
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou nesta segunda-feira (20) o nível do conflito comercial com o Canadá ao anunciar tarifas adicionais de 50% sobre uma ampla gama de produtos canadenses.
A medida, formalizada com base na quase esquecida Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, representa uma clara escalada na guerra tarifária iniciada pelo próprio governo norte-americano.
Pela primeira vez, Washington utiliza esse instrumento legal quase centenário, que autoriza tarifas de até 50% em caso de alegação de discriminação contra o comércio americano, para atingir o país vizinho. As novas tarifas entram em vigor no dia 19 de agosto e atingem produtos que vão de vinho e equipamentos de hóquei a cimento e laticínios, mesmo aqueles cobertos pelo acordo de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA/CUSMA). Setores como energia, potássio, peixes e minerais críticos ficaram de fora das sanções.
A dinâmica do conflito revela que a nova ofensiva trumpista ocorre após uma sequência de pressões unilaterais. Em 2025, Trump impôs tarifas sobre o Canadá sob o pretexto de emergência relacionada ao fentanil e à segurança da fronteira, seguidas por medidas setoriais sobre aço, alumínio e automóveis. Como resposta política e econômica direta, o Canadá reagiu com tarifas retaliatórias e diversas províncias canadenses, como Ontario, Quebec e Colúmbia Britânica, decidiram retirar bebidas alcoólicas americanas das prateleiras a partir de março do mesmo ano.
Agora, a Casa Branca utiliza essas retaliações como justificativa para aprofundar a ofensiva. Os anúncios proclamados por Washington citam como pretexto o banimento provincial de bebidas alcoólicas dos Estados Unidos, as medidas canadenses sobre veículos americanos e o sistema canadense de gestão de oferta e cotas tarifárias de laticínios. Dessa forma, a administração norte-americana passa a tratar como discriminação original as consequências diretas das tarifas impostas previamente pelos próprios EUA.
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, acusou o Canadá de ser, ao lado da China, um dos únicos países a optarem por retaliar em vez de negociar.
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Canadá reage
A postura de Washington gerou reação imediata das autoridades canadenses. O primeiro-ministro Mark Carney classificou a medida como mais uma ação unilateral dos Estados Unidos em violação ao acordo comercial (USMCA/CUSMA), reafirmando em nota oficial que o Canadá apenas correspondeu às tarifas americanas e que está pronto para defender seus trabalhadores e sua economia, sem deixar de buscar negociações.
O premier de Ontário, Doug Ford, afirmou que, caso as tarifas entrem em vigor, o Canadá responderá tarifa por tarifa e dólar por dólar, sinalizando o risco de agravamento do ciclo de retaliações na América do Norte.
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