
O presidente norte-americano Donald Trump lançou na noite desta quinta-feira (16) uma nova ofensiva contra o sistema eleitoral dos Estados Unidos, intensificando os preparativos para um golpe nas eleições de meio de mandato em novembro.
Em pronunciamento exibido no horário nobre da televisão, o líder da extrema direita espalhou a mentira de que a China teria interferido na eleição de 2020, declarou que o sistema pode ser “fraudado e roubado” e exigiu mudanças capazes de restringir o direito ao voto e facilitar a exclusão de eleitores dos cadastros.
“Nunca mais podemos assistir a uma eleição roubada”, declarou Trump, embora os documentos divulgados pela própria Casa Branca não apresentem provas de fraude eleitoral nem evidências de manipulação de resultados.
O principal alvo da ofensiva é a aprovação do SAVE America Act, projeto defendido pela Casa Branca que exige comprovação documental de cidadania para o registro eleitoral, amplia exigências de identificação para votar e cria novos mecanismos para a remoção de eleitores das listas de votação.
Apesar da retórica alarmista de Trump, especialistas ouvidos pela emissora NBC lembram que o voto de não cidadãos já é ilegal nos Estados Unidos e que casos desse tipo são considerados raros pelas autoridades eleitorais.
Durante o pronunciamento, Trump pressionou o Congresso a aprovar a proposta e atacou os parlamentares que resistem à medida.
“A única razão para não aprovar essa lei é querer trapacear”, afirmou o presidente.
A declaração ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pelos republicanos para transformar o projeto em lei, já que a proposta não reúne apoio suficiente para superar os obstáculos regimentais do Senado.
“Peço a todos os americanos que peguem seus telefones amanhã, liguem para seus deputados e senadores e exijam a aprovação imediata do SAVE America Act”, discursou.
Críticos da medida alertam que as novas exigências podem atingir milhões de eleitores que não possuem passaporte, certidão de nascimento atualizada ou outros documentos exigidos para comprovar a cidadania.
Já as oganizações de defesa dos direitos civis argumentam que as restrições tendem a afetar de forma desproporcional trabalhadores pobres, idosos, minorias raciais e cidadãos naturalizados.
A preocupação aumenta porque aliados de Trump passaram a buscar formas de aprovar partes do projeto sem o apoio necessário no Senado.
Lideranças republicanas estudam incluir trechos do SAVE America Act em um pacote orçamentário, numa tentativa de contornar os mecanismos que hoje impedem a aprovação da proposta.
Mas a ofensiva encontra resistência inclusive dentro do partido republicano. O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, afirmou que as mudanças não poderiam ser implementadas antes das eleições de novembro e alertou para o risco de a campanha estar servindo para desacreditar o próprio processo eleitoral.
“Isso me faz perguntar se não estamos começando a minar a integridade das nossas eleições. Acho isso perigoso e errado”, declarou.
Ao longo de mais de uma hora, o presidente também acusou sem provas a China de interferir na eleição de 2020, atacou a imprensa, questionou a segurança das urnas e voltou a sugerir que eleições norte-americanas poderiam ser manipuladas.
Os documentos divulgados pela Casa Branca, porém, não apresentam evidências de alteração de votos ou de resultados eleitorais.
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