Vinícius Júnior, Kylian Mbappé e Ibrahima Konaté chamaram atenção antes da partida entre Elche e Real Madrid, pela La Liga, ao não exibirem integralmente uma camisa que seria de apoio a Ceuta. A peça, entregue aos jogadores antes da entrada em campo, trazia as frases “Todos somos caballas” e “Nossa cidade, nossa pátria”. Entenda o caso em TVT News.
Os três atletas vestiram a camiseta apenas parcialmente, mantendo o texto escondido, e depois a retiraram.
A ação tinha como objetivo declarado manifestar apoio à população de Ceuta, cidade autônoma espanhola localizada no norte da África.
A região, entretanto, está inserida em uma disputa territorial e em um contexto de tensão migratória envolvendo Espanha e Marrocos.
Por isso, embora a iniciativa tenha sido apresentada pelos organizadores como uma demonstração de solidariedade aos moradores, a mensagem da camisa também assumiu uma dimensão política e nacionalista.
A escolha das palavras utilizadas na peça é parte desse contexto. “Caballas” é o apelido dado aos moradores de Ceuta.
Já a frase “Nossa cidade, nossa pátria” ultrapassa uma referência genérica à cidade e pode ser lida dentro da disputa em torno da soberania espanhola sobre o território. Os textos de apoio não indicam, porém, que Vini Jr. ou Konaté tenham explicado publicamente suas razões para não exibir a mensagem.
Mbappé explica por que não exibiu a mensagem
Mbappé foi o primeiro dos três jogadores a apresentar publicamente sua justificativa. Em entrevista ao jornal espanhol AS, o atacante afirmou que tem solidariedade com os moradores de Ceuta, mas também quis demonstrar preocupação com os imigrantes que morreram ou enfrentam condições difíceis.
“Tenho toda a solidariedade com Ceuta e com todas as vítimas. Porque antes de ser jogador, sou humano”, afirmou o francês. Na sequência, explicou que pretendia manifestar também um gesto em relação às pessoas que perderam a vida durante a crise migratória.
Mbappé afirmou que não queria estabelecer uma prioridade entre diferentes sofrimentos e defendeu uma mensagem de paz e solidariedade.
O contexto mencionado pelo atacante é a crise migratória registrada na região. Nos dias 30 e 31 de julho, dezenas de milhares de pessoas entraram irregularmente em Ceuta vindas do Marrocos. A maioria retornou ao país africano, mas milhares permaneceram no território, onde, segundo os textos de apoio, a situação provocou aumento das tensões e manifestações de moradores.
Esse episódio também resultou em mortes durante as tentativas de entrada em Ceuta. A travessia envolve riscos, com pessoas tentando alcançar o território espanhol pelo mar ou por estruturas próximas à fronteira.

Camisa ganhou dimensão política
A iniciativa foi apresentada como uma ação de solidariedade aos moradores de Ceuta. No entanto, a localização da cidade e a disputa territorial entre Espanha e Marrocos deram outro significado à campanha.
Ceuta pertence à Espanha, embora esteja localizada no norte da África. A região é considerada um dos pontos sensíveis da relação entre os dois países. Nesse cenário, a frase “Nossa cidade, nossa pátria” pode ser associada à defesa da soberania espanhola sobre o território.
A ação também provocou repercussão entre jogadores de diferentes origens. O atacante marroquino Ez Abde, do Betis, participou da iniciativa em partida contra o Villarreal e recebeu críticas nas redes sociais e vaias de torcedores. Ele afirmou que o gesto representava apoio social aos moradores de Ceuta e não uma manifestação política ou um ataque ao Marrocos.
Barcelona também não exibiu a camisa
O episódio não ficou restrito aos três jogadores do Real Madrid. Na partida entre Levante e Barcelona, apenas a equipe do Levante entrou em campo com a camiseta. O time titular do Barcelona não utilizou a peça, incluindo Lamine Yamal, jogador espanhol de ascendência marroquina.
No confronto entre Villarreal e Betis, os dois times utilizaram a camisa. Já no jogo entre Elche e Real Madrid, os jogadores receberam a peça, mas Vini Jr., Mbappé e Konaté optaram por não mostrá-la integralmente.
A iniciativa havia sido proposta pelo Elche, mandante da partida, e aceita pelo Real Madrid. Segundo informações atribuídas a fontes do clube, a decisão individual dos jogadores foi respeitada, apesar de a instituição ter concordado com a ação.
Presidente de La Liga critica jogadores
O presidente de La Liga, Javier Tebas, criticar a atitude de Vini Jr., Mbappé e Konaté. O dirigente afirmou que ações desse tipo são institucionais e vinculadas aos clubes, e não manifestações individuais.
Tebas classificou a postura dos jogadores como inadequada e afirmou que a iniciativa não tinha caráter de reivindicação política. Segundo ele, a competição autorizou a campanha, enquanto caberia aos clubes decidir pela participação.
A campanha já havia aparecido em outras partidas do Campeonato Espanhol. No duelo entre Levante e Barcelona, apenas o time da casa utilizou a camiseta. No confronto entre Villarreal e Betis, as duas equipes participaram da ação.
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