
Uma nova tentativa de interromper a guerra entre Estados Unidos e Irã começou a ganhar corpo nesta semana. Mediadores liderados por Catar e Paquistão intensificaram os contatos entre Washington e Teerã e apresentaram uma proposta de cessar-fogo de dez dias para criar condições de retomar o memorando de entendimento firmado entre os dois países no mês passado.
Embora nenhum dos governos tenha aceitado formalmente o plano, ambos fizeram declarações que mantêm aberta a via diplomática.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, confirmou na segunda-feira (20) que Teerã recebeu novas propostas dos mediadores para encerrar o confronto, mas evitou comentar seu conteúdo.
Também na segunda, o ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, viajou ao Paquistão levando uma mensagem do presidente Masoud Pezeshkian, em uma iniciativa de mediação conduzida por Islamabad e Doha.
Segundo a imprensa regional, o enviado iraniano também se reuniu com o chefe do Exército paquistanês, marechal Asim Munir.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, voltou a defender o memorando de entendimento firmado com Washington e rejeitou críticas de setores conservadores que acusam o governo de fazer concessões aos Estados Unidos.
Segundo ele, o acordo trouxe “ganhos significativos” ao Irã e não contém cláusulas que beneficiem unilateralmente Washington.
Do lado norte-americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, reiterou nesta quarta-feira (22) que os Estados Unidos continuam dispostos a negociar uma saída para a crise.
“Se eles estiverem falando sério, nós também estaremos”, afirmou, embora tenha acusado Teerã de ainda não demonstrar compromisso suficiente com as negociações.
Segundo a Reuters, os mediadores propuseram uma trégua de dez dias para permitir negociações sobre o estreito de Ormuz e tentar recuperar o memorando que entrou em colapso após a retomada dos confrontos.
O plano prevê a reabertura das rotas marítimas e a criação de um espaço para discutir um acordo mais duradouro.
Outras publicações internacionais acrescentam que a proposta inclui mecanismos para garantir a liberdade de navegação em Ormuz durante o período de cessar-fogo. Há, entretanto, versões divergentes sobre a origem da iniciativa: enquanto a Reuters atribui a proposta aos mediadores, o Jerusalem Post afirma que ela partiu do próprio governo iraniano antes de ser levada a Washington por Catar, Paquistão, Omã e Egito.
Apesar da movimentação diplomática, a guerra continua. Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de bombardeios contra alvos iranianos, enquanto Teerã manteve ataques contra instalações militares norte-americanas e reafirmou que continuará respondendo à ofensiva iniciada por Washington e Israel.
A avaliação entre diplomatas envolvidos na mediação é que os próximos dias serão decisivos para saber se a atual iniciativa conseguirá interromper a escalada militar ou se o conflito caminhará para uma nova fase de intensificação.
O post Uma proposta de cessar-fogo está na mesa; Irã e EUA sinalizam aceitá-la apareceu primeiro em Vermelho.