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Trabalhadores reforçam luta pelo fim da escala 6×1 em dia nacional de lutas

O dia 25 de maio foi marcado por lutas contra a escala 6×1 em todo o país. O calendário faz parte das jornadas de lutas convocada por movimentos sociais e organizações políticas para denunciar às condições de trabalho e exigir redução imediata da jornada de trabalho, o fim da escala 6×1 e o aumento do salário mínimo

Leonardo de Paula | São Paulo


BRASIL – O dia 25 de maio marcou mais uma data na jornada nacional de luta dos trabalhadores contra a escala 6×1. Em todo o Brasil, o Movimento Luta de Classes, a Unidade Popular pelo Socialismo e os trabalhadores ocuparam novamente às ruas para denunciar a jornada exaustiva e as péssimas condições de trabalho. 

Além da redução da jornada de trabalho, a Unidade Popular pelo Socialismo, também levantou a bandeira do aumento em 100% do salário mínimo, proposta do programa do socialismo defendido por Samara Martins, pré-candidata à presidência do Brasil pelo Partido.

“Não vamos superar o endividamento das famílias, resolver a questão da fome e dar dignidade ao povo brasileiro se continuarmos vivendo com o salário mínimo atual.” declarou Samara Martins.

No Rio Grande do Sul o ato aconteceu no dia 24. Segundo Tânia Peres, militante do MLC e servidora da UFRGS: “Eu sempre trabalhei na escala 6×1 e tenho um filho. Eu sei o que é acordar cedo para trabalhar e chegar em casa às 21h. Eu via a minha família de segunda a sábado dormindo, foi assim que vi minha família crescer”.

Em São Paulo, o ato foi mobilizado para o dia 25, segunda-feira na Avenida Paulista, principal avenida da capital do estado, às 17h e contou com quase 7 mil pessoas 

Foto: Wildally Souza/ JAV

Já no Rio de Janeiro, o ato também foi convocado para as 17h na Candelária, região central da capital, segundo Esteban Crescente, presidente da anuidade Popular no estado “Não podemos parar, temos que lutar contra o endividamento da população e pela duplicação do salário mínimo”

Juliete Pantoja, pré -candidata ao governo pela UP declarou: “essa é a semana da votação no congresso Nacional. Ela é decisiva para nossa vitória. A luta não começou agora, o ano de 2025 teve um aumento de 16% nas greves em todo o país. Esse tipo de pressão contra os patrões é determinante e esse Congresso Nacional que tem um monte de deputados que não trabalham querem fazer com a gente trabalhe ainda mais e receba baixos salários”

Governo encaminha proposta de alteração da escala 6×1

O presidente da câmara de deputados, Hugo Motta (Republicanos), do mesmo partido do governador fascista de São Paulo, Tarcisio de Freitas, anunciou nesta segunda (25/05) o encaminhamento da mudança na escala junto ao governo federal.

Segundo a proposta do governo junto à Câmara a escala passaria de 44 horas semanais para 42 após 60 dias depois da aprovação da PEC, ou seja, dois meses. Após 12 meses da aprovação, diminuiria mais duas horas, passando a 40 horas semanais. 

A proposta será votada na próxima quarta-feira (27/05) pela Comissão Especial no Congresso. A Comissão Especial é um grupo temporário formado por deputados e senadores para votar e emitir pareceres sobre questões de grande relevância para a sociedade.

Além da diminuição de horas, a proposta também prevê a alteração da jornada de 6×1 para a jornada 5×2 em todo o Brasil sem diminuição no salário dos trabalhadores

Nos atos e nas greves operárias mobilizadas contra a escala 6×1, como a do último dia 4 de março, na qual mais de 2000 trabalhadores paralisaram as atividades em todo o país, a proposta defendida era a da implementação da jornada de 35 horas semanais e a escala 4×3.

Foto: Wildally Souza/ JAV

Parlamentares do centrão e do fascismo atacam trabalhadores

Enquanto o povo se mobiliza através das greves e grandes manifestações para conquistar mais dignidade através da redução da jornada de trabalho, deputados do centrão e do fascismo se mobilizam para atacar ainda mais a classe trabalhadora.

Parlamentares do centrão encaminharam a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 221/2019 que prevê a possibilidade dos patrões explorarem os trabalhadores em até 52 horas horas semanais.

Além disso, buscando enfraquecer as mobilizações dos trabalhadores que têm tomado às ruas de cada vez mais cidades, a PEC propõe congelar qualquer mudança nas leis trabalhistas por pelo menos dez anos. Se aprovada, seria possível avançar nas condições de trabalho apenas em 2036.

Mesmo com todo o esforço dos representantes da burguesia e dos patrões em frear a luta da classe trabalhadora, a conquista da escala 4×3, 36 horas semanais e aumento de 100% do salário mínimo está cada vez mais perto do fim graças às greves, atos e mobilizações nas ruas do povo.