Em cerimônia realizada nesta segunda-feira (25/05), o governo da Ucrânia realizou o sepultamento com honras de Estado do líder ultranacionalista Andrii Melnyk, conhecido por seu controverso passado como colaborador do regime nazista da Alemanha.
A celebração a Melnyk e também à sua esposa, Sofia Fedak-Melnyk foi encabeçada pelo próprio presidente Volodymyr Zelensky, cujo discurso omitiu a atuação do homenageado em favor das forças alemãs comandadas por Adolf Hitler.
“Hoje vemos todos que a ideia ucraniana pode superar o que antes parecia absolutamente intransponível”, disse Zelensky, durante a cerimônia de Estado.
Em seguida, o mandatário ressaltou que “agora, sobre solo ucraniano, sob a nossa bandeira, ao som do hino nacional, podemos prestar a devida homenagem aos nossos heróis e sentirmos no coração tudo o que eles foram obrigados a atravessar, tudo o que o nosso povo teve de suportar”.
Colaboração com o nazismo
Melnyk nasceu em 1890, em uma aldeia perto da cidade de Drohobych, que na época pertencia ao Império Austro-Húngaro.
Em 1920, aos 30 anos, ele foi um dos fundadores da Organização Militar Ucraniana, que anos depois daria origem à Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), que defendia a independência da Ucrânia com relação à União Soviética.
Em meados dos anos 1930, a OUN passou a colaborar com a Alemanha nazista, acreditando que tal estratégia levaria a um apoio de Berlim à independência ucraniana – no entanto, não há registro oficial de que o governo alemão tenha apoiado a independência ucraniana à época.
Nesse período, os nacionalistas ucranianos lutaram junto ao exército nazista na tentativa de conquistar partes do território da União Soviética.

Presidência da Ucrânia
Muitos dos membros da OUN formaram parte de divisões das forças que lutavam em favor da Alemanha e chegarma a participar de massacres de judeus e polacos perpetrados por nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial.
No início dos anos 1940, com a divisão interna da OUN, Melnyk passou a liderar o grupo dissidente OUN-M, ou OUN melnykista.
O outro grupo remanscente era a OUN-B, ou OUN banderista, em referência a outro líder ultranacionalista, Stepan Bandera – que também foi colaborador do regime nazista.
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