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Venezuelanos sofrem com xenofobia e superexploração em Roraima

DESALENTO. Imigrantes são submetidos aos piores serviços. Foto: ATS

Roraima lidera o crescimento populacional no Brasil, com alta de 46% em dez anos, impulsionada pela imigração venezuelana que busca trabalho e sobrevivência no estado.

Noah Eros | Boa Vista (RR)


BRASIL – Segundo dados de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do estado Roraima cresceu mais de 46% em dez anos, chegando a 738.772 mil habitantes, tornando-se o estado com o maior aumento populacional do Brasil. 

Esse crescimento se deve principalmente à imigração venezuelana no estado, que faz fronteira com a Venezuela, país que vem enfrentando uma grande crise econômica desde meados de 2015, resultado do criminoso bloqueio econômico promovido pelos Estados Unidos.

De acordo com o Conselho Nacional de Imigração (CNIg) e o Ministério do Trabalho, a maioria dos venezuelanos que vivem em Roraima são jovens de boa escolaridade, que desempenham atividades remuneradas e têm forte presença na força de trabalho do estado. Entretanto, entre os que trabalham, mais da metade (51%) recebe menos de um salário mínimo e apenas 28% são formalmente empregados. 

Juan Alvarez, 22 anos, que morava na cidade de Maturin, a 530 km da capital Caracas, e hoje mora em Porto Velho, disse ao jornal A Verdade: “Atualmente estou desempregado, mas no meu último serviço trabalhava como escravo, fazendo duas funções ou mais, em troca de um único salário”, relata. 

Capitalismo estimula xenofobia 

Para piorar, os patrões se aproveitam da vulnerabilidade social dos imigrantes para aumentar a exploração e lucrar mais. Para isso, se utilizam da xenofobia e do preconceito, estimulando a competição por empregos dentro do estado entre brasileiros e venezuelanos, alimentando a narrativa de que os “venezuelanos estão roubando os empregos dos brasileiros” ou que “só querem viver de Bolsa Família”. 

A xenofobia é um instrumento do capitalismo contra os trabalhadores. Essa rivalidade entre a classe trabalhadora é uma velha tática dos patrões para jogar dividir a classe trabalhadora e explorar mais. O capitalismo se utiliza da xenofobia, do machismo, do racismo e da lgbtfobia para aumentar seus lucros e dificultar a organização dos trabalhadores.

Chega de exploração

Os trabalhadores, sejam eles brasileiros ou venezuelanos, precisam entender que têm um inimigo em comum: a grande burguesia. O desemprego e os baixos salários não são culpa dos trabalhadores de outros países, mas do modo de produção capitalista. 

Além do mais, vários brasileiros são imigrantes em outros países e sofrem com o preconceito e a violência. Da mesma forma que achamos errado quando somos vítimas desse tipo de coisa, devemos achar errado os venezuelanos sofrerem aqui em nosso país.

A unidade entre brasileiros e imigrantes no trabalho, nos sindicatos e nas ruas é o único caminho para construir políticas que realmente atendam às necessidades de quem trabalha. A luta por dignidade não tem fronteira. Como afirmaram Karl Marx e Friedrich Engels, no Manifesto Comunista, “Proletários de todos os países, uni-vos!”. 

Matéria publicada na edição impressa nº332 do jornal A Verdade