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Vaias ao governo Melo encerram encontro que antecede volta às aulas na rede municipal

Mais de 8,5 mil professores participaram das Jornadas Pedagógicas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, realizadas pela Secretaria Municipal da Educação (Smed) no Auditório Araújo Vianna. O evento foi dividido entre a quinta-feira (13) e esta sexta (14), quando professores se manifestaram com vaias e gritos de ‘fora Melo’ durante a fala do secretário de educação, Leonardo Pascoal. O ano letivo nas escolas municipais começa na próxima segunda-feira (17).

Diretor do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Assis Olegário aponta diversos motivos para as vaias. Um deles é a perda salarial de mais de 31% acumuladas pela categoria, pontuando que a negociação da data-base 2024/2025 foi suspensa em razão das enchentes e ainda não foi retomada.

“Tem também a questão do plano de saúde, que é muito ruim, e que há dois anos está em imbróglio de justiça. O atendimento tem piorado, há redução de convênios com hospitais e laboratórios, centralizando tudo num único hospital”, ressalta o diretor.

 

Quanto à situação das escolas, Olegário destaca a decisão do prefeito Melo de acabar com as eleições diretas para diretores. “Também por um canetaço, ele está transferindo monitores do Ensino Fundamental para a Educação Infantil sem conversa, muitas vezes quebrando um vínculo”, afirma. “A rede municipal de Porto Alegre é a rede mais inclusiva. Alunos com deficiência não podem ficar apartados do resto, mas eles precisam de uma dedicação específica. E o monitor cumpre esse papel na sala de aula, porque esses alunos têm um ritmo diferente de aprendizado. A solução é um concurso público para monitores e professores, que o secretário se comprometeu até 31 de março em mandar um novo projeto de criação de cargos para a Câmara. Nós estamos em cima”.

Em mobilização na quinta-feira, em frente ao auditório onde ocorreram as Jornadas, o Simpa abordou a falta de infraestrutura nas escolas, a ausência de professores e monitores e a promessa ainda não cumprida de novo concurso e novas nomeações.

“O governo que fala tanto em aumentar o Ideb cria mecanismos que inibem esse crescimento. Se continuar esse tipo de postura, no canetaço, sem discussão, a resistência vai aumentar. O próprio governo criou as vaias que aconteceram nas jornadas”, salienta Olegário.

O titular da Smed se manifestou sobre o evento nos veículos oficiais da Prefeitura dizendo que milhares de professores se reuniram para pensar juntos a validação do referencial curricular da Educação Infantil e a construção do currículo do Ensino Fundamental. “Vamos elevar a Educação de Porto Alegre todos juntos”, afirmou.

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