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Trump amplia ataques e Irã leva crimes de guerra dos EUA para a ONU

As forças militares dos Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira (20) uma nova série de bombardeios contra posições no Irã, completando o nono dia consecutivo de ações armadas na região. De acordo com o Comando Central dos EUA (CENTCOM), a intervenção busca conter a capacidade iraniana de intervir sobre embarcações comerciais que navegam pelo Estreito de Ormuz. Diante da escalada das ações bélicas, o governo iraniano recorreu formalmente ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para exigir a interrupção imediata dos ataques, os quais classifica como graves agressões e crimes de guerra.

A operação conduzida pelas forças norte-americanas atingiu estruturas de comando, sistemas de defesa aérea, radares de vigilância na costa, instalações marítimas, posições de lançamento de mísseis e drones, além de grupamentos da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). As incursões militares ocorrem em um cenário de rupturas diplomáticas dos contratos em andamento, principalmente, do memorando de entendimento para cessar-fogo assinado na metade de junho.

EUA planejam manter os bombardeios

A postura de Washington foi reiterada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que enfatizou a manutenção dos bombardeios caso ocorram interferências na navegação internacional.

Por parte de Teerã, a resposta diplomática formal deu-se por meio de uma correspondência encaminhada pelo embaixador permanente do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, endereçada ao secretário-geral António Guterres e à presidência do Conselho de Segurança. 

Irã denuncia crimes de guerra dos EUA

O documento, expedido no sábado (18), denuncia que a atuação militar dos Estados Unidos configura crimes de guerra e atos explícitos de agressão que violam abertamente a Carta das Nações Unidas e os preceitos fundamentais do direito internacional humanitário.

No relatório enviado às Nações Unidas, o diplomata iraniano aponta que os bombardeios executados entre a noite de quinta-feira (16) e a madrugada de sexta-feira (17) na província de Hormozgan provocaram a destruição de travessias civis e de trechos da malha ferroviária local. O diplomata relatou a queda de um automóvel civil provocada pelo desabamento de uma ponte atingida por mísseis, episódio que resultou na morte de sete pessoas e deixou outras nove feridas. 

A documentação cita ainda ataques contra a estação de trem de Bandar Abbas e registros de baixas civis, incluindo mulheres e crianças. Pelos cálculos apresentados pela representação iraniana, as investidas militares já somam dezenas de mortos e mais de 400 feridos desde o início de julho.

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O Irã solicitou providências urgentes para que o órgão deliberativo da ONU adote medidas concretas capazes de cessar a ofensiva dos Estados Unidos e assegurar a responsabilização legal pelas violações registradas. A delegação iraniana requereu a inclusão do documento nos anais oficiais do Conselho de Segurança e destacou que o país mantém salvaguardado o seu direito de autodefesa previsto em convenções internacionais.

Paralelamente à via diplomática, a Guarda Revolucionária Islâmica divulgou que executou ações de retaliação dirigidas contra infraestruturas ligadas às forças americanas. O comunicado cita incursões a aeronaves situadas no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, e ataques a bases militares localizadas no Kuwait, abrangendo o campo de Al-Adiri e a Base Aérea Ali Al Salem, além de alvos mapeados na Síria.

A IRGC informou também a explosão de dois petroleiros que tentavam contornar a passagem ao sul do Estreito de Ormuz, sustentando que impedirá o fluxo de petróleo e gás pela região enquanto a intervenção americana for mantida.

O aprofundamento das hostilidades provocou repercussão imediata nos mercados internacionais de energia, gerando apreensão sobre a estabilidade do fluxo de combustível por Ormuz, rota por onde escoa aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no planeta. Durante as negociações desta segunda-feira (20), a cotação do barril de petróleo Brent atingiu o teto de US$ 91, ápice não registrado desde meados de junho.

O monitoramento do tráfego marítimo indicou retração acentuada no volume de navios em trânsito pela hidrovia.

Diante do quadro crítico na região do Golfo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reiterou os apelos por contenção máxima entre as partes e defendeu o restabelecimento imediato dos canais diplomáticos para a resolução do conflito, que impacta diretamente a economia mundial e eleva os riscos de desestabilização regional.

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