O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que o país está pronto para o combate após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que as operações terrestres contra os venezuelanos devem iniciar em breve.
“Neste ano de 2025 nós estamos prontos, dispostos a dar resposta a qualquer agressão contra o povo da Venezuela, contra sua soberania, contra sua integridade territorial, e a Aviação Militar Bolivariana sabe que tem de golpear duro, onde tiver de golpear, e vencer”, disse o chefe da pasta.
“Não cometam o erro de atacar a Venezuela (…) estamos dispostos a fazer qualquer coisa, a lutar, a morrer, mas nunca morreremos, vamos viver e vamos vencer”, acrescentou.
Padrino López também deu um recado aos governos da região que, em suas palavras, “se prestam ao jogo imperialista”.
“Digo a esses chefes de governo pararem de agir contra o sentimento de seus povos, os povos da América Latina e do Caribe não querem guerra, querem paz, desenvolvimento e emergir no novo mundo que está nascendo, de igualdade e respeito entre as nações”, afirmou. A declaração pode ter sido direcionada à República Dominicana que, na quarta-feira (26/11), autorizou o uso de seu principal aeroporto pelos Estados Unidos.
Nesta quinta-feira (27/11), Donald Trump, que utiliza o combate ao narcotráfico como justificativa para os ataques, afirmou que as ofensivas terrestres devem começar “muito em breve”.
“Detivemos quase 85% [das drogas] por mar e também começaremos a detê-los por terra. Por terra é mais fácil, mas isso começará muito em breve”, disse o republicano durante uma conferência online para os militares estadunidenses por ocasião do Dia de Ação de Graças.
O presidente agradeceu aos agentes de segurança que têm atuado na costa do Caribe, para onde já foram enviados oito navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford, o maior do mundo.
Até o momento, as tropas dos Estados Unidos já mataram pelo menos 83 pessoas que supostamente trabalhavam para o narcotráfico. No entanto, a Casa Branca ainda não deu nenhuma garantia da relação entre os mortos e cartéis de drogas.
No início da semana, Washington incluiu o suposto Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos e classificou o presidente venezuelano como o chefe da organização, que enviaria drogas aos Estados Unidos. A Venezuela, por sua vez, diz que o Cartel é uma “invenção dos Estados Unidos” e acusa Donald Trump de forçar uma mudança de regime na região.

TeleSur
Republica Dominicana autoriza uso de aeroporto pelos EUA
Na quarta-feira (26/11), a República Dominicana autorizou os Estados Unidos a usarem seu principal aeroporto e uma base aérea para “operações de logística”. O presidente Luis Abinader fez o anúncio juntamente com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, que foi ao país para negociar sobre a operação contra a Venezuela.
“Concordamos com os Estados Unidos em ampliar temporariamente a cooperação para reforçar a vigilância aérea e marítima contra o narcotráfico”, declarou Abinader, após se reunir com Hegseth.
O mandatário também disse que “nesse contexto, anuncio ao país que autorizamos os Estados Unidos, por um prazo limitado, a usar espaços restritos na base aérea de San Isidro e no Aeroporto Internacional Las Américas para a operação logística de aviões de reabastecimento de combustível, transporte de equipamentos e pessoal técnico”.
Risco para outros países da América do Sul
Após a ameaça de ofensiva terrestre de Donald Trump, a Frente Nacional para a Defesa dos Direitos Econômicos e Sociais do Panamá (Frenadeso) alertou que a escalada do conflito na região pode atingir, além da Venezuela, a Colômbia, o México e outros países da América do Sul.
Em uma carta enviada ao Ministério das Relações Exteriores do Panamá, a entidade afirmou que os ataques estadunidenses podem ser caracterizados como crimes contra a humanidade que violam o direito internacional, os direitos humanos e as convenções internacionais sobre a coexistência pacífica entre as nações.
A organização disse que os Estados Unidos recorrem a um cartel que julga inexistente, o “fictício ‘Cartel de los Soles’” para “justificar um potencial ataque contra a Venezuela e, posteriormente, contra a Colômbia, o México e outros países”.
Trata-se de uma “manobra recorrente usada pelas administrações [norte]americanas desde 1990, que Trump emprega para incriminar o governo bolivariano como um narcoestado, mesmo que a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha declarado que o país não desempenha um papel significativo no tráfico internacional de drogas”, acrescentou Frenadeso.
O post Venezuela diz estar pronta para combate após ameaças de Trump apareceu primeiro em Opera Mundi.