
O Brasil encerrou 2025 como um dos grandes destaques do turismo internacional. Mais de 9 milhões de visitantes estrangeiros passaram pelo país ao longo do ano, um crescimento expressivo em relação a 2024 e acima das previsões iniciais do setor. Para o professor Luiz Gonzaga Godói Trigo, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP), o resultado é fruto de uma combinação rara de fatores econômicos, culturais e institucionais.
Argentinos puxam crescimento histórico
Um dos principais motores do salto no turismo internacional foi a forte entrada de argentinos. Segundo Trigo, a crise econômica no país vizinho provocou um movimento “pendular” já conhecido na história regional.
“Dos cerca de 8 milhões de visitantes estrangeiros, 3 milhões são argentinos, um aumento de 87%”, explica ele, em entrevista à Rádio USP. O Brasil ficou relativamente mais barato, estimulando viagens em massa. Chilenos também cresceram cerca de 20%, além de avanços entre uruguaios e norte-americanos, estes últimos com alta de 7%.
Eventos e câmbio colocam o Brasil no radar global
O câmbio favorável, aliado à intensa divulgação internacional e à retomada dos grandes eventos culturais e esportivos, recolocou o Brasil no mapa das viagens imperdíveis de 2025. Shows de artistas internacionais, como Madonna e Lady Gaga, tiveram papel central na projeção da imagem do país.
“O Rio de Janeiro pontuou muito com as grandes festas. Esses eventos projetaram uma imagem positiva do Brasil, apesar dos problemas urbanos”, avalia Trigo. O impacto econômico do show de Lady Gaga em Copacabana, por exemplo, foi estimado em cerca de R$ 600 milhões.
Rio e São Paulo lideram destinos
Rio de Janeiro e São Paulo consolidaram-se como os destinos mais procurados por turistas estrangeiros, com alta ocupação hoteleira e grande demanda por passeios culturais e de negócios. As praias do Nordeste seguem como cartão-postal preferido, especialmente entre europeus, enquanto cresce o interesse pelo turismo de natureza na Amazônia e no Pantanal.
“O Nordeste poderia atrair ainda mais europeus, mas a Europa também concentra muito do turismo interno do próprio continente”, explica o professor, lembrando que a distância ainda pesa na decisão de viagem.
Na comparação internacional, Trigo destaca a Europa como principal referência em turismo receptivo. O diferencial está na infraestrutura integrada: ferrovias, rodovias, hidrovias, transporte aéreo e até ciclovias, que facilitam deslocamentos rápidos e baratos.
“Essa malha múltipla explica por que a Europa é a maior emissora e receptora de turistas do mundo”, observa.
O que o Brasil ainda precisa melhorar
Para competir de forma mais consistente com os grandes destinos globais, o Brasil precisa avançar em pontos estruturais. Entre eles, Trigo aponta maior divulgação qualificada, redução da burocracia, ampliação da segurança e transporte público eficiente e acessível ao turista.
“Sites amigáveis, informação facilitada, menos burocracia e transporte público que funcione fazem toda a diferença. O turista paga, desde que o serviço seja eficiente”, afirma. Rio e São Paulo aparecem como exceções positivas nesse aspecto.
Impacto econômico e social do turismo
Os números refletem efeitos diretos na economia. Entre janeiro e novembro, turistas internacionais movimentaram mais de US$ 7 bilhões, impulsionando hotelaria, gastronomia, transporte e serviços. O setor também gerou saldo positivo de empregos formais e ampliou o número de empreendimentos cadastrados no Cadastur.
Para o Ministério do Turismo, o momento é histórico. “O turismo tem que ser do povo, pelo povo e para o povo”, afirmou o ministro Gustavo Feliciano, defendendo acesso democrático aos destinos e geração de emprego e renda.
Perspectivas positivas para 2026
Com alta temporada aquecida, mais voos programados e o legado de grandes eventos internacionais, a expectativa do setor é manter o ritmo em 2026. Para especialistas, o desafio agora é transformar o recorde em política permanente, consolidando o Brasil como destino competitivo, inclusivo e sustentável no cenário global.
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