O governo da Venezuela está em fase final de uma negociação para transferir 31 toneladas de ouro venezuelano do Banco da Inglaterra para os Estados Unidos. Avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20,6 bilhões), a reservas irão compor um fundo de financiamento para a reconstrução do país, após os terremotos de junho.
Segundo informações divulgadas pelo Financial Times na sexta-feira (18/09), o montante será levado para os Estados Unidos e o governo venezuelano, da presidente interina Delcy Rodríguez, embora mantenha a titularidade legal do ouro, não poderá vender os ativos.
As negociações já teriam superado os principais obstáculos relacionados a questões legais, regulatórias e às sanções internacionais. Duas fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que as reservas seriam depositadas no Federal Reserve Bank de Nova York, enquanto outra disse que os ativos ficariam sob administração do Departamento do Tesouro norte-americano.
As reservas foram bloqueadas nos cofres do Banco da Inglaterra em 2019, quando Estados Unidos, Reino Unido e outros governos reconheceram Juan Guaidó, então presidente da Assembleia Nacional, como chefe de Estado interino do país. Em agosto deste ano, representantes do governo interino de Delcy Rodríguez e da oposição na Assembleia Nacional entraram em acordo sobre o destino da reserva.
Dinorah Figuera e Jorge Rodríguez selaram a primeira etapa do acordo entre oposição e governo com um aperto de mãos em agosto
Leonardo Fernandes/ Brasil de Fato
Eles decidiram em atuar conjuntamente pela liberação dos ativos mantidos em Londres para que o montante seja usado na reconstrução do país. As partes também acertaram mecanismos de transparência, rastreabilidade e auditoria para a utilização dos recursos, agora, destinados principalmente à reconstrução das áreas atingidas pelos terremotos de junho.
Disputa pelo ouro
Em 2008, o Banco Central da Venezuela (BCV) abriu uma conta de depósito de ouro no Banco da Inglaterra, que atua como custodiante de reservas de ouro de diversos bancos centrais. Em agosto de 2011, o então presidente Hugo Chávez decidiu repatriar grande parte do ouro venezuelano mantido no exterior. Entre novembro daquele ano e janeiro de 2012, cerca de 160 toneladas voltaram para Caracas, mas parte das reservas permaneceu no exterior.
Em 2020, em meio à tentativa de golpe contra o governo de Nicolás Maduro, Juan Guaidó recorreu à Justiça britânica para obter o controle das 31 toneladas de ouro venezuelano depositadas no Banco da Inglaterra. O Reino Unido chegou a solicitar ao banco que lhe desse acesso às reservas.
Mas, em outubro daquele ano, o Tribunal de Apelação britânico acolheu um recurso do Banco Central da Venezuela sobre seu direito de acesso ao ouro. Desde então, a titularidade das reservas encontrava-se em disputa judicial.
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