
Donald Trump encontrou uma nova maneira de usar a Presidência dos Estados Unidos para aumentar a fortuna de sua família. A Trump Media & Technology Group (TMTG), controladora da rede Truth Social, propôs cobrar de bancos, fundos de hedge e operadores de Wall Street até US$100 mil por mês pelo acesso mais rápido às publicações do presidente.
Batizado de Truth API, o serviço entregará em tempo real as postagens das dez contas consideradas mais influentes da plataforma, entre elas as de Trump e de seus filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump.
A empresa também oferece uma mensalidade reduzida de US$60 mil para clientes que assinarem contratos de três anos. O lançamento comercial está previsto para 1º de agosto.
Na prática, a empresa vai transformar anúncios presidenciais e informações sobre políticas do governo em um produto.
As publicações de Trump sobre tarifas, sanções, guerras e decisões econômicas frequentemente provocam oscilações imediatas nas bolsas, nas moedas e nos preços de matérias-primas.
Para empresas de negociação de alta frequência, receber uma informação alguns milissegundos antes dos demais investidores pode render centenas de milhares de dólares. Em abril de 2025, por exemplo, os índices de Wall Street dispararam depois que Trump anunciou pela Truth Social a suspensão temporária de parte das tarifas impostas por seu governo.
O novo negócio também poderá enriquecer diretamente o próprio presidente. O Donald J. Trump Revocable Trust detém 114,75 milhões de ações da TMTG, cerca de 41% dos papéis da empresa. Embora o fundo seja administrado por Donald Trump Jr., documentos regulatórios identificam Trump como instituidor e único beneficiário atual do patrimônio.
A iniciativa provocou críticas de parlamentares e entidades de fiscalização. A senadora Elizabeth Warren classificou o serviço como “um esquema flagrante para lucrar com a Presidência e enriquecer Wall Street”.
Já o senador Ron Wyden afirmou que o produto beneficiará financeiramente a família Trump e os grandes operadores do mercado.
Donald Sherman, presidente da organização Citizens for Responsibility and Ethics in Washington, considerou o anúncio “amplamente antiético”. Para ele, o presidente poderá se beneficiar financeiramente da venda de acesso privilegiado a mensagens produzidas justamente por sua posição no comando do governo.
A operação expõe mais uma vez a fusão entre os negócios privados da família Trump e o poder do Estado norte-americano.
Políticas capazes de afetar milhões de trabalhadores, empresas e países passam a servir também como matéria-prima para uma empresa particular cobrar fortunas de especuladores interessados em lucrar antes do restante do mercado.
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