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Vorcaro, “irmao” de Flávio Bolsonaro, era sócio de rede internacional de prostituição

Chmado de irmaozão por Flávio Bolsonaro nos áudios sobre as tratativas para financiamento da biografia do pai, o filme Dark Horse, Vorcaro agora aparece como sócio oculto de rede de prostituição que recrutava refugiadas para festas com autoridade. A partir de conversas de áudio, PF investiga cafetinagem e tráfico de pessoas.

O esquema envolvia intermediários, recrutamento de estrangeiras, inclusive refugiadas da guerra na Ucrânia, e uma casa noturna em São Paulo.

Investimentos milionários, intermediários e compra de agência

Conforme os extratos de conversas apurados de maio de 2023 em diante, Vorcaro aportou ao menos R$ 4,3 milhões para financiar a logística do esquema. Para operacionalizar a estrutura, o empresário contava com o promotor de eventos Diogo Batista (que recebia R$ 120 mil por mês) e com Leonardo Serrano, da SL Consulting na Flórida, responsável pela logística internacional.

Em dezembro de 2023, Vorcaro recebeu uma minuta contratual para adquirir 50% da agência de modelos Allure Eventos, pertencente a Felipe Nisti Cataldo, por R$ 1,5 milhão, com pagamentos realizados via Pix por meio da Super Empreendimentos (empresa ligada a Vorcaro). Em mensagens de janeiro de 2024, Diogo afirmou a Vorcaro que o contrato estava assinado e que o negócio servia para “blindar” a operação.

As conversas, divulgadas pelo UOL com base em material apreendido na Operação Compliance Zero e compartilhado com a CPMI do INSS, mostram Vorcaro selecionando mulheres, dando ordens e investindo no negócio.

Exploração de refugiadas de guerra

Vorcaro respondeu a relato sobre três refugiadas ucranianas: “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”. Uma jovem de 19 anos permaneceu no Brasil em meio à guerra.

Nas mensagens, as mulheres são chamadas de “escravas” e as mais jovens de “creche”. Vorcaro escreveu: “Nossa creche me consumiu semana toda kkk. Queria ter duas p*rocas (sic)”.

Ele admitiu à então noiva que as festas faziam parte do seu “business” e que organizou cerca de 300 eventos desse tipo. A estrutura servia a encontros com autoridades.

Na festa de Halloween de 31 de outubro de 2023, na boate Madame Satã (cerca de 120 mulheres para 20 homens, “só menina nova” e celulares confiscados), o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria ajudou a montar a lista de convidados.

Outros registros da PF ligam Vorcaro a encontros e viagens com Ciro Nogueira, Hugo Motta e Fábio Faria, além de menções a Kassio Nunes Marques em contextos de eventos.

A preferência por estrangeiras visava impedir identificação dos clientes. A PF apura cafetinagem e possível tráfico (que exige violência ou coação). O relatório da CPI do Crime Organizado já apontava indícios com base nos materiais da CPMI.

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