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Trump cobra indenização do Irã e cria novo impasse nas negociações

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentou uma nova exigência às negociações com o Irã e tornou ainda mais distante um acordo para encerrar a guerra e normalizar a navegação pelo Estreito de Ormuz.

Nesta segunda-feira (10), Trump afirmou que Teerã deverá pagar indenizações por mortes e danos que atribui ao país ao longo dos últimos 50 anos. A cobrança não fazia parte das negociações anteriores e foi apresentada como resposta às condições impostas pelo governo iraniano para um acordo.

“Se há indenizações a serem pagas, acho que o Irã deveria pagar essas indenizações”, declarou Trump na Casa Branca.

A troca de exigências ocorre justamente quando o Irã afirmava que as conversas mediadas por Omã avançavam para um entendimento sobre Ormuz. O estreito, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo antes do conflito, permanece efetivamente bloqueado desde o início da guerra, em fevereiro.

O governo iraniano condiciona sua reabertura ao fim das sanções e das ameaças militares dos Estados Unidos, além do pagamento de compensações pelos danos provocados pela guerra. As reivindicações estão, em grande medida, alinhadas aos termos do acordo preliminar firmado entre Washington e Teerã em junho, posteriormente rompido.

Em publicação na Truth Social, afirmou que exigirá dinheiro do Irã pelas mortes de militares norte-americanos em diferentes conflitos no Oriente Médio, pelas “vítimas da repressão interna iraniana” e também pelos danos causados, segundo ele, no Líbano, Síria, Iêmen e Gaza.

“Agora também estou exigindo uma compensação do Irã por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente com suas bombas de beira de estrada e em muitos conflitos”, escreveu.

Entre os episódios citados por Trump está o atentado contra o destróier USS Cole, que matou 17 marinheiros norte-americanos no Iêmen, em outubro de 2000. O ataque, no entanto, foi cometido pela Al-Qaeda e não pelo Irã.

Trump também afirmou que Teerã deveria indenizar as famílias de “centenas de milhares de manifestantes inocentes” que, segundo ele, teriam sido mortos pelo governo iraniano nos últimos 50 anos e mencionou 52 mil mortos apenas nos últimos cinco meses. 

O número citado pelo presidente norte-americano supera amplamente as estimativas divulgadas por organizações sediadas no exterior e críticas ao governo iraniano. 

Negociação por Ormuz perde força

A inclusão das novas exigências ameaça aprofundar o impasse em torno de Ormuz justamente quando Teerã anunciava avanços nas conversas.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que as negociações com Omã estavam avançando de maneira “tranquila e construtiva”. 

Segundo ele, já havia entendimento sobre o mapa das rotas marítimas, restando questões técnicas.

O Irã também defende a cobrança por determinados serviços relacionados à navegação, entre eles segurança marítima, proteção ambiental e combate ao crime. Washington rejeita qualquer acordo que permita a Teerã cobrar pelo trânsito através do estreito.

Nem a ofensiva militar dos Estados Unidos conseguiu alterar esse cenário. Após meses de ataques, incluindo uma campanha de bombardeios de duas semanas em julho, Washington não conseguiu quebrar o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz.

Trump voltou a afirmar nesta segunda-feira que a Marinha norte-americana controla Ormuz e que o estreito estaria aberto. A situação no local, porém, contradiz a declaração: navios comerciais continuam enfrentando restrições para atravessar a região e o bloqueio mantém pressão sobre o mercado internacional de energia.

Guerra pesa sobre Trump

A escalada das exigências ocorre em um momento de crescente pressão interna sobre Trump para encontrar uma saída para a guerra.

Estados Unidos e Irã chegaram a estabelecer um cessar-fogo em junho. Em julho, porém, Washington voltou a impor um bloqueio à navegação iraniana, medida que Teerã classificou como violação da trégua. 

O Irã respondeu com ataques de mísseis e drones contra aliados dos Estados Unidos na região e manteve restrições ao tráfego marítimo por Ormuz.

Desde fevereiro, Trump alterna ameaças de novas ações militares com declarações de que um acordo estaria próximo. Até agora, porém, as sucessivas rodadas de negociação não produziram uma solução definitiva.

O prolongamento da guerra também começa a cobrar um preço político nos Estados Unidos. 

A alta do petróleo pressiona os preços dos combustíveis e a inflação a menos de três meses das eleições legislativas de novembro, quando os republicanos tentarão preservar sua força no Congresso.

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