Notícias

Viagem à China: impressões sobre a grande nação socialista

Tive a intensa alegria de compor a delegação brasileira de partidos progressistas que visitou a China Socialista entre os dias 29 de outubro a 08 de novembro. Ao lado da camarada Janaína Deitos, presidente do comitê municipal de Florianópolis (SC) e do camarada Rafael Leal, presidente nacional da UJS, representando o nosso Comitê Central, nos somamos a companheiros (as) do PT, PSB, PDT e PSOL  a convite do Partido Comunista da China.

Foram dias intensos de visitas a várias empresas, órgãos públicos, universidade, comunidades rurais, comitês de base e à Escola Central de Quadros do PCCh. Passamos por três províncias (estados), Guangdong, Anhui e Beijing (Pequim), que tem status provincial por ser a capital da república, e visitamos diversas cidades. Usamos, nos nossos tempos livres, o sistema de transportes como metrô, taxis e carros por aplicativo, andamos por shoppings, bairros populares, bares, restaurantes, combinando o uso de aplicativos de tradução e a universal linguagem da mímica para nos entendermos com um povo cuja língua, para nós, é muito desafiadora.

É forçoso reconhecer que a despeito de estudar o desenvolvimento do socialismo com características chinesas, desde os tempos como professor do ensino regular, passando pelas inúmeras atividades formadoras da nossa Escola João Amazonas, leituras de diversas obras de estudiosos (as) sobre a China, entre quadros do PCdoB e diversos outros intelectuais que se dedicam ao tema, nada havia me preparado adequadamente para vivenciar a intensidade da pujança daquela grande nação. Em uma frase: foi uma viagem transformadora, por um lado, e de reafirmação de ideais, por outro! Transformadora pela visão, ao vivo e em cores, dos enormes avanços que o povo chinês conquistou ao longo dos últimos 75 anos, desde a vitória da Revolução em 1949, bem como pela convicção intensificada de que o Socialismo é profundamente necessário para a humanidade.

A construção da China moderna, desde a Revolução, passa essencialmente pelo poder político composto pelo PCCh e outros oito partidos, conformando uma frente de forças comprometidas com a construção do Socialismo Com Características Chinesas. Essa é a chave fundamental para compreender o estágio de desenvolvimento alcançado por eles. Pude sentir uma profunda ligação entre o povo e o Partido Comunista, que conta com cerca de 100 milhões de membros. Aqui, portanto, fica um primeiro ensinamento histórico: a intensa ligação entre o PCCh e as massas urbanas e rurais, foi construída desde a sua fundação em 1921, com o Partido sendo a ponta de lança das principais lutas do povo chinês contra a opressão imperialista europeia, na defesa da libertação nacional contra a brutal ocupação japonesa nos anos 30 do século XX e nos 75 anos de desenvolvimento de uma nova China.

A partir da conformação dessa aliança política entre o PCCh e os demais partidos, a China desenvolveu o seu processo de estruturação econômica a partir de diversas etapas que criaram as bases para o processo de Reforma e Abertura das últimas décadas, que catapultaram a economia chinesa para a condição de maior centro industrial do mundo. Não foi um processo em linha reta, nem desprovido de intensas contradições, avanços e recuos, mas o atual patamar de evolução tecnológica, industrial, comercial e de padrão básico de conforto ao povo chinês, comprovam o acerto histórico do caminho socialista adotada desde o início da revolução.

De tudo o que vimos e ouvimos nessa viagem, é perceptível que os problemas mais básicos de qualquer nação, da habitação à alimentação, da saúde ao lazer, estão solucionados, a partir de um amplo processo de produção econômica que integra todas as iniciativas possíveis para a geração de emprego, renda e bem-estar social essencial para o conjunto da sociedade. A lógica chinesa implica na integração da economia estatal com os setores privados, entre grandes empresas nacionais e estrangeiras, o pequeno e médio comércio, o chamado “empreendedorismo” com novos negócios e iniciativas, o comércio internacional e o financiamento massivo através de bancos e agências de desenvolvimento. Tudo sob a orientação central do Estado, dirigido de modo intensamente eficiente pelo PCCh. Existe uma muito benéfica obsessão por eficiência, tanto nos setores e empresas sob o comando direto do Estado como nas atividades privadas, num intenso processo de integração ao esforço geral em defesa do desenvolvimento nacional e no atendimento às necessidades do povo. Servir ao povo, aliás, é um dos principais lemas do PCCh e do Estado.

Das cidades que visitamos e naquelas pelas quais passamos nos nossos deslocamentos, guardamos na memória uma intensa verticalização, com verdadeiras florestas de concreto armado, combinadas com impressionante arborização, imensas áreas verdes, parques, jardins, que, por si só, criam enormes espaços de lazer absolutamente gratuitos e melhoram consideravelmente o meio ambiente e a qualidade de vida em geral. Carros e motonetas, em grande parte elétricos, trafegam por largas avenidas, sempre arborizadas, algo bonito de ver. Parece haver uma espécie de “plano diretor” nacional nesse sentido, porque não pode ser apenas mera coincidência que todas as cidades vistas tenham o mesmo padrão, ressalvadas características locais.

Visitamos vilas rurais que estavam degradadas em função do intenso deslocamento de populações do campo para as cidades, especialmente nas décadas recentes, em busca dos empregos nas indústrias, que estão em processo de revitalização, integrando a produção agrícola com atividades de lazer, empreendedorismo e inovação tecnológica, dando nova vida a cada uma delas. São milhões de projetos assim por todo o país. Nas empresas, entre montadoras de automóveis e de tecnologia de ponta de outros setores, incluindo aí a reciclagem de lixo, ficamos boquiabertos pela intensa produção em larga escala em ambientes intensamente limpos, salubres e pela forte presença da juventude à frente desses processos. Serviços públicos são distritalizados, em unidades que integram desde a emissão de documentos ao atendimento básico de saúde, sempre com agilidade e emprego de tecnologias de ponta, visando atender ao povo com qualidade, proporcionando conforto e rapidez.

Se a China das últimas décadas me parecia uma nação que está vários anos no futuro, a percepção não apenas se confirmou como também pudemos ver projetos em desenvolvimento que estão colocando o país vários degraus à frente dos demais. Ou seja, pudemos vislumbrar vários aspectos do futuro chinês em uma sociedade que conquistou avanços extraordinários, especialmente quando comparo com a situação mais geral do Brasil, com nossas profundas discrepâncias econômicas e sociais.  

Significa que a China resolveu todos os seus problemas e contradições? De modo algum, e os chineses, em especial a direção do PCCh, são os primeiros a dizerem isso, sem tergiversações. Poucos dias antes da nossa chegada, o Comitê Central do partido havia aprovado as diretrizes para o desenvolvimento do 15º Plano Quinquenal, ao qual tivemos acesso, em português, assim que chegamos. Ao mesmo tempo em que é saudado o sucesso do Plano Quinquenal anterior, o documento aponta sobre os diversos gargalos, insuficiências, riscos diante do conturbado cenário internacional e outros problemas a serem enfrentados no próximo período.

Mas significa, e disso não tenho dúvidas, que o Socialismo em desenvolvimento na China, com suas características, peculiaridades e interpretação dos problemas e busca por soluções à luz de um intenso planejamento econômico, transformou uma nação atrasada, submetida ao imperialismo há apenas 75 anos, em uma super potência que redesenha a geopolítica e aponta aos povos do mundo um caminho para superação das enormes aberrações geradas pelo capitalismo, na construção de um grande e rico progresso compartilhado.

O post Viagem à China: impressões sobre a grande nação socialista apareceu primeiro em Vermelho.