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Universidade dos EUA faz imersão em assentamentos do MST em Sergipe

Foto: MST em Sergipe

Por Díjna Torres/MST em Sergipe
Da Página do MST

Fotos das entrevistadas: Miguel Arcanjo, MST em Sergipe

Entre os dias 01 e 10 de junho, estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade do Novo México (UNM), nos Estados Unidos, participaram de uma experiência de formação e intercâmbio promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O Estágio de Vivência proporcionou uma imersão na realidade dos assentamentos da Reforma Agrária em Sergipe, aproximando os participantes das práticas produtivas, da organização comunitária e das experiências de resistência construídas nos territórios.

Ao todo, participaram da atividade 22 estudantes, sendo 16 da Universidade do Novo México e os demais da UFS. Durante a programação, os jovens foram acolhidos por famílias assentadas e distribuídos em diferentes comunidades rurais do estado para acompanhar o cotidiano das famílias, conhecer sistemas produtivos e participar de atividades formativas.

No assentamento Moacyr Wanderley (Quissamã), em Nossa Senhora do Socorro, os estudantes participaram de oficinas de produção de queijo artesanal, visitaram quintais produtivos de ervas medicinais, conheceram experiências de piscicultura e dialogaram com moradores sobre a história da comunidade. A programação também incluiu visitas ao assentamento Emília Maria, em São Cristóvão, e ao Centro Histórico do município, além de atividades de plantio de árvores e visitas a áreas produtivas.

Foto: MST em Sergipe

A experiência se estendeu por diversas regiões do estado. Os participantes estiveram em Santana do São Francisco, Porto da Folha, Gararu, Canindé de São Francisco, Poço Redondo e Nossa Senhora da Glória, onde conheceram assentamentos, sistemas agroecológicos de produção, iniciativas comunitárias e processos de organização popular. Entre as atividades desenvolvidas estiveram encontros com o coletivo da juventude do MST, visitas à comunidade quilombola Mucambo, ao povo indígena Fulkaxó, em Pacatuba, e ao assentamento Jacaré-Curituba, onde realizaram uma trilha pela Rota do Cangaço.

Os estudantes também participaram de assembleias comunitárias, conheceram o programa de rádio do MST e vivenciaram o cotidiano de famílias assentadas nos assentamentos Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora Aparecida, Adão Preto e José Emídio. Segundo Rosa Oliveira, do Setor de Educação do MST em Sergipe, a proposta do estágio é promover uma aprendizagem baseada na convivência direta com as comunidades.

“Estamos com 22 estudantes, sendo 16 do Novo México e os demais da UFS. São jovens de cursos variados que começaram essa vivência ainda no início do semestre no Brasil. Eles passaram um período em Goiás e, nesta semana, vieram para Sergipe. Os estudantes estão distribuídos em diferentes assentamentos e tiveram uma vivência de seis dias com as famílias assentadas, com foco na produção agroecológica, na organização das mulheres, na organização popular e na organização produtiva. Esse é o objetivo do processo de aprendizagem do estágio”, explica.

A antropóloga Solana Zandonai, doutoranda da Universidade de Brasília (UnB) e integrante de um projeto desenvolvido em parceria com o Incra, acompanhou o grupo durante a experiência. Para ela, a vivência nos territórios representa uma oportunidade singular de aprendizado. “Eu trabalho em um projeto com o Incra e estou recebendo os estudantes internacionais e acompanhando esse grupo durante a visita. Essa é a primeira vez que venho ao Nordeste para participar dessa experiência e tem sido incrível. Estar junto ao MST e aos movimentos sociais do campo sempre proporciona muito aprendizado. Seja para quem está vivendo essa experiência pela primeira vez ou para quem já atua com essas pautas, conhecer os territórios e as comunidades é sempre algo muito rico”, afirma.

Esther e Solana. Foto: Miguel Arcanjo

Entre os estudantes estrangeiros, a experiência também foi marcada por descobertas e reflexões. A mestranda em Estudos Latino-Americanos da Universidade do Novo México, Esther Hewitt, destacou o acolhimento das famílias e o aprendizado construído ao longo da convivência. “Eu diria que essa experiência tem sido verdadeiramente transformadora. As pessoas aqui foram incríveis. Fiquei hospedada com uma família no assentamento Emília Maria e pude observar como a comunidade se organiza coletivamente e cuida de si mesma. Também fomos acolhidos de forma muito generosa. Aprendemos sobre agroecologia, sobre o cultivo de diferentes plantas em conjunto e sobre formas de cuidar da terra e das pessoas. O principal aprendizado que levo comigo é essa ideia de resistência e resiliência construída por meio da ação coletiva e do cuidado coletivo. Espero levar essa experiência para minha comunidade e para o Novo México”, relata.

Esther Hewitt. Foto Miguel Arcanjo

Ao promover o encontro entre estudantes brasileiros e norte-americanos, o Estágio de Vivência reafirma a importância da educação popular, da troca intercultural e do contato direto com as experiências de organização social construídas nos territórios da Reforma Agrária. Os participantes tiveram a oportunidade de compreender as relações comunitárias, os processos de resistência e as formas de cuidado que sustentam a vida no campo.

*Editado por Fernanda Alcântara

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