rosa | São José dos Campos


TRABALHADOR UNIDO – Os trabalhadores da Urbanizadora Municipal (URBAM), na segunda-feira, 13 de abril, cruzaram os braços e decretaram a paralisação após assembleia convocada pelo SEAAC, o sindicato da categoria. 

De acordo com o sindicato, dos 4 mil funcionários da empresa, cerca de 2 mil aderiram à greve. Entre os serviços paralisados estão a coleta de lixo, as obras de construção do novo Ambulatório Médico de Especialidades, as obras da reforma do Mercado Municipal e a Secretaria de Serviços Municipais.

Essa movimentação, no entanto, não é de agora: desde o ano passado através de  brigadas e panfletagens nas portas dos vários postos de trabalho da empresa espalhados pela cidade, o MLC vem coletando inúmeras denúncias dos trabalhadores e trabalhadoras, desde casos de assédio moral por parte dos chefes e monitores, até o ticket alimentação que não tem reajuste há anos. 

A maioria dos trabalhadores cumpre a escala 6×1, relatando passar o dia cuidando da cidade, entretanto não restando tempo para viver, estar com a família ou até mesmo descansar. Dentre as denúncias, vemos que algumas chegam a beirar o absurdo, como trabalhadores que não têm onde usar banheiros e têm feito suas necessidades em latas à noite ou no meio do mato, segundo relato de uma trabalhadora que preferiu não se identificar devido às perseguições por parte da empresa:

“A nossa chefe veio aqui ontem e disse que a gente é um bando de porco. A gente que limpa a cidade e ainda é chamado de porco pela chefia.” 

E as reivindicações não param por aí: a progressão salarial não é paga desde 2017 e inúmeros trabalhadores estão em serviço aos sábados mas não têm recebido nada por isso. Uma grande parte da coleta de lixo não recebe adicional de insalubridade e muitos têm sido obrigados a entrar com processos contra a empresa, que no entanto costumam levar anos. A classe trabalhadora tem pressa de viver uma vida digna.

Os militantes do MLC organizaram então, junto aos trabalhadores, um abaixo-assinado pela pauta que afeta todos os funcionários da empresa: a revogação da coparticipação no convênio médico, que na prática é uma medida que retira do salário do funcionário para que ele pague o convênio. Diariamente, nos locais de trabalho, foram coletadas mais de 200 assinaturas não somente com os trabalhadores da URBAM, mas também com diversos munícipes que se juntaram à causa. 

Logo após o início da paralisação, a URBAM divulgou uma nota nas redes sociais, repudiando a greve e acusando os trabalhadores de serem irresponsáveis por comprometerem a realização de serviços essenciais para o município.

Isso não intimidou os trabalhadores, sendo aprovada no dia 14 de abril a continuação da greve. De fato, sem as trabalhadoras e os trabalhadores da URBAM, a cidade fica suja, as obras não se concluem e o lixo não é recolhido, e é exatamente por isso que se faz completamente justa as reivindicações dessa categoria. Sem os trabalhadores, a cidade não funciona, sem os patrões, os trabalhadores seriam livres para trabalhar com dignidade.

Já no segundo dia de greve, o Movimento conversou com mais trabalhadores e foram realizadas 16 associações ao MLC, mostrando a vontade da classe trabalhadora em se organizar.

A greve mostra o caminho: os trabalhadores podem e devem tomar o poder. Mesmo diante de toda pressão, humilhação e exploração, a classe trabalhadora é insubmissa, e cada vez mais têm se revoltado contra o sistema capitalista e compreendendo a construção do socialismo como única alternativa possível.