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UBM abre congresso com defesa da democracia e foco nas eleições de 2026

O primeiro dia do 12º Congresso Nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), realizado neste sábado (27), transformou a abertura política do encontro em um amplo debate sobre democracia, participação das mulheres nas eleições de 2026 e fortalecimento das políticas públicas. Durante toda a manhã, lideranças feministas, representantes do governo federal, parlamentares e organizações da sociedade civil defenderam maior presença feminina nos espaços de poder e a continuidade da agenda de direitos das mulheres.

Com o tema “Pra ser feliz eu vou à luta!”, o congresso reúne delegadas de diversos estados para definir as diretrizes políticas da entidade para os próximos três anos e eleger sua nova coordenação nacional. Na manhã deste sábado, a programação foi marcada por um painel sobre o tema central do encontro e por um ato político dedicado ao debate sobre o papel das mulheres na disputa eleitoral e na defesa de um projeto de Brasil democrático, soberano e popular.

Presidenta da UBM aponta eleições de 2026 como desafio estratégico

Ao abrir o 12º Congresso Nacional da UBM, a presidenta da entidade, Vanja Andrea, afirmou que o encontro consolida o processo de mobilização realizado em todo o país e marcará a atuação da organização nos próximos anos. “Nós estamos aqui fazendo história.”

Para ela, o documento político que será debatido pelas delegadas servirá de base para a atuação da UBM no próximo triênio e para a intervenção da entidade no processo eleitoral de 2026. “Esse documento vai nos guiar para os próximos três anos e também para o processo eleitoral.”

Vanja classificou as próximas eleições como um momento decisivo para o país e reforçou a necessidade de ampliar a organização das mulheres. “Esse é um ano de decisão. É o ano das nossas vidas.”

A presidenta também celebrou o crescimento da entidade fe ressaltou que o congresso contribuirá para a construção do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. “Conseguimos crescer e agora nosso desafio é chegar a 40 mil filiadas”, projeta.

Democracia e eleições no centro do debate

O ato político “O papel central das mulheres na disputa eleitoral e na defesa de um Brasil democrático, soberano e popular”, reuniu representantes de ministérios, parlamentares e movimentos sociais. Entre os participantes estavam representantes do Ministério das Mulheres, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), Conselho Nacional de Saúde, CTB, Marcha Mundial das Mulheres, Católicas pelo Direito de Decidir, Conselho Nacional dos Direitos Humanos, além do deputado federal Orlando Silva.

Nádia Campeão defende unidade democrática

A presidenta nacional do PCdoB, Nádia Campeão, fez uma análise da conjuntura nacional e internacional e defendeu a organização das mulheres como eixo central da defesa da democracia nas eleições de 2026. Para a dirigente, o mundo atravessa uma transição marcada pela crise estrutural do capitalismo, pelo avanço da extrema direita e pela reorganização da ordem mundial. “Vivemos uma transição histórica da hegemonia e uma crise estrutural do capitalismo.”

Ao comentar os conflitos internacionais, destacou que mulheres e crianças seguem entre as principais vítimas das guerras e manifestou solidariedade ao povo palestino. Para Nádia, a defesa da democracia é condição para ampliar os direitos das mulheres. “As conquistas das mulheres sempre aconteceram em momentos de democracia.”

Ao defender o feminismo emancipacionista, afirmou que a transformação social exige organização política. “Não basta ser mulher. É preciso compromisso com um projeto de transformação social.”

Ela também defendeu maior presença feminina nos espaços institucionais. “Precisamos eleger uma grande bancada feminista.” Ao concluir, sintetizou a orientação política defendida pela entidade. “Nossa luta é anticapitalista, antimachista e antirracista.”

Agenda 2030 e desenvolvimento sustentável

Também participou da mesa Lavito Person Motta Bacarissa, secretário-executivo da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ele afirmou que igualdade de gênero e desenvolvimento sustentável são agendas inseparáveis. “Não há desenvolvimento sustentável sem promoção da igualdade de gênero.”

Segundo Lavito, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) representam uma agenda baseada na defesa dos direitos humanos, da democracia, da ciência e da participação social. Ele também destacou a forte participação das organizações feministas na construção da Conferência Nacional dos ODS e defendeu um modelo de desenvolvimento “socialmente justo, ecologicamente responsável e economicamente viável”.

Políticas públicas e economia do cuidado

Representando o Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política, destacou a criação e o fortalecimento do Sistema Nacional de Políticas para as Mulheres e defendeu maior articulação entre União, estados e municípios.

Segundo ela, o enfrentamento à violência contra as mulheres depende da atuação integrada dos três Poderes e de diferentes áreas da administração pública. “O Ministério das Mulheres não trabalha sozinho.” Sandra afirmou ainda que a política do cuidado deve ocupar posição central na agenda pública. “O cuidado está no centro da autonomia econômica”, constata.

A secretária também apresentou iniciativas voltadas ao atendimento de mulheres em situação de violência, incluindo atendimento psicológico remoto, reconstrução dentária e ampliação do acesso ao crédito.

Ciência, saúde e participação social

A representante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Germana Pires, destacou programas destinados a ampliar a presença feminina na produção científica e afirmou que políticas específicas têm buscado reduzir desigualdades históricas enfrentadas por pesquisadoras.

Já Fernanda Magano, do Conselho Nacional de Saúde, convidou as participantes a integrarem a construção da 18ª Conferência Nacional de Saúde e reforçou que a participação popular é um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS).

O deputado federal Orlando Silva também participou da abertura política e defendeu a construção de uma ampla frente democrática para enfrentar o avanço da extrema direita, reforçando a necessidade de ampliar a representação das mulheres na política institucional.

Congresso continua neste domingo

Ao longo do sábado, as delegadas participam de grupos de trabalho sobre democracia, economia do cuidado, autonomia econômica, enfrentamento à violência contra as mulheres, ciência, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.

A programação será encerrada no domingo (28), com a aprovação das resoluções políticas do congresso, alterações estatutárias e a eleição da nova coordenação nacional da União Brasileira de Mulheres para o triênio 2026-2029.

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