O acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, firmado nesta quarta-feira (17/06), virou alvo de críticas dentro do Partido Republicano. Após a divulgação dos 14 pontos do memorando de entendimento, parte dos parlamentares da base trumpista questionaram as concessões da Casa Branca.
As críticas surgem cinco meses antes das eleições parlamentares de meio de mandato. Os republicanos descontentes com o acordo criticam, entre outros pontos, a retirada gradual das sanções contra Teerã, a liberação de ativos iranianos congelados e o plano de reconstrução do país, estimado em US$ 300 bilhões.
Diante das críticas, o presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu. Durante a cúpula do G7, na França, ele chamou os detratores do acordo de “pessoas estúpidas e más”. Segundo ele, prosseguir com a guerra satisfaria “um grupo de 10% das pessoas”, mas seria a decisão errada.
Reportagem do New York Times aponta que para alguns parlamentares republicanos a tratativa recente é mais favorável ao Irã do que o acordo nuclear negociado pelo ex-presidente Barack Obama. Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump abandonou o tratado firmado pelo democrata.

Reprodução / Truth Social Trump
‘Reagan está se revirando no túmulo’
A crítica mais contundente, destaca o jornal norte-americano, partiu do senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana. Para ele, a guerra foi “o pior erro da política externa [dos Estados Unidos] em décadas”.
Além de as ambições nucleares iranianas não terem sido contidas, Teerã descobriu uma forma de usar o Estreito de Ormuz para obter concessões da comunidade internacional, afirmou o senador, ao acrescentar que “Reagan está se revirando no túmulo”.
Já o senador republicano Ted Cruz, do Texas, questionou o fundo de reconstrução destinado ao Irã: “isso significa dar US$ 300 bilhões ao aiatolá iraniano? Espero que não. Rezo para que não”. Ele, no entanto, elogiou o resultado do conflito, afirmando que Trump havia “destruído completamente as Forças Armadas iranianas”, o que Teerã nega.
O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, também foi crítico ao acordo. Em sua avaliação, ainda há “muito trabalho a ser feito” para convencê-lo “de que estamos no caminho certo”.
Aliadas do presidente norte-americano, a ex-deputada Marjorie Taylor Greene e a ex-embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, também criticaram o memorando. Greene classificou a guerra como “totalmente desnecessária” e ironizou o resultado nas redes sociais: “aparentemente, é assim que se parece uma vitória”.
Já Nikki Haley, que apoiou a ofensiva contra as instalações nucleares do Irã, disse ser “um enorme erro pagar para reconstruir a ameaça que acabamos de destruir”.
Defensores do acordo
Outra ala entre os parlamentares republicanos, como o senador Tim Scott, da Carolina do Sul, apoiam o acordo. Scott afirmou que Trump conquistou uma “grande vitória para a segurança norte-americana e a estabilidade global”.
Na mesma linha, o senador John Cornyn, do Texas, disse que o presidente norte-americano “deve ser parabenizado por reduzir a capacidade do Irã de travar uma guerra contra o Ocidente e Israel”, ponderando que o conflito está longe de estar definitivamente encerrado.
“Acho que isso é apenas um intervalo no conflito contínuo que existe desde 1979, e eu gostaria que nós, basicamente, os incapacitássemos, mas isso não foi possível”, afirmou.
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