
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou na última sexta-feira (17) o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, em reunião na Casa Branca, a aceitar as condições de Vladimir Putin para encerrar a guerra na Ucrânia.
Segundo fontes diplomáticas à Reuters, o republicano defendeu um cessar-fogo imediato nas linhas atuais de frente e sugeriu que Kiev entregue toda a região de Donbas à Rússia, um dia depois de manter uma longa conversa telefônica com o líder do Kremlin.
A reunião foi descrita por interlocutores como “tensa” e “decepcionante”. Trump teria jogado de lado os mapas da linha de frente apresentados por Zelensky e insistido que “Putin vai destruí-lo se você não concordar agora”.
O ucraniano viajou a Washington para discutir o envio de mísseis Tomahawk e novos pacotes de defesa, mas saiu de mãos vazias. O presidente norte-americano recusou o pedido e declarou que “os dois lados devem parar na linha de batalha, ir para casa, parar de lutar e parar de matar pessoas”.
O encontro marcou uma inflexão na postura dos Estados Unidos. Em setembro, Trump afirmara acreditar que a Ucrânia poderia “recuperar todo o território perdido e até avançar mais”.
Na véspera, do encontro da última sexta-feira, no entanto, Trump manteve uma ligação de cerca de duas horas e meia com Vladimir Putin, em que ambos discutiram uma possível troca territorial e acertaram uma nova cúpula em Budapeste.
Segundo diplomatas europeus, o republicano pareceu “persuadido” de que o Kremlin estaria disposto a negociar a paz em troca do reconhecimento formal das ocupações em Donetsk e Luhansk.
Durante a reunião, Trump teria sido pouco receptivo às explicações de Zelensky sobre os riscos de entregar Donbas.
“Não há nada que possamos fazer para salvá-los. Tentem dar mais uma chance à diplomacia”, teria dito o norte-americano, segundo um funcionário europeu ouvido pelo Washington Post.
Outro diplomata descreveu o encontro como “uma bagunça”, afirmando que o presidente dos EUA “falou sem parar sobre não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz”.
Em resposta, Zelensky iniciou uma ofensiva diplomática junto aos parceiros europeus. No fim de semana, afirmou que é “muito importante que a Europa mantenha uma posição unificada com Kiev” e convocou nova reunião da chamada “coalizão dos dispostos” para coordenar a reação ao plano americano.
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, declarou que “nenhum de nós deve pressionar Zelensky em relação a concessões territoriais”, e que “a solidariedade da Europa com a Ucrânia é hoje mais importante do que nunca”.
Nos bastidores, líderes da União Europeia preparam uma cúpula para discutir alternativas financeiras e militares, incluindo o uso de ativos russos congelados como forma de compensação à Ucrânia.
O tema ganhou força após o fracasso da missão ucraniana em Washington, que terminou sem acordos sobre defesa, energia ou financiamento.
A mudança de rumo em Washington preocupa aliados e favorece Moscou. Ao propor o congelamento do conflito, Trump reforça o discurso russo de que “a guerra pode terminar rapidamente se Kiev aceitar a nova realidade territorial”.
Para o Kremlin, a posição americana equivale a um reconhecimento tácito dos avanços militares russos.
O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que “a ideia de parar nas linhas atuais tem sido levantada repetidamente” nas conversas com os EUA e que “a posição da Rússia permanece inalterada”.
Analistas avaliam que Trump tenta projetar-se como “pacificador global” após intermediar o cessar-fogo em Gaza, mas a iniciativa é vista em Kiev como capitulação.
O episódio evidencia o isolamento diplomático de Kiev e o enfraquecimento da coesão ocidental diante da guerra.
Para a Europa, o impasse norte-americano reabre o debate sobre autonomia estratégica e pressiona o bloco a manter sozinho o apoio militar e financeiro à resistência ucraniana. O resultado, até aqui, é que Trump aparece mais próximo de Putin do que dos aliados da OTAN — e Zelensky, mais isolado do que em qualquer outro momento desde o início da invasão.
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