
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (16), por meio de suas redes sociais, o estabelecimento de um cessar-fogo temporário de 10 dias entre Israel e Líbano. A medida, com início previsto para as 17h (horário de Brasília), foi apresentada como um passo preliminar para negociações de longo prazo. Trump afirmou ter mantido conversas diretas com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun, sinalizando o primeiro contato de alto nível entre as nações em décadas, embora sem encontro presencial. A supervisão da trégua ficará a cargo do vice-presidente JD Vance e do secretário de Estado Marco Rubio.
Posicionamento do Líbano
O governo do Líbano, representado formalmente pelo presidente Joseph Aoun e referendado pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, manifestou-se favoravelmente à suspensão das hostilidades. Beirute prioriza o retorno de mais de um milhão de deslocados internos e a recuperação da soberania nacional sobre o sul do país, devastado por bombardeios que já deixaram mais de 2 mil mortos desde março de 2026. Apesar da anuência ao plano de Trump, o governo libanês reitera que não houve reconhecimento direto de Israel, mantendo a interlocução mediada por Washington.
A ameaça expansionista de Israel
Em Tel Aviv, a recepção ao acordo é acompanhada pela manutenção de objetivos militares e territoriais. O governo israelense afirmou que a “descompressão” na fronteira não implica a retirada imediata das tropas posicionadas em solo libanês. Benjamin Netanyahu reforçou que a estratégia permanece centrada no desmantelamento do Hezbollah, utilizando a premissa da “paz através da força”. Paralelamente, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o ministro da Defesa, Israel Katz, têm declarado abertamente o interesse em estabelecer o Rio Litani como a nova linha de controle israelense, sugerindo a criação de uma zona de segurança que incluiria a demolição de residências e a alteração demográfica da região.
A comunidade internacional observa com reserva a viabilidade da trégua diante dessas pretensões expansionistas. Organizações de direitos humanos e as Nações Unidas alertam para o risco de limpeza étnica, citando pressões sobre comunidades locais para a expulsão de populações xiitas. O Ministério das Relações Exteriores do Líbano classificou as intenções israelenses sobre o Rio Litani como uma violação flagrante da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que preza pela integridade territorial do país. Em resposta às manobras demográficas, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos enfatizou que o deslocamento forçado de populações com base em critérios religiosos ou sectários constitui crime de guerra.
A eficácia do cessar-fogo enfrenta ainda o ceticismo do Hezbollah. O dirigente Wafiq Safa declarou à Associated Press que o grupo não se considera vinculado a termos negociados sem sua participação direta, o que mantém elevado o risco de colapso da trégua. Enquanto Trump busca consolidar o anúncio como um triunfo diplomático pessoal antes de uma possível reunião em Washington, o cenário no terreno aponta para uma paz frágil, pressionada pela presença de tropas estrangeiras e pelo projeto de reconfiguração territorial no sul do Líbano.
O post Trump anuncia trégua, mas Israel mantém projeto de ocupação no Líbano apareceu primeiro em Vermelho.