A Universidade de São Paulo (USP) desmentiu que Samuel Feldberg seja um de seus professores, diferentemente do que o próprio afirma em seu currículo Lattes e em suas redes sociais. O diretor acadêmico da ONG sionista StandWithUs Brasil recentemente defendeu que Israel garanta que a participação do ativista brasileiro Thiago Ávila em flotilhas para levar ajuda a Gaza seja “a última”.
Ávila foi capturado ilegalmente por Israel em águas internacionais no dia 29 de abril e está preso sob condições que violam os direitos humanos. Apesar do ultraje internacional com sua detenção, o brasileiro enfrenta ainda a perspectiva de responder judicialmente por ligações com grupos terroristas, acusação veementemente negada por sua defesa.
Na quinta-feira (07/05), a USP divulgou nota na qual diz que “em resposta a reclamações recebidas pela Ouvidoria institucional, a direção da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), depois de consulta com a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades, esclarece que o professor Samuel Feldberg nunca integrou o quadro de docentes desta Faculdade, e que seu vínculo como colaborador com esse programa de pós-graduação foi encerrado em 2017”.
“Também informa que acaba de solicitar ao referido docente que corrija, nas suas redes sociais e no seu currículo na Plataforma Lattes, informações que permitam inferir uma continuidade atual desse vínculo.”
Feldberg disse no podcast Levante que, caso fosse Israel, se asseguraria de que o ativista brasileiro não se engajasse novamente nos esforços para furar por mar o bloqueio israelense e levar ajuda humanitária ao território palestino.
“Eu tenho a sensação de que a ação israelense é extremamente benevolente. Se eu fosse o responsável por essa ação, eu garantiria que, na próxima vez que uma flotilha como essa partisse de qualquer lugar em direção a Israel, ela seria a última.”
A afirmação arrancou risos dos outros dois participantes do podcast, Caio Blinder e Felipe Moura Brasil, que rotularam Ávila como “marketeiro da flotilha” e brincaram que Feldberg seria o “general linha dura”.
O ocorrido gerou protestos da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal). Seu presidente, Ualid Rabah, afirmou por meio de nota que a fala de Feldbeg indica que, caso tivesse o poder, “estenderia a eles [os ativistas humanitários da Flotilha Global Sumud], entre os quais o brasileiro Thiago Ávila, a pena de morte, recentemente instituída por este regime [o sionista] para alegados e farsescos crimes de ‘terrorismo’, aplicáveis exclusivamente a não-judeus, isto é, aos palestinos sob ocupação em luta nacional por autodeterminação”.
“Caso não esteja se referindo à aplicação da pena capital àqueles não-judeus que se solidarizam com a Palestina, o racista Feldberg está, no mínimo, defendendo ataque mortal a esta flotilha — em suas palavras, o regime de ‘israel’ foi ‘benevolente’ ao apenas sequestrar os ativistas humanitários e submetê-los à tortura em suas masmorras — e às eventualmente vindouras.”

Reprodução/Facebook
Em matéria publicada pelo Diário do Centro do Mundo, a jornalista e advogada Sara Vivacqua defende que “Feldberg deveria ser investigado segundo a legislação brasileira. A StandWithUs se apresenta como uma ‘instituição educacional’ voltada ao combate ao antissemitismo e à defesa de Israel. No entanto, a entidade buscaria interferir na atividade legislativa no Congresso Nacional brasileiro por meio de pressão direta sobre parlamentares do campo progressista.”
Vivacqua, conhecida por sua atuação na campanha pela libertação de Julian Assange em Londres, ressalta que “embora o enquadramento da fala de Feldberg nesse tipo exija análise mais rigorosa de intenção, contexto e destinatários, a afirmação de que se deveria garantir que uma próxima flotilha ‘fosse a última’, dirigida a ativistas humanitários em contexto de violência estatal e acusações internacionais contra Israel, justifica investigação sobre eventual incitação à violência extrema.”
O post USP desmente ligação com diretor de ONG sionista que defendeu endurecimento de tratamento israelense a Thiago Ávila apareceu primeiro em Opera Mundi.