
Motoristas de aplicativos e entregadores de diferentes regiões do país articulam uma nova rodada de paralisações contra Uber, 99 e iFood. A mobilização é motivada por mudanças nos modelos de remuneração e distribuição de corridas adotados pelas plataformas, que, segundo os trabalhadores, têm reduzido os ganhos.
Entre as reclamações está o sistema de “passe”, em teste pela Uber e pela 99. Nele, os motoristas precisam pagar uma assinatura, válida por um período ou por um limite de faturamento, para acessar as corridas e ficar com o valor integral das viagens. Já os entregadores de apps criticam o sistema +Entregas, do iFood, que exige agendamento de turnos e atuação em áreas definidas pelo aplicativo.
Segundo representantes da categoria, o novo modelo do iFood reduziu a remuneração média para cerca de R$ 3,50 por entrega, valor inferior ao piso de R$ 7 por corrida de até quatro quilômetros anunciado pela empresa após o “Breque Nacional dos Apps”, realizado no ano passado.
Nesta segunda-feira (27), grandes protestos foram realizados em cidades como Juiz de Fora (MG) e Florianópolis (SC), enquanto trabalhadores de outros estados também discutem novas mobilizações.
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Na avaliação do presidente do Sindimoto-RS (Rio Grande do Sul) e secretário de Transporte, Trânsito e Logística da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB-RS), Valter Ferreira, é preciso combater esse avanço sobre a remuneração dos trabalhadores pelas plataformas de forma organizada e incisiva.
Como explica ao Vermelho, as mobilizações precisam de estratégia e força para que unidas consigam passar um recado para as empresas. Do contrário, o isolamento dos atos não irá gerar efeito.
“Atos isolados só fortalecem a tese dos aplicativos, quando a gente não consegue se juntar para combater esse tipo de coisa. Enquanto instituição, a gente combate, mas infelizmente se o trabalhador, que é o óleo que movimenta toda essa máquina, não tiver a consciência dessa bandeira de luta, isso não vai mudar”, diz.
Conforme entende, cada vez as empresas inventam algo para se dar bem em cima do trabalhador: “sempre procuram uma forma de aferir cada vez mais vantagem em cima de nós, sugando tudo que pode”.
Dessa maneira, Ferreira aponta que é preciso que os trabalhadores se conscientizem e construam uma estratégia nacional, pois a disputa com essas empresas de aplicativos é muito desigual.
“Estamos batendo contra isso, mas em virtude do poder financeiro, essas empresas acabam fazendo parcerias com os governos municipais e estaduais, e acabam levando vantagem. Desaprovamos esses novos modelos das plataformas. Não faz parte do nosso desejo. Mas enquanto a gente não conscientizar o principal óleo que movimenta essa máquina [os trabalhadores], eu não vejo a solução a curto prazo”, entende.
Dia do Motociclista
Na próxima quarta-feira (29), é comemorado o Dia do Motociclista. Na data, o Sindimoto-RS realiza em sua sede (Rua Itaboraí, nº 1090, Porto Alegre) um almoço aberto aos motociclistas.
De acordo com Ferreira, o almoço também será um momento para debater o tema.
“Os aplicativos já sabem que vai haver paralisações, mas eles não ficam com prejuízo nenhum, porque mobilizações isoladas não os atingem”, entende o presidente do Sindimoto-RS, que avalia que a quantidade de motoboys que participam das atividades é muito inferior ao total que mantém atividades em dia de protesto.
Como muitos trabalhadores se preocupam em manter uma remuneração mínima, já que um dia parado pode ser muito lesivo ao bolso deles, a alternativa é demonstrar insatisfação ao atrasar o sistema. Já a alternativa mais convencional é uma paralisação total das entregas.
“Estamos discutindo com a categoria para não deixar de atender. Vamos propor o “efeito tartaruga” em que se pega uma entrega e ao invés de levar 15 minutos para a entrega, ela pode levar meia hora, 40 minutos, para atrasar todo o sistema. Assim não se deixa de trabalhar, é uma proposta. A outra é a paralisação total. Vamos ver nesses debates o que a gente vai construir e ver a caminhada que vamos tomar, mas já adianto: tudo isso com a participação dos órgãos competentes, TRT, Justiça do Trabalho, Subdelegacia do Trabalho, a gente não faz nada sozinho”, conclui.
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