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Trump cancela novos ataques ao Irã

Após dias de intensificação militar entre Estados Unidos e Irã, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (11) o cancelamento de novos ataques que estavam programados para ocorrer durante a noite. Saiba mais na TVT News.

Segundo Trump, a suspensão das operações ocorreu após negociações que teriam alcançado os mais altos níveis da liderança iraniana. O presidente afirmou que um possível acordo recebeu aval de diversos atores regionais, incluindo Israel e países árabes aliados dos Estados Unidos. Apesar do anúncio, o bloqueio naval imposto por Washington contra embarcações ligadas ao comércio de petróleo iraniano continuará em vigor até a conclusão das negociações.

A decisão ocorre após uma série de confrontos diretos. Nos últimos dias, forças estadunidenses realizaram ataques contra instalações de vigilância, sistemas de comunicação e posições de defesa aérea em cidades iranianas como Bandar Abbas, Sirik e na Ilha de Qeshm. Em resposta, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) lançou ofensivas contra bases militares dos EUA no Kuwait, Bahrein e Jordânia.

Entre os episódios mais graves da escalada está a destruição de reservatórios de água no sul do Irã por munições de precisão americanas, interrompendo o abastecimento para cerca de 20 mil civis em uma região marcada por altas temperaturas. No Bahrein, destroços de drones iranianos interceptados deixaram uma menina de 11 anos ferida e provocaram danos em áreas residenciais.

Ilha de Kharg virou alvo estratégico

Antes de anunciar a suspensão dos bombardeios, Trump havia elevado o tom contra Teerã ao ameaçar assumir o controle da Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã.

A possibilidade de uma operação militar contra a ilha foi considerada por integrantes do Pentágono como uma medida extrema devido aos riscos envolvidos. O local conta com sistemas defensivos reforçados, campos minados e forte presença militar iraniana, o que poderia resultar em elevadas baixas americanas.

Mesmo diante desses alertas, Trump chegou a declarar que seu objetivo era assumir o controle dos mercados de petróleo e gás iranianos, ampliando a pressão econômica sobre o regime de Teerã.

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Irã promete fechar o Estreito de Ormuz e ameaça mercado de petróleo

Outro fator de preocupação internacional é a decisão do Irã de declarar o fechamento total do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de energia. Antes do conflito, aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural comercializados globalmente passavam pela região.

Autoridades iranianas afirmaram que qualquer embarcação que tentar cruzar a passagem poderá ser alvo de ataques. Já o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) contesta a eficácia do bloqueio, alegando que navios comerciais ainda conseguem navegar pela área, embora em número muito menor do que antes da guerra.

A ameaça ao estreito aumentou a volatilidade dos mercados internacionais. O petróleo Brent registrou fortes oscilações desde o início da crise, chegando a atingir picos superiores a US$ 120 por barril em momentos de maior tensão. Analistas avaliam que uma interrupção efetiva do tráfego marítimo em Ormuz reduziria significativamente a oferta global de petróleo, pressionando os preços da energia, elevando custos de transporte e alimentando a inflação em diversos países.

Economia global sente os efeitos da guerra

Os reflexos econômicos da crise já são percebidos além do Oriente Médio. O Banco Central Europeu (BCE) elevou as taxas de juros pela primeira vez desde 2023, justificando a decisão pelo aumento da inflação impulsionado pelos custos de energia.

O preço do barril de petróleo permaneceu sob forte volatilidade ao longo da semana, enquanto governos e investidores monitoram os riscos de uma interrupção prolongada no fornecimento global de combustíveis.

Apesar das preocupações com a inflação, Trump minimizou os impactos econômicos internos da guerra e afirmou que os indicadores continuam positivos para os Estados Unidos.

Ceticismo sobre acordo mantém tensão elevada

Embora o anúncio do cancelamento dos ataques tenha sido recebido como um possível sinal de distensão, autoridades iranianas demonstraram desconfiança em relação às intenções de Washington.

Em Teerã, a estratégia americana continua baseada em pressão militar e econômica simultânea, resumida pela expressão “negociar sob bombas”. O governo iraniano também mantém a exigência de que qualquer entendimento futuro inclua mudanças na atuação de aliados dos Estados Unidos na região.

Com as operações militares ainda em andamento, o bloqueio naval mantido pelos EUA e a ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz, o conflito permanece em um momento decisivo. O sucesso ou fracasso das negociações poderá determinar se a região caminha para um acordo diplomático ou para uma nova escalada da guerra.

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