{"id":100258,"date":"2026-08-15T04:00:00","date_gmt":"2026-08-15T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quase-quatro-a-cada-dez-indigenas-em-terras-na-amazonia-nao-tem-acesso-adequado-a-agua\/"},"modified":"2026-08-15T04:00:00","modified_gmt":"2026-08-15T07:00:00","slug":"quase-quatro-a-cada-dez-indigenas-em-terras-na-amazonia-nao-tem-acesso-adequado-a-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/quase-quatro-a-cada-dez-indigenas-em-terras-na-amazonia-nao-tem-acesso-adequado-a-agua\/","title":{"rendered":"Quase quatro a cada dez ind\u00edgenas em terras na Amaz\u00f4nia n\u00e3o t\u00eam acesso adequado a \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p>Um igarap\u00e9 na regi\u00e3o do Lago do Boto, na Terra Ind\u00edgena (TI) Munduruku, marcou a inf\u00e2ncia de Ediene Kirixi. Era ali que ela bebia \u00e1gua, pescava e se banhava desde o final dos anos 80. Na segunda metade da d\u00e9cada de 90, o garimpo ilegal de ouro nas cabeceiras do Alto Rio Tapaj\u00f3s, no sudoeste do Par\u00e1, contaminou os corpos h\u00eddricos do entorno da sua aldeia. Em 1997, Ediene, na \u00e9poca com 10 anos, teve que se mudar com a fam\u00edlia e se instalou na beira do Tapaj\u00f3s, cujas \u00e1guas ainda estavam limpas. At\u00e9 que, a partir de 2018, o avan\u00e7o da explora\u00e7\u00e3o mineral ganhou intensidade na bacia e transformou de vez o que restava do rio cristalino na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cHoje, as nossas crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais a liberdade de tomar a \u00e1gua do rio. A cor do rio \u00e9 branca, os peixes est\u00e3o doentes. A \u00e1gua desce com as sujeiras e chega at\u00e9 n\u00f3s. Isso deixa muitas aldeias sem ter o que beber\u201d, observa Ediene, 39 anos, coordenadora da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Munduruku Wakobor\u0169n, que representa sete territ\u00f3rios ind\u00edgenas da bacia do Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<div>\n<div>\n<div><i><\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>Hoje, as nossas crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais a liberdade de tomar a \u00e1gua do rio. A cor do rio \u00e9 branca, os peixes est\u00e3o doentes. A \u00e1gua desce com as sujeiras e chega at\u00e9 n\u00f3s. Isso deixa muitas aldeias sem ter o que beber.<\/div>\n<div>Ediene Kirixi<\/div>\n<div>Coordenadora da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres Munduruku Wakobor\u0169n, que representa sete territ\u00f3rios ind\u00edgenas da bacia do Tapaj\u00f3s<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o dos corpos h\u00eddricos por atividades como garimpo e desmatamento, agravada pela ocorr\u00eancia mais frequente e intensa de eventos clim\u00e1ticos extremos, aumenta os riscos para quem depende dessas \u00e1guas. An\u00e1lise da InfoAmazonia, com base em dados do Censo Demogr\u00e1fico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mostra que quase 40% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em terras ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia Legal n\u00e3o tem acesso adequado \u00e0 \u00e1gua e, por isso, depende principalmente de rios, lagos e igarap\u00e9s para obt\u00ea-la. O saneamento b\u00e1sico, que deveria garantir o acesso seguro \u00e0 \u00e1gua e outros servi\u00e7os essenciais como esgotamento sanit\u00e1rio e destina\u00e7\u00e3o adequada do lixo, ainda \u00e9 prec\u00e1rio nessas comunidades.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia Legal, 116 mil moradores de terras ind\u00edgenas (27,38% do total da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em TIs) est\u00e3o conectados \u00e0 rede geral de distribui\u00e7\u00e3o, enquanto 145 mil\u00a0(34,29%) captam \u00e1gua sobretudo de po\u00e7os, fontes, nascentes ou minas. Essas formas de abastecimento s\u00e3o consideradas oficialmente adequadas e mais seguras por contarem, em geral, com canaliza\u00e7\u00e3o, fornecimento cont\u00ednuo, quantidade suficiente e garantia de potabilidade.<\/p>\n<p>Entre as demais formas de acesso \u00e0 \u00e1gua, 114 mil pessoas (27%) dependem principalmente de rios, lagos e igarap\u00e9s para obter \u00e1gua. H\u00e1, ainda, 37 mil ind\u00edgenas (8,71%) que coletam \u00e1gua da chuva, 5.067 (1,19%) dependem de carro-pipa e 5.924 (1,4%) obt\u00eam o recurso de formas n\u00e3o especificadas nas terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Legal.<\/p>\n<div>\n<div>\n<div><i><\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>A popula\u00e7\u00e3o que vive na maior bacia hidrogr\u00e1fica de \u00e1gua doce do mundo sofre de estresse h\u00eddrico<\/div>\n<div>Caetano Scannavino<\/div>\n<div>Coordenador-geral do Projeto Sa\u00fade e Alegria<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o que vive na maior bacia hidrogr\u00e1fica de \u00e1gua doce do mundo sofre de estresse h\u00eddrico. A \u00e1gua dos rios n\u00e3o \u00e9 a mesma de 100 anos atr\u00e1s. Boa parte \u00e9 de baixa qualidade, contaminada\u201d, diz Caetano Scannavino, coordenador-geral do Projeto Sa\u00fade e Alegria.<\/p>\n<p>Desde 1987, a organiza\u00e7\u00e3o fornece servi\u00e7os de sa\u00fade e saneamento b\u00e1sico para povos ind\u00edgenas e tradicionais da bacia do Tapaj\u00f3s. Nas terras ind\u00edgenas da regi\u00e3o, apenas 20% dos domic\u00edlios contam com po\u00e7o, fonte, nascente ou mina; 43% est\u00e3o conectados \u00e0 rede geral de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua; e 35% ainda dependem principalmente de rios, lagos e igarap\u00e9s.<\/p>\n<p>Na Terra Ind\u00edgena Munduruku, esse percentual \u00e9 ainda maior: quase 40% dos 9.281 habitantes t\u00eam nos corpos h\u00eddricos sua principal fonte de \u00e1gua, e as aldeias com acesso a po\u00e7o, fonte, nascente ou mina, como a Kaba Rew\u00fbn, onde Ediene vive, abrangem apenas 2 mil pessoas (22%).<\/p>\n<p>\u201cO garimpo deixou um rastro, derrubando os p\u00e9s de a\u00e7a\u00ed, buriti, patau\u00e1, e falta ca\u00e7a. Com a estiagem de 2023, os igarap\u00e9s secaram fora do normal e foram acabando com os peixes. As aldeias ficaram sem ter o que comer\u201d, observa Ediene. \u201cV\u00e1rias sobrevivem da \u00e1gua de igarap\u00e9s contaminados pelo merc\u00fario e precisam de po\u00e7o. A nossa luta agora \u00e9 cobrar o governo a fazer instala\u00e7\u00f5es de \u00e1gua nas aldeias onde ainda n\u00e3o tem\u201d.<\/p>\n<p>Raione Lima, advogada popular da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) em Itaituba, no Par\u00e1, observa que h\u00e1 pontos de abastecimento e saneamento do Distrito Sanit\u00e1rio Especial Ind\u00edgena (DSEI) Rio Tapaj\u00f3s, mas s\u00e3o insuficientes para atender a grande quantidade de aldeias e as dificuldades log\u00edsticas para os ind\u00edgenas acessarem esses servi\u00e7os. \u201cEssa infraestrutura de saneamento b\u00e1sico, que deveria ser garantida e efetivada pelo Estado, pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o tem chegado para as aldeias ind\u00edgenas do povo Munduruku\u201d, ela avalia.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a800eee88826\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a800eee88826\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>O garimpo ilegal de ouro deixou um rastro de destrui\u00e7\u00e3o na Terra Ind\u00edgena Munduruku e contaminou os corpos h\u00eddricos do Alto Rio Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div><i><\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>Essa infraestrutura de saneamento b\u00e1sico, que deveria ser garantida e efetivada pelo Estado, pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, n\u00e3o tem chegado para as aldeias ind\u00edgenas do povo Munduruku<\/div>\n<div>Raione Lima<\/div>\n<div>Advogada da CPT em Itaituba, no Par\u00e1<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<h2><strong>O clima mudando e a \u00e1gua secando<\/strong><\/h2>\n<p>Em 2024, a Amaz\u00f4nia passou por uma seca hist\u00f3rica sem precedentes. Os rios Amazonas, Purus, Madeira, Solim\u00f5es, Negro, que est\u00e3o entre os principais da bacia do Amazonas, registraram os n\u00edveis mais baixos dos \u00faltimos 122 anos. No in\u00edcio daquele ano, Ediene identificou \u201cmuitas precariedades\u201d durante visitas t\u00e9cnicas \u00e0s aldeias logo que assumiu a coordena\u00e7\u00e3o da Wakobor\u0169n.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a associa\u00e7\u00e3o conseguiu mitigar parcialmente os impactos da seca extrema no Alto Rio Tapaj\u00f3s. Com recursos emergenciais, comprou gal\u00f5es de \u00e1gua e, principalmente, contratou uma empresa para perfurar minipo\u00e7os artesianos em 12 aldeias, a cerca de 13 metros de profundidade. \u201cFoi encontrada \u00e1gua muito boa. Veio muito forte na hora da perfura\u00e7\u00e3o. Para ter \u00e1gua nas aldeias, tem que ter po\u00e7o\u201d, conta Ediene.<\/p>\n<p>J\u00e1 em fevereiro deste ano, o juiz federal Alexsander Kaim Kamphorst determinou que a Uni\u00e3o forne\u00e7a mensalmente \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o atendida pelo DSEI Tapaj\u00f3s e construa ou reforme sistemas de abastecimento de \u00e1gua ou po\u00e7os artesianos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, deu um prazo de seis meses \u2013 que se encerrou nesta quinta-feira, 13 de agosto\u2013, para que a Uni\u00e3o apresente cronograma de implanta\u00e7\u00e3o, reforma e\/ou amplia\u00e7\u00e3o dos sistemas de abastecimento, monitoramento e tratamento da \u00e1gua dos po\u00e7os e dos cursos de rio, com prazo m\u00e1ximo de dois anos para o fornecimento permanente de \u00e1gua \u00e0s aldeias dessa bacia.<\/p>\n<p>Questionado pela InfoAmazonia, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que, atualmente, tem 13 processos licitat\u00f3rios em curso para a instala\u00e7\u00e3o de sistemas de abastecimento de \u00e1gua na bacia do Tapaj\u00f3s, al\u00e9m de 27 comunidades ind\u00edgenas atendidas pelo Programa de Monitoramento da Qualidade da \u00c1gua, na regi\u00e3o de Itaituba.<\/p>\n<p>\u201cO direito b\u00e1sico ao saneamento \u00e9 fundamental para garantir o direito \u00e0 sa\u00fade. Hoje, parte da popula\u00e7\u00e3o Munduruku tem grau de contamina\u00e7\u00e3o pelo merc\u00fario\u201d, observa Raione Lima. \u201cIsso vem da alimenta\u00e7\u00e3o do peixe, mas tem outras doen\u00e7as causadas pelo acesso a uma \u00e1gua polu\u00edda, que gera infec\u00e7\u00f5es e bact\u00e9rias que afetam diretamente a sa\u00fade do povo\u201d.<\/p>\n<p>Em 2024, o DSEI Tapaj\u00f3s foi o segundo maior no pa\u00eds em doen\u00e7as diarreicas agudas (1.894 casos por 10 mil habitantes), relacionadas ao saneamento b\u00e1sico inadequado. \u201cNas aldeias que estavam com casos descontrolados de diarreia e mal\u00e1ria, come\u00e7amos a dar apoio com po\u00e7o de \u00e1gua e diminuiu muito\u201d, observa Ediene.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a800eee8948c\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a800eee8948c\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>O Alto Rio Negro \u00e9 quase inteiramente coberto por floresta e corpos h\u00eddricos, com menos press\u00f5es antr\u00f3picas do que outras regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia. Mesmo assim, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena tem notado a perda da qualidade da \u00e1gua e optado por captar por po\u00e7os ou armazenar da chuva<\/figcaption><\/figure>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se repete em outras regi\u00f5es da Amaz\u00f4nia. Mariazinha Bar\u00e9, coordenadora-geral da Articula\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es e Povos Ind\u00edgenas do Amazonas (APIAM), disse que n\u00e3o notou avan\u00e7o significativo do saneamento b\u00e1sico nas terras ind\u00edgenas no estado nos \u00faltimos tr\u00eas anos. O per\u00edodo foi marcado por duas secas extremas que exacerbaram a precariedade de \u00e1gua, esgoto e res\u00edduos s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>\u201cNossa preocupa\u00e7\u00e3o continua sendo com o Estado construir e implementar pol\u00edticas estruturantes dentro dos territ\u00f3rios\u201d, afirma. \u201cA gente vem buscando parceiros n\u00e3o governamentais para colaborar principalmente na instala\u00e7\u00e3o de sistema de \u00e1gua pot\u00e1vel, de acordo com a realidade de cada regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Mariazinha \u00e9 origin\u00e1ria da comunidade Cucu\u00ed, na TI Cu\u00e9-Cu\u00e9\/Marabitanas, no noroeste do Amazonas. A bacia do Alto Rio Negro, onde o territ\u00f3rio est\u00e1 situado, resguarda 8,6 milh\u00f5es de hectares da floresta, de acordo com o MapBiomas \u2013 uma \u00e1rea praticamente do tamanho de Santa Catarina.<\/p>\n<p>Origin\u00e1rios desta regi\u00e3o, os Bar\u00e9 s\u00e3o considerados o \u201cpovo do rio\u201d. Cucu\u00ed \u00e9 onde o Negro, um dos formadores do rio Amazonas, adentra o territ\u00f3rio brasileiro, na tr\u00edplice fronteira com a Col\u00f4mbia e a Venezuela. Desde pequena, Mariazinha nadava, brincava e navegava de canoa pelo \u201cRio Grande\u201d, como os povos o chamam nessa regi\u00e3o da Cabe\u00e7a do Cachorro. Essa \u00e1gua \u00e9 fonte para irriga\u00e7\u00e3o das ro\u00e7as, preparo de comidas, consumo, lavagem de roupas. \u201cPara a gente, o rio \u00e9 sagrado, porque \u00e9 vital. Mas, depois de um tempo, a gente come\u00e7ou a coletar \u00e1gua da chuva\u201d, ela conta.<\/p>\n<div>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a800eee899db\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a800eee899db\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><\/figure>\n<\/div>\n<div>\n<div>\n<div><i><\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>Para a gente, o rio \u00e9 sagrado, porque \u00e9 vital. Mas, depois de um tempo, a gente come\u00e7ou a coletar \u00e1gua da chuva<\/div>\n<div>Mariazinha Bar\u00e9<\/div>\n<div>Coordenadora-geral da APIAM e origin\u00e1ria de Cucu\u00ed, comunidade ind\u00edgena no Alto Rio Negro<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Nas sete terras ind\u00edgenas atendidas pelo DSEI Alto Rio Negro, metade da popula\u00e7\u00e3o depende de rios, igarap\u00e9s e lagos como principal fonte de \u00e1gua para consumo. Apesar do alto grau de conserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, as esta\u00e7\u00f5es secas mais intensas t\u00eam contribu\u00eddo para a piora na qualidade da \u00e1gua, assim como o crescimento populacional das aldeias, sem infraestrutura de esgotamento sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cNossa proposta \u00e9 instalar po\u00e7os ou capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua dos rios nas comunidades maiores ou em \u00e1reas estrat\u00e9gicas. Em comunidades isoladas, vamos ter que pensar numa alternativa para quando o rio secar muito. Quando n\u00e3o seca 100%, a \u00e1gua dos igarap\u00e9s fica com bastante barro, um odor muito forte, praticamente inutiliz\u00e1vel para consumo humano\u201d, diz Mariazinha.<\/p>\n<p>O Plano Distrital do DSEI Alto Rio Negro prev\u00ea, at\u00e9 2027, a implementa\u00e7\u00e3o, reforma ou amplia\u00e7\u00e3o de infraestrutura de \u00e1gua em 112 das 742 aldeias, al\u00e9m da instala\u00e7\u00e3o de sistema de esgotamento sanit\u00e1rio em 28 delas.\u00a0<\/p>\n<p>Conforme a an\u00e1lise da InfoAmazonia, 99 das 145 (68%) TIs do estado do Amazonas n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 rede geral de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, das quais 53 (36,5%) n\u00e3o possuem nem mesmo abastecimento por po\u00e7o, fonte, nascente ou mina. No estado, 123 territ\u00f3rios dependem principalmente dos rios, lagos e igarap\u00e9s para consumo, enquanto 59 armazenam sobretudo \u00e1gua da chuva.<\/p>\n<p>Para Caetano Scannavino, solu\u00e7\u00f5es e tecnologias de \u00e1gua e saneamento b\u00e1sico na Amaz\u00f4nia s\u00e3o ferramentas de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cUma pol\u00edtica p\u00fablica que se antecipe a situa\u00e7\u00f5es cada vez mais frequentes de eventos extremos vai reduzir o custo de atendimento humanit\u00e1rio, como ter que movimentar helic\u00f3pteros com fardos de \u00e1gua mineral e cesta b\u00e1sica para distribuir para aldeias, comunidades\u201d, ele diz.<\/p>\n<p>Nos extremos clim\u00e1ticos de 2024, o Projeto Sa\u00fade e Alegria distribuiu filtros de nanotecnologia, que permitem o tratamento de \u00e1gua de forma r\u00e1pida, para os povos Munduruku do Tapaj\u00f3s e quilombolas de Oriximin\u00e1, que enfrentavam a seca no Par\u00e1, e para as v\u00edtimas das cheias no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a800eee8a53c\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a800eee8a53c\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>Em 2024 e 2025, o Projeto Sa\u00fade e Alegria distribuiu mais de 5 mil filtros de nanotecnologia aos povos ind\u00edgenas da bacia do rio Tapaj\u00f3s e outras comunidades tradicionais do Par\u00e1. A tecnologia permite o tratamento da \u00e1gua de rios, igarap\u00e9s e cacimbas, que perdem a potabilidade por atividades ilegais, como o garimpo de ouro, e durante eventos clim\u00e1ticos extremos de seca e cheia<\/figcaption><\/figure>\n<p>No segundo semestre de 2026, uma nova seca severa se projeta para a Amaz\u00f4nia em raz\u00e3o da intensidade muito forte do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o \u2013 o aquecimento anormal das \u00e1guas do Pac\u00edfico Equatorial, com influ\u00eancia na circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e redu\u00e7\u00e3o das chuvas amaz\u00f4nicas. Em uma consulta na Sala de Situa\u00e7\u00e3o coordenada pela Casa Civil, do Governo Federal, Scannavino conta que apresentou propostas constru\u00eddas com movimentos sociais e baseadas na experi\u00eancia do atendimento emergencial em 2024. Ele espera que \u201cn\u00e3o se repita a ina\u00e7\u00e3o que aconteceu nas secas anteriores\u201d.<\/p>\n<p>No Amazonas, a APIAM trabalha em uma proposta de mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos da seca, para apresentar aos \u00f3rg\u00e3os governamentais, a partir de demandas dos territ\u00f3rios feitas desde 2023. As maiores preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o com o fornecimento de \u00e1gua para o consumo humano e a soberania alimentar.<\/p>\n<p>\u201cAs comunidades ficam muito distantes com a seca. A gente n\u00e3o consegue chegar. Os parentes saem das comunidades para ficar mais pr\u00f3ximos dos rios, mas a \u00e1gua acaba morna e invi\u00e1vel. H\u00e1 territ\u00f3rios em que fica escasso o pescado e a ca\u00e7a\u201d, analisa Mariazinha Bar\u00e9. \u201cFica invi\u00e1vel o atendimento \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Paralisa tudo. Por isso temos que pensar nas melhores alternativas e em a\u00e7\u00f5es estruturantes\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade comunicou, em nota \u00e0 InfoAmazonia, que planeja ampliar mutir\u00f5es de atendimento em \u00e1reas de risco nas terras ind\u00edgenas, revisar os planos de conting\u00eancia dos 34 DSEI no Brasil e prover suprimentos para os locais mais vulner\u00e1veis a eventos clim\u00e1ticos, incluindo insumos para armazenar e tratar \u00e1gua pot\u00e1vel. Al\u00e9m disso, informou que est\u00e1 desenvolvendo o Sistema de Alerta Clim\u00e1tico-Sanit\u00e1rio para a Amaz\u00f4nia Legal, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n<p>O Programa Nacional de Saneamento Ind\u00edgena (PNSI), lan\u00e7ado em abril pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, estabeleceu como metas fornecer, at\u00e9 2044, servi\u00e7os adequados de abastecimento de \u00e1gua a 98% da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em terras ind\u00edgenas, de esgotamento sanit\u00e1rio a 89% e de manejo de res\u00edduos s\u00f3lidos a 94%.<\/p>\n<p>\u201cO Censo revela a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena como um dos piores grupos em condi\u00e7\u00f5es de saneamento. As terras das regi\u00f5es Norte e Nordeste t\u00eam menos acesso do que as do Sul e Sudeste\u201d, observa Bernardo Aleixo, engenheiro de sa\u00fade p\u00fablica do Instituto Ren\u00e9 Rachou, da Fiocruz Minas, que trabalhou na elabora\u00e7\u00e3o do PNSI.<\/p>\n<div>\n<div>\n<div><i><\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>O Censo revela a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena como um dos piores grupos em condi\u00e7\u00f5es de saneamento. As terras das regi\u00f5es Norte e Nordeste t\u00eam menos acesso do que as do Sul e Sudeste<\/div>\n<div>Bernardo Aleixo<\/div>\n<div>Engenheiro de sa\u00fade p\u00fablica da Fiocruz Minas<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Aleixo destaca desafios como a log\u00edstica de acesso \u00e0s comunidades amaz\u00f4nicas, o atendimento a grupos maiores de povos de recente contato, a necessidade de solu\u00e7\u00f5es que respeitem suas cosmovis\u00f5es e modos de vida, al\u00e9m dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que j\u00e1 levam aldeias a migrar diante da perda de corpos h\u00eddricos.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO diagn\u00f3stico constru\u00eddo com a participa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas confirmou a necessidade de solu\u00e7\u00f5es adaptadas \u00e0s caracter\u00edsticas socioculturais, ambientais e territoriais de cada regi\u00e3o\u201d, informou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e0 InfoAmazonia. \u201cNa Amaz\u00f4nia, as a\u00e7\u00f5es contemplam solu\u00e7\u00f5es descentralizadas, tecnologias adaptadas \u00e0s varia\u00e7\u00f5es sazonais e a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para reduzir os impactos de eventos extremos, como secas e cheias\u201d.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade prev\u00ea investimentos em saneamento ind\u00edgena de R$ 10,85 bilh\u00f5es em 20 anos, com R$ 187 milh\u00f5es de or\u00e7amento para 2026. De 2023 a 2025, foram aplicados R$ 667,3 milh\u00f5es em saneamento ambiental e infraestrutura nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas do Brasil.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que o Estado compreenda e assuma essa pol\u00edtica como uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. O acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 um direito b\u00e1sico essencial\u201d, diz a deputada e ex-ministra dos Povos Ind\u00edgenas Sonia Guajajara (PSOL-SP). Em julho, Sonia apresentou na C\u00e2mara uma proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o que destina 10% das emendas parlamentares individuais para a sa\u00fade ao atendimento ind\u00edgena \u2014 o equivalente a R$ 1,33 bilh\u00e3o \u2014, com o objetivo de criar uma fonte permanente de recursos para o setor.<\/p>\n<div>\n<div>\n<div><i><\/i><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\u00c9 fundamental que o Estado compreenda e assuma essa pol\u00edtica como uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. O acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel \u00e9 um direito b\u00e1sico essencial<\/div>\n<div>Sonia Guajajara<\/div>\n<div>Deputada e ex-ministra dos Povos Ind\u00edgenas<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<h2><strong>Solu\u00e7\u00f5es para o esgoto e o lixo<\/strong><\/h2>\n<p>Al\u00e9m da \u00e1gua, o esgotamento sanit\u00e1rio \u00e9 um problema central no saneamento das terras ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia Legal. Apenas 2.676 (0,6%) da popula\u00e7\u00e3o em aldeias t\u00eam acesso \u00e0 rede geral, rede pluvial ou fossa ligada \u00e0 rede de esgoto, e 17.438 (4,1%) contam com fossas s\u00e9pticas n\u00e3o ligadas \u00e0 rede \u2013 ambos sistemas adequados pelo PNSI \u2013, conforme an\u00e1lise da InfoAmazonia. J\u00e1 187,8 mil (44,3%) utilizam fossa rudimentar ou buraco e 146,7 mil (34,6%) n\u00e3o t\u00eam banheiro nem sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cCulturalmente, a maioria das etnias ind\u00edgenas sempre circulava, n\u00e3o se fixava num mesmo local. Eles tinham pontos de passagem. Com o assentamento em territ\u00f3rios, eles acabaram se fixando, sem estruturas sanit\u00e1rias\u201d, observa Caetano Scannavino. \u201cA gente sabe das dificuldades dos governos de trabalhar na regi\u00e3o amaz\u00f4nica com foco nessas comunidades. O custo log\u00edstico na Amaz\u00f4nia \u00e9 diferente de qualquer lugar.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sistemas de abastecimento de \u00e1gua encanada, de capta\u00e7\u00e3o de chuva e de perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os artesianos, o Projeto Sa\u00fade e Alegria instala tecnologias de esgotamento sanit\u00e1rio, como fossas r\u00fasticas \u2013 consideradas op\u00e7\u00f5es minimamente adequadas pela Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade \u2013, banheiros e sanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cMuitas doen\u00e7as que afligem a popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica s\u00e3o de origem h\u00eddrica, ocorr\u00eancias evit\u00e1veis tanto pelo aspecto de educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade e melhoria de higiene, quanto de conter os vetores de contamina\u00e7\u00e3o\u201d, analisa Scannavino. Para ele, a capacita\u00e7\u00e3o dos moradores em agentes ind\u00edgenas de saneamento fez com que \u201cpraticamente todos os sistemas instalados\u201d pela ONG continuassem operantes: \u201c\u00c9 fundamental ter pessoas habilitadas na pr\u00f3pria aldeia ou comunidade para fazer manuten\u00e7\u00e3o, reparos, com entendimento b\u00e1sico dos aparatos e das tecnologias implementadas.\u201d<\/p>\n<p>O lixo \u00e9 um aspecto do saneamento com ainda menos solu\u00e7\u00f5es e infraestruturas p\u00fablicas para as aldeias. Na Amaz\u00f4nia Legal, apenas 7,9% dos domic\u00edlios em terras ind\u00edgenas s\u00e3o atendidos por coleta de res\u00edduos s\u00f3lidos realizada por servi\u00e7o de limpeza, de acordo com a an\u00e1lise da InfoAmazonia. O principal destino \u00e9 a queima na propriedade (78,2%), seguido do descarte em terreno baldio, encosta ou \u00e1rea p\u00fablica (7,6%) e do enterro na aldeia (3,3%).<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o muitos produtos industrializados levados para dentro dos territ\u00f3rios, principalmente nas aldeias maiores. Ent\u00e3o, o ac\u00famulo de lixo tende a aumentar\u201d, observa Mariazinha Bar\u00e9. \u201cDe onde venho, Cucu\u00ed, s\u00e3o 500 fam\u00edlias. Os parentes moram em alguns locais inadequados. \u00c9 um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o para evitar que joguem esses res\u00edduos dentro do rio ou dos igarap\u00e9s, porque \u00e9 de l\u00e1 que a gente toma \u00e1gua. Temos relatos de diarreia e verminose, que v\u00eam de imediato.\u201d<\/p>\n<p>Na comunidade Terra Preta, na Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Puranga Conquista, perto de Manaus (AM), os ind\u00edgenas iniciaram um projeto piloto, com apoio da APIAM. Todo m\u00eas, uma balsa passa para coletar os res\u00edduos s\u00f3lidos que eles n\u00e3o conseguem aproveitar na comunidade. J\u00e1 o material org\u00e2nico vira, principalmente, adubo para as ro\u00e7as.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA gente quer ampliar essa experi\u00eancia para outras comunidades. Por\u00e9m, essas iniciativas n\u00e3o v\u00e3o abarcar as maiores, de 3 a 10 mil pessoas, onde os parentes j\u00e1 produzem outros tipos de lixo\u201d, diz Mariazinha. \u201cEm uma comunidade grande, que tem energia, os parentes utilizam eletrodom\u00e9sticos. Uma geladeira quebra, um fog\u00e3o, uma televis\u00e3o estraga, um computador. Para onde vai esse lixo? Como a gente vai trabalhar com esse lixo?\u201d.<\/p>\n<div data-initially-open=\"false\" data-click-to-close=\"true\" data-auto-close=\"true\" data-scroll=\"false\" data-scroll-offset=\"0\">\n<h3 role=\"button\">Metodologia<\/h3>\n<div>\n<p><strong>COMO ANALISAMOS O SANEAMENTO B\u00c1SICO EM TERRAS IND\u00cdGENAS?<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Nesta reportagem, coletamos e analisamos dados do Censo IBGE 2022, focados em terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Legal, com foco no abastecimento de \u00e1gua, esgotamento e destina\u00e7\u00e3o de lixo.<\/li>\n<li>Os shapefiles das terras ind\u00edgenas foram obtidos via biblioteca do R {geobr} e s\u00e3o disponibilizados originalmente pela FUNAI. Foi feito um cruzamento adicional com as tabelas de resultados gerais do IBGE para obter a correspond\u00eancia entre c\u00f3digos de TIs do IBGE e da FUNAI.<\/li>\n<li>Para refor\u00e7ar nosso compromisso com a transpar\u00eancia e garantir a replicabilidade das an\u00e1lises, a InfoAmazonia disponibiliza os dados nesta pasta.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/ciclo-de-debates-da-adufrgs-sindical-discute-justica-fiscal-e-fortalecimento-da-democracia\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-25-150x150.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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