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UE propõe suspender livre comércio com Israel e impor sanções a ministros

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira (17) proposta para suspender parcialmente o acordo de livre comércio com Israel e impor sanções a dois ministros de extrema direita do governo Benjamin Netanyahu, em reação ao agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Se aprovada, a medida retira o acesso preferencial de Israel ao mercado europeu, impondo tarifas equivalentes às cobradas de países sem tratado comercial com o bloco. 

As tarifas afetariam cerca de €5,8 bilhões em exportações — 37% do total enviado à União Europeia em 2024 — e gerariam custos adicionais estimados em até €227 milhões.

Além das tarifas, a proposta prevê congelar benefícios relacionados a licitações públicas e à proteção de propriedade intelectual, suspender 6 milhões de euros em apoio financeiro direto anual a Israel e cortar 14 milhões euros destinados a projetos no âmbito dos Acordos de Abraão. 

Ficariam preservados os recursos voltados ao memorial do Holocausto Yad Vashem e a iniciativas de paz.

“Os eventos horríveis que acontecem em Gaza diariamente precisam parar. É necessário um cessar-fogo imediato, acesso irrestrito à ajuda humanitária e a libertação de todos os reféns mantidos pelo Hamas”, disse a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.

“O que está acontecendo em Gaza abalou a consciência do mundo. Pessoas mortas enquanto imploravam por comida. Mães segurando bebês sem vida. A fome provocada pelo homem nunca pode ser uma arma de guerra. Em nome das crianças, em nome da humanidade. Isso precisa parar”, afirmou.

A principal diplomata do bloco, Kaja Kallas, destacou que a intenção não é penalizar a população israelense, mas pressionar o governo Netanyahu.

“Quero ser muito clara. O objetivo não é punir Israel. O objetivo é melhorar a situação humanitária em Gaza”, disse em Bruxelas. “É por isso que as propostas que estamos fazendo não tocam nem afetam realmente as pessoas, mas colocam pressão sobre o governo israelense para mudar de rumo.”

A UE é o maior parceiro comercial de Israel, responsável por 32% do intercâmbio global de bens. 

Em 2024, o comércio bilateral alcançou 42,6 bilhões de euros, incluindo 15,9 bilhões de euros em importações israelenses. O acordo de associação, formalizado em 2000, sustenta uma relação comercial estimada em 68 bilhões euros e cooperação em áreas como pesquisa, meio ambiente e energia.

A adoção das medidas depende do Conselho da União Europeia. Para a suspensão comercial, é necessária maioria qualificada — 15 dos 27 Estados-membros representando 65% da população. 

As sanções a ministros e líderes do Hamas, por sua vez, requerem unanimidade. Alemanha e Itália são consideradas decisivas para o alcance da maioria, enquanto a Hungria já bloqueou iniciativas contra colonos israelenses.

“Embora vejamos que a opinião pública nos Estados-membros está realmente mudando por causa do sofrimento em Gaza, em nível político, acho que as linhas políticas estão basicamente no mesmo lugar em que estiveram até agora”, avaliou Kallas.

Segundo o comissário de Comércio, Maroš Šefčovič, as tarifas propostas equivalem às cobradas de países sem acordo com o bloco.

“Lamentamos ter de tomar esta medida. No entanto, acreditamos que ela é apropriada e proporcional, dada a atual crise humanitária em Gaza”, disse.

A ofensiva israelense em Gaza já deixou quase 65 mil mortos desde outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel, matando 1.200 pessoas e sequestrando 250 reféns. A ONU afirma que mais de 1.000 palestinos foram mortos em pontos de distribuição de alimentos, em sua maioria por disparos israelenses.

Von der Leyen anunciou a iniciativa poucos dias antes da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde o presidente francês, Emmanuel Macron, deve intensificar esforços para ampliar o reconhecimento do Estado da Palestina. Espanha e Eslovênia já sinalizaram apoio à proibição de entrada de ministros extremistas em seus territórios.

Questionada sobre iniciativas culturais, como boicotar Israel no Eurovision, Kallas afastou essa possibilidade.

“Todas essas medidas que vão na direção de punir o povo israelense, acho que estão erradas e não estamos realmente propondo isso”, afirmou.

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