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Vorcaro diz que doações a Bolsonaro e Tarcísio foram propina

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada, que as doações de R$5 milhões às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022, foram negociadas como propina para assegurar a continuidade do cartão Credcesta em São Paulo.

Segundo documento obtido pelo UOL, Vorcaro atribui a articulação a Gilberto Kassab (PSD), então aliado da campanha de Tarcísio e posteriormente nomeado secretário de Governo paulista. As doações foram formalmente feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro: R$3 milhões para Bolsonaro e R$2 milhões para Tarcísio.

Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, o acordo previa ainda o repasse de 5% do resultado líquido do Credcesta em São Paulo — cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos — e cerca de R$10 milhões em caixa dois destinados a pessoas ligadas a Kassab. 

O dinheiro em espécie teria sido entregue por Thiago Botelho, conhecido como Papel.

O Credcesta é um cartão de crédito consignado operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Banco Master e ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro. O negócio passou a operar para servidores públicos paulistas em julho de 2022, durante o governo Rodrigo Garcia.

Vorcaro relatou que, diante da provável vitória de Tarcísio na eleição daquele ano, Augusto Lima buscou garantir a permanência do produto na nova gestão. Segundo o anexo da delação, Lima informou ao banqueiro que havia feito um “ajuste indevido” com Kassab, prevendo contrapartidas financeiras e contribuições eleitorais.

A proposta de delação aponta que a doação oficial seria inicialmente paga em dinheiro. Depois, segundo o relato, interlocutores de Kassab teriam exigido que uma parte fosse formalizada, pois partidos aliados só aceitariam recursos declarados à Justiça Eleitoral.

Vorcaro afirmou que acionou Zettel para fazer os repasses. O banqueiro disse que o cunhado não conhecia a origem nem a finalidade efetiva dos valores.

Ainda de acordo com a delação, os pagamentos foram realizados e a contrapartida se concretizou: o Credcesta permaneceu ligado ao governo paulista por mais de um ano. Em dezembro de 2024, Tarcísio editou decreto que ampliou o mercado de crédito consignado a instituições além de bancos e cooperativas.

As três versões da delação apresentadas por Vorcaro foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, sob o argumento de que não traziam fatos inéditos ou elementos de corroboração. Na semana passada, ele voltou a manifestar ao STF interesse em colaborar, mas a PGR reiterou a negativa.

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