O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou neste domingo (14/06) o governo de Israel por lançar um ataque à capital do Líbano no mesmo dia em que, segundo ele, um acordo de cessar-fogo com o Irã poderia finalmente ser assinado. Pela plataforma Truth Social, o republicano afirmou que o ataque israelense a Beirute “não deveria ter acontecido, especialmente em um dia especial em que estamos tão perto de um Acordo de Paz com o Irã”.
“Estamos muito próximos de um acordo que trará paz à região, inclusive ao Líbano, e todos os lados devem se retirar”, continuou. “Não deveriam haver mais ataques de Israel em qualquer lugar do Líbano, mas também não deveriam haver mais ataques de qualquer outra parte, incluindo o Hezbollah, contra Israel”.
Entre as exigências do Irã para o acordo de paz com os Estados Unidos, está a retirada total das tropas israelenses do território libanês, assim como a cessação de bombardeios realizados pelo regime sionista ao país. O Exército israelense retomou seus ataques contra o Líbano após o Hezbollah, movimento de resistência libanesa, ter se aliado à nação persa e respondido com ataques em represália à guerra iniciada por Washington e Tel Aviv, em 28 de fevereiro.
De acordo com a publicação de Trump, o tratado com o Irã, que está “mais próximo que nunca” nas palavras do país mediador Paquistão, “pode ser o começo de uma paz longa e bela”.

The White House
A declaração veio pouco depois do principal negociador do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmar que os ataques de Israel contra os subúrbios do sul de Beirute voltaram a colocar em dúvida a confiança dos Estados Unidos. Segundo ele, o bombardeio demonstra a incapacidade de Washington de “cumprir seus compromissos”, já que um acordo com Teerã estaria próximo de ser concluído.
“A incursão sionista em Dahiyeh mais uma vez mostrou que a América não tem vontade nem capacidade de cumprir seus compromissos. Ao dar luz verde ao regime, não se pode obter concessões. O jogo de ‘policial bom e policial mau’ está ultrapassado”, escreveu pela rede X.
Pelo menos três pessoas morreram e outras 16 ficaram feridas, segundo autoridades e veículos de imprensa locais, em um bombardeio no bairro de Al Ghobeiri, no subúrbio sul de Beirute, nas proximidades da Padaria Qalqass.
A equipe de Opera Mundi presenciou os impactos do ataque no trânsito da capital libanesa. De acordo com relatos iniciais, dois mísseis atingiram uma área densamente povoada.
“Enquanto eu estava limpando [a casa] e cozinhando, aconteceu o bombardeio. Acho que atingiram uma área a umas duas ou três quadras da minha casa. Foi um susto enorme, um pavor muito grande. As pessoas começaram a gritar. Meu marido entrou em desespero, e ficou dizendo: ‘Vamos, vamos, vamos!’, contou Romilda Salman, uma brasileira que reside no subúrbio sul de Beirute.
Somente no sábado (13/06), Israel matou 45 pessoas em território libanês ao longo de 24 horas. Conforme o Ministério da Saúde local, o número total de mortes decorrente da agressão israelense entre 2 de março e 14 de junho subiu para 3.783, com registro de 11.699 feridos.
O Irã já vinha alertando que qualquer ataque israelense aos subúrbios do sul de Beirute poderia resultar em lançamentos de mísseis contra Israel e contra interesses dos Estados Unidos na região.
(*) Colaborou Stefani Costa, enviada especial ao Líbano
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