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Trump diz que EUA podem iniciar ações terrestres contra Venezuela “em breve”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (27) que pretende iniciar operações terrestres contra a Venezuela “muito em breve”. Em conversa com militares, ele disse que a entrada por solo “é mais fácil” e voltou a usar acusações de narcotráfico — nunca comprovadas por Washington — para justificar a escalada que já levou à morte de dezenas de civis no Caribe.

É a primeira vez que Trump confirma publicamente a intenção de iniciar uma operação terrestre contra a Venezuela. Até então, a ofensiva norte-americana vinha se concentrando em ataques marítimos no Caribe e no Pacífico, que desde setembro resultaram na morte de 83 pessoas em ações classificadas por governos da região como execuções extrajudiciais.

Em sua mensagem de Ação de Graças, Trump afirmou que “não há muitos mais [traficantes e drogas] entrando por mar” e que as forças norte-americanas “começarão a detê-los por terra também”. 

Os EUA já realizaram ao menos 21 ataques contra embarcações desde o início da operação, resultando em 83 mortos. 

Líderes latino-americanos e especialistas em direitos humanos afirmam que a maioria das vítimas eram pescadores e que Washington jamais apresentou evidências que sustentem a narrativa de que os barcos atacados estavam ligados ao narcotráfico. 

A Al Jazeera e a Reuters destacaram que os bombardeios vêm sendo classificados como execuções extrajudiciais na região.

A mobilização militar norte-americana também aumentou significativamente. Os EUA deslocaram cerca de 15 mil soldados, além de um grupo de porta-aviões, caças furtivos, aeronaves F/A-18F Super Hornet e mais de uma dúzia de navios de guerra, poder de fogo que supera em muito o necessário para ações de combate ao tráfico.

Embora Trump anuncie o início de uma fase terrestre, autoridades norte-americanas informaram ao Congresso que não há base legal para ataques dentro da Venezuela. 

O parecer do Office of Legal Counsel (OLC) autoriza apenas operações contra embarcações suspeitas, e não incursões em território estrangeiro. Ainda assim, relatos de ação iminente se multiplicaram ao longo das últimas semanas, alimentados pela intensificação da presença militar e pelas declarações cada vez mais agressivas do presidente norte-americano.

Mortes de pescadores, críticas regionais e denúncias de execuções extrajudiciais

A narrativa antidrogas do governo dos Estados Unidos perdeu credibilidade à medida que governos latino-americanos passaram a divulgar dados sobre as vítimas dos ataques marítimos. 

Segundo reportagens da Al Jazeera, autoridades da região do Caribe afirmam que a maior parte das vítimas eram pescadores, e não integrantes de redes criminosas, como sustenta Washington. As críticas se intensificaram porque os Estados Unidos não apresentaram qualquer evidência que comprove o envolvimento das embarcações atacadas com o narcotráfico.

Reação de Maduro e defesa da soberania nacional

Em pronunciamento nacional, Nicolás Maduro afirmou que o país enfrenta ameaças externas há pelo menos 17 semanas e descreveu os argumentos norte-americanos como “falsos” e “extravagantes”. 

Segundo o presidente venezuelano, essas justificativas “não são críveis nem na opinião pública norte-americana, nem no mundo, muito menos na poderosa opinião pública venezuelana”.

Maduro declarou que o povo venezuelano está preparado para defender “pátria, solo, mares, céu, alma e história”, em referência à crescente concentração de forças estrangeiras no Caribe. 

O presidente afirmou ainda que nenhuma agressão externa surpreenderá a Venezuela, que, segundo ele, “se preparou com serenidade imperturbável” para enfrentar ações militares.

Caracas acusa Washington de usar o discurso antidrogas como pretexto para promover uma política de mudança de regime. 

Autoridades venezuelanas afirmam que a operação norte-americana viola a soberania nacional e amplia o risco de instabilidade regional, sobretudo porque envolve armamentos avançados que vão muito além do necessário para operações de combate ao narcotráfico.

Nesse contexto, o governo tem buscado reforçar alianças regionais e monitorar de perto os movimentos de tropas norte-americanas no entorno do país. Para Maduro, o atual momento exige vigilância permanente e mobilização popular diante da escalada militar promovida pelos Estados Unidos.

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