
Milhares de trabalhadores da cidade e do campo na Bolívia estão em greve geral há 9 dias pedindo a renúncia do presidente de direita neoliberal Rodrigo Paz.
Redação
INTERNACIONAL – As barricadas e bloqueios nas principais estradas bolivianas, acompanhadas das marchas com milhares de operários, camponeses e comunidades indígenas mostram a amplitude da mobilização do povo boliviano contra o governo neoliberal de Rodrigo Paz.
Paz foi eleito em 2025 na eleição que contou com a maior abstenção da história da Bolívia. Milhões de trabalhadores bolivianos se recusaram a participar do processo eleitoral por conta da proibição do ex-presidente Evo Morales de se candidatar. Com um processo esvaziado Paz conseguiu se eleger e eleger aliados no Parlamento boliviano.
Desde o início do ano, o governo neoliberal vem tentando impor seu programa neoliberal e antipopular. Foi anunciado o fim do subsídio estatal aos combustíveis, sendo que a Bolívia é um dos maiores produtores de gás natural do mundo, privatizações de empresas estratégicas foram anunciadas e uma política de arrocho salarial foi imposta pelo governo.
A situação piorou quando o presidente anunciou a aprovação de uma Lei de Terras, que previa a entrega de terras comunais indígenas e pequenas propriedades camponesas ao latifúndio. Entre os principais interessados nesta lei se encontravam agentes do agronegócio brasileiro, que tem tentando ampliar sua atuação no Paraguai e na Bolívia a mando do capital financeiro internacional.
Esse conjunto de medidas gerou uma revolta generalizada no país. Desde 1o de Maio, a Central Operária Boliviana (COB) decretou greve geral por aumento de 20% nos salários. A paralisação foi seguida pelo movimento indígena e camponês, que bloqueou estradas em todo país e cercou a capital, La Paz.
A luta se desenvolveu ao ponto do governo recuar na aprovação da lei de terras e no fim dos subsídios. Mas os trabalhadores perceberam que o atual governo neoliberal só pode atender aos interesses do capital imperialista e agora exigem a renúncia de Paz.
Intervenção imperialista
Para tentar deter o avanço das lutas populares, o governo de La Paz busca apoio total do imperialismo estadunidense. Esta situação atingiu um ponto alto de fervura com a denúncia do ex-presidente Evo Morales de uma tentativa de sequestro de comandos estadunidenses com apoio do exército boliviano.
O ex-presidente se encontra em Chimoré, no interior boliviano, onde é protegido por milícias populares de camponeses e indígenas. No início do ano, após o sequestro do presidente da Veneazuela Nicolás Maduro, Morales chegou a desaparecer por um mês alegando problemas de saúde.
Além da denúncia de Morales, governos aliados do imperialismo na América Latina declararam “preocupação” com a crise na Bolívia. Argentina, Chile, Paraguai, Equador e mais seis países assinaram uma nota conjunta. Em 2019, numa manobra parecida, os EUA tentaram impor um golpe fascista que durou um ano no país andino.
Naquela vez, a intervenção foi legitimada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), sediada em Washington e controlada pelo governo Trump. Neste ano, o governo de direita novamente recorreu à entidade estadunidense para pedir apoio.
Conflitos entre trabalhadores e policiais
Por toda a Bolívia a greve cresce. Na manhã de hoje, sindicatos de Potosí e de Santa Cruz de la Sierra, principais centros econômicos bolivianos, aderiram à paralisação. Federações de moradores, camponeses e indígenas firmaram um acordo de luta unificada em La Paz, reafirmando a disposição de luta até a derrubada completa do governo neoliberal.
“Exigimos a renúncia imediata do presidente Rodrigo Paz, a quem responsabilizamos pela crise econômica e social que atravessa o país. Rejeitamos qualquer tentativa de diálogo sem resultados concretos – o tempo da espera expirou e as bases não aceitarão mais mesas de negociação que sirvam apenas para ganhar tempo. Declaramo-nos em estado de mobilização permanente e anunciamos a intensificação das medidas de pressão nos próximos dias.”, afirma a declaração realizada por pelo menos 4 grandes federações de moradores, camponeses e indígenas da região de La Paz.
A mobilização do povo boliviano mostra o que um povo organizado e disposto a luta pode fazer. Mesmo com a direita neoliberal tendo vencido as eleições, milícias fascistas espalhadas em centros urbanos e uma maioria conservadora no Parlamento, o povo organizado está nas ruas para impedir qualquer retrocesso aos seus direitos e acabar com qualquer tentativa de implantar um regime neoliberal no país.