{"id":100564,"date":"2026-08-17T16:33:17","date_gmt":"2026-08-17T19:33:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/educacao-as-humanidades-diante-do-colapso\/"},"modified":"2026-08-17T16:33:17","modified_gmt":"2026-08-17T19:33:17","slug":"educacao-as-humanidades-diante-do-colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/educacao-as-humanidades-diante-do-colapso\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o: as Humanidades diante do colapso"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1280\" height=\"720\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_4906960532246564139_y.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/photo_4906960532246564139_y.jpg 1280w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/08\/photo_4906960532246564139_y-300x169.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/08\/photo_4906960532246564139_y-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><figcaption>Imagem: Eryn Lougheed<\/figcaption><\/figure>\n<h3><strong>A Educa\u00e7\u00e3o em um presente em ebuli\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em uma manh\u00e3 fren\u00e9tica entre salas de aula e muitas turmas, entrei em um sexto ano da escola em que leciono para falar sobre as antiguidades plurais do Oriente M\u00e9dio. Perante trinta e tantos alunos, ministrava a disciplina de Hist\u00f3ria quando um pequeno levantou a m\u00e3o e disse: \u201cProfessor, sempre vem uma cat\u00e1strofe depois de uma cat\u00e1strofe, depois de uma cat\u00e1strofe\u2026\u201d, e sua fei\u00e7\u00e3o tornou-se resignada. Naquele momento me acendeu um alerta.<\/p>\n<p>Apesar de estarmos discutindo a tem\u00e1tica da escravid\u00e3o antiga e a diferen\u00e7a com a escraviza\u00e7\u00e3o moderna, al\u00e9m dos sofrimentos que eram infligidos aos sujeitos e aos povos oprimidos de todas as \u00e9pocas, aquela fala me angustiou. A palavra \u201ccat\u00e1strofe\u201d no tocante \u00e0 vida cotidiana das maiorias e a sua repeti\u00e7\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o intelectual de uma crian\u00e7a\u2026 \u201cSinal dos tempos\u201d, pensei e engoli a seco.<\/p>\n<p>Hoje, percebemos com certo atraso que entramos, silenciosamente, em uma era em que as caracter\u00edsticas hist\u00f3ricas do fascismo cl\u00e1ssico, aquele pretensamente derrotado ap\u00f3s a II Guerra Mundial, encontraram-se com a parafern\u00e1lia hiper tecnol\u00f3gica a que todos estamos submetidos por for\u00e7as externas.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1-17.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1-17.png 680w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2025\/12\/15-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>E a conjuntura anuncia uma nova cat\u00e1strofe \u2013 a conta-gotas \u2013 incitada por uma extrema-direita internacional capitaneada pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica e seus asseclas do Vale do Sil\u00edcio, ganhando f\u00f4lego e avan\u00e7ando sem maiores resist\u00eancias diante das d\u00e9beis democracias liberais que, capengas, so\u00e7obram de p\u00e9, al\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os internacionais como a ONU, desprovidos de um anseio combativo diante da barb\u00e1rie que nos arrasta.<\/p>\n<p>Vivemos, portanto, uma era de urg\u00eancias, onde o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico caminha <em>pari passu <\/em>com fundamentalismos religiosos violentos e uma aus\u00eancia de engajamento dentro dos antigos espa\u00e7os de milit\u00e2ncia e pr\u00e1tica pol\u00edtica, quando n\u00e3o nos per\u00edodos eleitorais.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, as maiorias tornam-se dessensibilizadas perante os fatos veiculados nas telas de seus celulares, onde brutalidades in\u00fameras ganham a aten\u00e7\u00e3o por apenas alguns segundos, quando o pr\u00f3ximo fato aparece para se sobrepor \u00e0quele: \u00e9 a \u201cl\u00f3gica do Big Data\u201d, chave de reflex\u00e3o cr\u00edtica proposta pelo fil\u00f3sofo sul-coreano Byung-Chul Han.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, some-se a este processo certa complac\u00eancia e mesmo um desejo de aniquila\u00e7\u00e3o do Outro (do imigrante, palestino, homossexual, etc.) retroalimentado pelas mesmas telas e suas redes sociais, a ca\u00f3tica maquinaria que as gera\u00e7\u00f5es mais novas t\u00eam utilizado sem saber a proced\u00eancia (seus idealizadores e articuladores) e a sua finalidade. \u201cGera\u00e7\u00f5es mais novas\u201d, leiam-se: o alunado em sala de aula.<\/p>\n<p>Nos encontramos em um interregno obscuro dadas as expectativas de alguns anos atr\u00e1s. As gera\u00e7\u00f5es permanecem, \u00e0 revelia e exaustas, dentro de nossas escolas presenciando e vivendo este tempo. O problema que trago, inicialmente, \u00e9: qual ser\u00e1 o impacto dessa conjuntura no futuro da Educa\u00e7\u00e3o brasileira?<\/p>\n<h3><strong>A escola como reflexo da sociedade<\/strong><\/h3>\n<p>Pensemos nas escolas, por um momento. Paremos para refletir a raz\u00e3o para a quantidade aterradora de acontecimentos perturbadores que temos assistido acerca do tratamento dado aos professores e professoras (evid\u00eancia da misoginia e do machismo \u00e0 brasileira) nos \u00faltimos anos. Os exemplos s\u00e3o in\u00fameros e sinalizam a realidade que bate \u00e0 porta, ao menos quando pensamos no \u00e2mbito do Brasil e da Am\u00e9rica Latina, regi\u00e3o que caminha a passos largos para tornar-se um quintal neocolonial dos EUA.<\/p>\n<p>Esses exemplos t\u00eam diferentes proced\u00eancias: de policiais militares invadindo corredores escolares na busca por atividades acerca das religi\u00f5es de matrizes africanas, alimentados pelo extremismo crist\u00e3o e imbu\u00eddos de uma avers\u00e3o \u00e0 diversidade religiosa, um dos pilares do ensino p\u00fablico e laico; at\u00e9 alunos que desrespeitam docentes em n\u00edveis criminosos, inserindo cacos de vidro em um copo d\u2019\u00e1gua direcionada \u00e0 sua professora.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/curso-rosa-luxemburgo-2.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/curso-rosa-luxemburgo-2.png 728w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2024\/04\/curso-rosa-luxemburgo-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Isso sem contar o cotidiano exaustivo e burocr\u00e1tico enfrentado pelos docentes que de tudo fazem, como se respons\u00e1veis fossem pela trajet\u00f3ria externa do alunado e seu pretenso projeto de exist\u00eancia, menos incit\u00e1-lo a refletir sobre a sua \u00e9poca e o mundo em que vive. O Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 \u00f3timo exemplo.<\/p>\n<p>N\u00e3o entremos, ent\u00e3o, na seara das militariza\u00e7\u00f5es do ambiente escolar e das tentativas legislativas, mercadol\u00f3gicas e religiosas do chamado <em>homeschooling<\/em>, proposta enxergada por muitas fam\u00edlias como uma solu\u00e7\u00e3o para aquilo que entendem ser a \u201cdoutrina\u00e7\u00e3o\u201d de professores em sala de aula \u2013 sobre a qual abordarei adiante. Sabemos bem que o caldo sempre entorna quando terminologias em ingl\u00eas aparecem nesses tristes tr\u00f3picos, tendo como alvo aqueles que refletem sobre a realidade circundante.<\/p>\n<p>O professorado tem vivido dias perturbadores que anunciam o colapso generalizado da Educa\u00e7\u00e3o brasileira, para permanecermos nessas latitudes. Colapso de uma educa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, comprometida, laica e plural <em>que poderia ter sido<\/em>, mas <em>nunca foi <\/em>em sua inteireza. Tal perturba\u00e7\u00e3o \u00e9 sentida n\u00e3o apenas no disp\u00eandio do Estado e seus \u00f3rg\u00e3os institucionais contra esse \u201ccampo\u201d em disputa, mas tamb\u00e9m no \u201cch\u00e3o de f\u00e1brica\u201d, nos corredores das escolas p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n<p>Quando entramos nesses espa\u00e7os, nos defrontamos com a sua realidade local, comunit\u00e1ria e familiar. Elemento indispens\u00e1vel ao lermos a realidade escolar como um reflexo da sociedade em que vivemos para al\u00e9m da institui\u00e7\u00e3o em si e sua proposta pedag\u00f3gica, tudo isso em um tempo que desliza pelos dedos de nossas m\u00e3os.<\/p>\n<h3><strong>As humanidades como alvo<\/strong><\/h3>\n<p>Como pesquisador e professor de Hist\u00f3ria, anseio uma reflex\u00e3o profunda para al\u00e9m dos conte\u00fados da disciplina ministrada, buscando na no\u00e7\u00e3o de \u201ctempo hist\u00f3rico\u201d a chave para compreender o colapso anunciado e os rumos de uma sociedade em disputa. Acerca dela, outros tantos problemas v\u00e3o surgindo, como a percep\u00e7\u00e3o dos alunos sobre a sua pr\u00f3pria \u00e9poca, sobre temporalidades passadas e conjunturas que, muitas vezes, s\u00e3o percebidas como fic\u00e7\u00f5es desinteressantes e fantasiosas \u00e0s crian\u00e7as concentradas em uma sala de aula.<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o, encontramos em suas cabecinhas certa resist\u00eancia e percep\u00e7\u00f5es moldadas por familiares e suas redes de sociabilidade. Contraditoriamente, esses mesmos pais e respons\u00e1veis almejam uma \u201cboa educa\u00e7\u00e3o\u201d aos seus filhos, enquanto detratam o docente que l\u00e1 est\u00e1, um especialista atento ao conte\u00fado te\u00f3rico da disciplina, percebido, agora, como um alvo a ser socialmente abatido por preconceitos diversos alimentados pelo senso comum. Quando falamos sobre as humanidades dentro do ambiente\/curr\u00edculo escolar, ent\u00e3o, outros tantos obst\u00e1culos s\u00e3o percebidos pelo educador engajado em seu of\u00edcio de ensinar criticamente acerca da realidade.<\/p>\n<p>Professores de Hist\u00f3ria n\u00e3o doutrinam alunos, mas argumentam com eles sobre as contradi\u00e7\u00f5es de um pa\u00eds nascido de uma col\u00f4nia de explora\u00e7\u00e3o, como o Brasil, onde n\u00e3o havia a possibilidade de se construir uma na\u00e7\u00e3o com expectativas igualit\u00e1rias e solid\u00e1rias ao seu povo \u2013 que n\u00e3o aquela prevista pelos setores dominantes de sua economia. A viol\u00eancia e as brutalidades transcorridas em tempos passados contra este mesmo povo, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o muitos distintas das atuais.<\/p>\n<p>Lembremos que \u201cdoutrinar\u201d n\u00e3o \u00e9 o papel do professor, mas de pastores, padres, rabinos e ide\u00f3logos pol\u00edtico-partid\u00e1rios (os \u201cinfluencers\u201d de hoje). No entanto, a ideia de que o professor \u00e9 um inimigo p\u00fablico n\u00e3o apenas corr\u00f3i a mentalidade da elite desde antes, como, hoje em dia, domina o pensamento de parcelas consider\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o brasileira, das classes m\u00e9dias \u00e0s maiorias pobres.<\/p>\n<p>As tecnologias do Norte se encontram, aqui, com a mat\u00e9ria-prima do professor: o aluno em forma\u00e7\u00e3o. E antes de compreend\u00ea-la como parte integrante da deforma\u00e7\u00e3o produzida nesses mesmos intelectos, notemos qual o primeiro local onde essa tecnologia \u00e9 utilizada e como ela age na racionalidade humana.<\/p>\n<p>O ambiente dom\u00e9stico e a fam\u00edlia, espa\u00e7os apregoados de discrimina\u00e7\u00f5es, preconceitos, polaridades ideol\u00f3gicas desconexas e uma aus\u00eancia de reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre a realidade. Ambientes onde h\u00e1 muita gente dessensibilizada perante um cruento cotidiano de desigualdades e injusti\u00e7as: um terreno f\u00e9rtil para o neofascismo \u00e0 brasileira.<\/p>\n<p>A massa que gesta a crian\u00e7a brasileira, o futuro cidad\u00e3o que participar\u00e1 da urbe, como nos ensinou o antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro, \u201cchega \u00e0 escola com um racioc\u00ednio desenvolvido de acordo com as refer\u00eancias de sua comunidade. Para dominar a cultura da cidade e dos livros, ela precisar\u00e1 aprender a pensar na l\u00edngua pr\u00f3pria dessa cultura\u201d. Mas, e quando se odeia tanto a pr\u00f3pria cultura, ou desconhece-a, percebida como mais uma \u201cnarrativa pol\u00edtica\u201d, al\u00e9m do orgulho nutrido da pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, quando pensamos o bolsonarismo, t\u00e3o fecundo em muitos lares do Brasil?<\/p>\n<p>Como escreveu o fil\u00f3sofo Vladimir Safatle, cirurgicamente: \u201cN\u00e3o por acaso, as primeiras a\u00e7\u00f5es da extrema direita no poder s\u00e3o normalmente contra universidades, escolas e o campo da cultura. Por que \u00e9 necess\u00e1rio reorientar as formas de reprodu\u00e7\u00e3o material das sensibilidades, ela precisa recompor radicalmente os circuitos sociais dos afetos e nada mais urgente do que levar tal luta para os campos da forma\u00e7\u00e3o social, para as institui\u00e7\u00f5es da cultura e da pedagogia\u201d.<\/p>\n<p>Compreendo que professores de Hist\u00f3ria, ademais, tentam construir um universo de sentido entorno da no\u00e7\u00e3o de tempo hist\u00f3rico, apresentando potencialidades e expectativas sobre o futuro pr\u00f3ximo. Construir um horizonte alternativo a partir da leitura que se faz, em sala de aula, de seu passado. \u00c9 nesse momento que o fascismo encontra resist\u00eancias.<\/p>\n<p>Quando se prop\u00f5e a incitar o alunado \u00e0 reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre a realidade circundante, o sistema econ\u00f4mico e as quest\u00f5es de ordem social e pol\u00edtica, partindo do tempo presente ao passado, algumas luzes vermelhas se acendem diante de um mestre que come\u00e7a uma aula, muitas vezes, nas entranhas da autocensura e atento ao restante da burocracia escolar.<\/p>\n<p>Nada \u00e9 \u201cpor acaso\u201d dentro da escola: nem as in\u00fameras viol\u00eancias, nem a aus\u00eancia de pensamento ou leitura cr\u00edtica sobre o mundo. Quem s\u00e3o, onde est\u00e3o e o que fazem esses alunos ap\u00f3s findado o hor\u00e1rio dos estudos? O que consomem e quais espa\u00e7os frequentam com os membros de sua comunidade\/bairro\/grupo? Vivemos escolas e um pa\u00eds em disputa. Enquanto escrevo essas palavras, o neofascismo que avan\u00e7a tra\u00e7a um horizonte dist\u00f3pico para todos, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es que se encontram dentro do ambiente escolar, e l\u00e1 fora, com seus celulares em punho.<\/p>\n<h3><strong>Tecnologia, neofascismo e a no\u00e7\u00e3o de tempo hist\u00f3rico<\/strong><\/h3>\n<p>A raz\u00e3o do sujeito humano, da crian\u00e7a em forma\u00e7\u00e3o, carece do estudo da Hist\u00f3ria como um direito humano \u00e0 mem\u00f3ria e ao conhecimento plural da realidade \u2013 sobre o povo de seu pa\u00eds e de todos os povos e suas diversidades espalhados pelo mundo, entre resist\u00eancias e opress\u00f5es, lutas e agruras experimentados ao longo do tempo.<\/p>\n<p>De acordo com Byung-Chul Han, \u00e9 da\u00ed que surge a compreens\u00e3o abstrata \u2013 e intelectual \u2013 do \u201ccome\u00e7o e o fim de um processo\u201d que formam certa \u201cconex\u00e3o\u201d com sentido, uma unidade doadora de sentido. E a narra\u00e7\u00e3o torna-se um importante elemento deste processo: narram-se os tempos, as mudan\u00e7as e perman\u00eancias, questionando-os.<\/p>\n<p>Para o autor, estamos dispersos e anestesiados, por que incapazes de parar por um instante e refletir. N\u00e3o h\u00e1 mais tempo para reflex\u00f5es aprofundadas acerca dos problemas do mundo: \u201ca acelera\u00e7\u00e3o total ocorre em um mundo onde tudo se tornou aditivo e cada tens\u00e3o narrativa, cada tens\u00e3o vertical, foi perdida\u201d. A l\u00f3gica de nossa \u00e9poca, a l\u00f3gica dos Big Data, \u201c\u00e9 uma era sem raz\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, s\u00f3 h\u00e1 um espa\u00e7o que permanece como resist\u00eancia a este mundo tragado pelo neoliberalismo, o avan\u00e7o incessante da hiper tecnologia que acarreta a destrui\u00e7\u00e3o ambiental degradadora da vida e dos fundamentalismos religiosos: as escolas, e dentro de seus curr\u00edculos, algumas poucas horas para debater este mundo. \u00c9 nas humanidades, na Hist\u00f3ria, Geografia, Filosofia e Sociologia que isso ocorre. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que s\u00e3o as mais atacadas.<\/p>\n<p>Mais que uma mera doutrina\u00e7\u00e3o acerca dos campos pol\u00edticos em disputa (sobre os quais o professor deve, sim, dominar), como imaginam muitos, n\u00e3o \u00e9 seu papel incitar ou debater elei\u00e7\u00f5es, personas pol\u00edticas e suas querelas. Em um tempo onde a pol\u00edtica tornou-se espet\u00e1culo, a pr\u00f3pria racionalidade pol\u00edtica em busca do bem-estar coletivo se perdeu. Nasce um tempo \u201csem raz\u00e3o\u201d, como apontou Byung-Chul Han.<\/p>\n<p>Duas for\u00e7as agem como elementos fomentadores neste caso: o mercado e a religi\u00e3o. Compreendida como perigo em potencial, a escola \u00e9 percebida pelas for\u00e7as econ\u00f4micas externas e dom\u00e9sticas, tornando-se, gradualmente, mais uma empresa a ser gerida \u2013 logo, controlada. A l\u00f3gica neoliberal de mercado consome a todos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que muitos governos almejam o fim do ensino p\u00fablico e mesmo das escolas privadas, como hoje se apresentam.<\/p>\n<p>J\u00e1 o tempo hist\u00f3rico passa a ser lido como ap\u00eandice da cosmovis\u00e3o religiosa de parcelas consider\u00e1veis dos alunos, que trazem de seus lares, do \u00e2mbito privado de sua f\u00e9, as marcas do pretenso universalismo crist\u00e3o de car\u00e1ter totalit\u00e1rio. A disciplina de Hist\u00f3ria e a pluralidade de vis\u00f5es acionada pelo curr\u00edculo parece \u201cestar no caminho\u201d da verdadeira doutrina\u00e7\u00e3o ocorrida em templos e suas igrejas-empresas.<\/p>\n<p>Tanto a l\u00f3gica de mercado como a cosmovis\u00e3o religiosa s\u00e3o abra\u00e7ados pelo mundo virtual, produzindo uma contramarcha que avan\u00e7a sobre as escolas e as novas gera\u00e7\u00f5es. Como tudo \u00e9 espet\u00e1culo, e a pol\u00edtica n\u00e3o fica para tr\u00e1s, h\u00e1, finalmente, \u201cuma politiza\u00e7\u00e3o da vida em todas as suas dimens\u00f5es, que esper\u00e1vamos ser poss\u00edvel apenas em situa\u00e7\u00e3o de reconcilia\u00e7\u00e3o social e emancipa\u00e7\u00e3o coletiva. S\u00f3 que agora essa politiza\u00e7\u00e3o marcha contra n\u00f3s\u201d, aponta Vladimir Safatle.<\/p>\n<h3><strong>O futuro da Educa\u00e7\u00e3o e a percep\u00e7\u00e3o das temporalidades hist\u00f3ricas<\/strong><\/h3>\n<p>O Brasil sob Lula III (2022-2026) perde tempo em tentar dialogar com os novos donos do mundo, esses bilion\u00e1rios e suas companhias, os \u201canjos tronchos do Vale do Sil\u00edcio, desses que vivem no escuro em plena luz\u201d, como comp\u00f4s Caetano Veloso, em 2021. Se a Lei n\u00ba 15.100\/2025, promulgada por este governo, que pro\u00edbe telefones celulares nas escolas, parece auxiliar o trabalho docente e das equipes gestoras, o mundo l\u00e1 fora caminha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 escurid\u00e3o sobre a compreens\u00e3o cr\u00edtica do mundo e da realidade que se despeda\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, essa utiliza\u00e7\u00e3o desregrada de <em>smartphones<\/em> nas escolas, agora interrompida (mas sempre desrespeitada por alunos e respons\u00e1veis, deixando absorto o docente em seu of\u00edcio), permanece como uma regra nos espa\u00e7os privados e no cotidiano de todos.<\/p>\n<p>Se a desesperan\u00e7a cresce perante o \u00e1rido realismo capitalista, a \u00fanica sa\u00edda seriam as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es encontrarem a solu\u00e7\u00e3o para as cat\u00e1strofes que se repetem. Essa solu\u00e7\u00e3o passa pelo ensino e pela busca por um conhecimento sistematizado, dotado de sentido, sobre a realidade social que por todos \u00e9 constru\u00edda, mesmo por aqueles que almejam a sua destrui\u00e7\u00e3o, a aniquila\u00e7\u00e3o de grupos sociais diferentes e um Estado com fei\u00e7\u00f5es suicid\u00e1rias<strong>,<\/strong> como explicou Safatle em obra supracitada.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que as humanidades s\u00e3o constantemente vilipendiadas por for\u00e7as pol\u00edticas \u00e0 direita e mesmo pela burocracia do Estado e suas ramifica\u00e7\u00f5es em governos de centro-esquerda, tanto em tempos ditatoriais (1964-1985), como em conjunturas democr\u00e1ticas, em seu sentido institucional, como o vivido ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<p>Como argumentam as historiadoras Elza Nadai e Circe Bittencourt, h\u00e1 um expl\u00edcito \u201cdesprest\u00edgio\u201d da comunidade escolar perante tais disciplinas. No caso da Hist\u00f3ria e da percep\u00e7\u00e3o que o alunado tem acerca das m\u00faltiplas temporalidades, seus ritmos e dura\u00e7\u00f5es, a situa\u00e7\u00e3o se complexifica, embasada nesse desprest\u00edgio que s\u00f3 avan\u00e7ou entre as fam\u00edlias e por grande parte da sociedade acometida pelo \u00f3dio \u00e0 cultura e ao conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Portanto, como apontam as autoras, na contram\u00e3o dessa avalanche delet\u00e9ria proporcionada dos elementos citados, existiria uma preocupa\u00e7\u00e3o premente de historiadores e professores em \u201ccompreender nosso universo social pelas for\u00e7as de mudan\u00e7a e resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a, suas rupturas e continuidades\u201d, percebendo que \u201co cotidiano escolar demonstra, entretanto, uma \u2018resist\u00eancia\u2019 \u00e0s \u2018mudan\u00e7as\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Quando Nadai e Bittencourt escreveram sobre a necessidade de se \u201crefletir sobre o sentido pol\u00edtico e social da disciplina hist\u00f3rica\u201d, em 2009, sendo a no\u00e7\u00e3o de tempo hist\u00f3rico central \u00e0 sua argumenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estavam diante da toxicidade perversa que se abateu sobre o mundo p\u00f3s-pand\u00eamico no Brasil, onde os sujeitos tiveram as suas estruturas de sensibilidade \u201ctalhadas no fogo da indiferen\u00e7a e da dessensibiliza\u00e7\u00e3o\u201d, apontado por Safatle.<\/p>\n<p>Por um acaso, n\u00e3o \u00e9 papel do professor de Hist\u00f3ria sensibilizar os estudantes no tocante \u00e0s disparidades, contradi\u00e7\u00f5es e injusti\u00e7as que corroeram indiv\u00edduos e popula\u00e7\u00f5es ao largo dos s\u00e9culos? \u00c9 a\u00ed que mora a resist\u00eancia apontada pelas pesquisadoras.<\/p>\n<h3><strong>Apontamentos finais: o combate ao neofascismo e a escola<\/strong><\/h3>\n<p>Esse fascismo com novas roupagens n\u00e3o tem apenas um projeto de governo, apesar de muitos fascistas se deleitarem com a boa vida que levam em seus cargos p\u00fablicos ou na eterna busca deles dentro de democracias liberais, mas um <em>projeto de sociedade<\/em>: a constru\u00e7\u00e3o de uma outra ordem sens\u00edvel, produzindo uma \u201cdessensibiliza\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica\u201d atrav\u00e9s dos poros sociais, onde a barb\u00e1rie cotidiana passa ser naturalizada.<\/p>\n<p>As coisas s\u00e3o como s\u00e3o, como alguma divindade almejou ou como a ordem econ\u00f4mica dita. Essa uni\u00e3o entre a aus\u00eancia de pensamento (e de leitura) cr\u00edtica acerca da pr\u00f3pria realidade e dos sentidos hist\u00f3ricos que ela constr\u00f3i s\u00e3o percebidas, hoje, no ambiente escolar, como um sinal vermelho desses tempos sombrios.<\/p>\n<p>No passado, Darcy Ribeiro escreveu que \u201co descaso mais vil e o desinteresse mais crasso pelo destino dos pobres \u00e9 tra\u00e7o aut\u00eantico do car\u00e1ter nacional brasileiro\u201d. Tal reflex\u00e3o amparava-se no debate sobre o alunado e a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em especial. Hoje, apesar do descaso permanecer, a escola tem se transformado em um laborat\u00f3rio de experimenta\u00e7\u00f5es, um espa\u00e7o de disputa pelas gera\u00e7\u00f5es que se encontram nas escolas p\u00fablicas e privadas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A predile\u00e7\u00e3o \u00e9 que esse aluno pobre saiba somar e multiplicar, assinar o nome, redigir par\u00e1grafos e aprender o ingl\u00eas, a l\u00edngua do Norte, primordialmente. Assim como h\u00e1 interesses perversos da classe dominante empresarial em promover atitudes e sensibilidades distorcidas em institui\u00e7\u00f5es privadas \u2013 meritocr\u00e1ticas, t\u00e9cnicas e maqu\u00ednicas \u2013 onde a aus\u00eancia das humanidades e da discuss\u00e3o sobre a realidade social torna-se a regra. Estuda-se apenas para competir em um mercado saturado, adoentado e desigual.<\/p>\n<p>Por fim, quando um aluno do sexto ano do ensino fundamental percebe que cat\u00e1strofes sociais \u2013 como a escraviza\u00e7\u00e3o de pessoas \u2013 se repetem, de s\u00e9culo em s\u00e9culo, o professor compreende que h\u00e1 rachaduras nesse processo ideol\u00f3gico em curso, no projeto de sociedade insens\u00edvel ao sofrimento do Outro que almeja o neofascismo.<\/p>\n<p>Portanto, atrav\u00e9s das \u201carmas da cr\u00edtica\u201d, resta ao professorado desvelar como essa cat\u00e1strofe foi e \u00e9 produzida pelos pr\u00f3prios sujeitos a partir de suas estruturas sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais inseridas em um tempo hist\u00f3rico espec\u00edfico \u2013 e os meios de evit\u00e1-la. Desvelando assim o tempo presente e o valor que o tempo cotidiano tem na cultura atual, medida pela produtividade e pela otimiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Uma vida desprovida de sentido, expectativas e esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Atento ao impacto do neofascismo na Educa\u00e7\u00e3o brasileira, uma indaga\u00e7\u00e3o permanece: evitaremos o seu colapso, como mais uma cat\u00e1strofe anunciada?<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>BITTENCOURT, Circe; NADAI, Elza. Repensando a no\u00e7\u00e3o de tempo hist\u00f3rico no ensino. In: PINSKY, Jaime. <strong>O ensino da Hist\u00f3ria e a cria\u00e7\u00e3o do fato<\/strong>. S\u00e3o Paulo, Contexto, 2009.<\/p>\n<p>HAN, Byung-Chul. <strong>Psicopol\u00edtica<\/strong>: o Neoliberalismo e as novas t\u00e9cnicas de poder. S\u00e3o Paulo, Editora \u00c2yn\u00e9, 2023.<\/p>\n<p>RIBEIRO, Darcy. <strong>Educa\u00e7\u00e3o como Prioridade<\/strong>. S\u00e3o Paulo, Global Editora, 2018.<\/p>\n<p>SAFATLE, Vladimir. <strong>A Amea\u00e7a Interna<\/strong>: Psican\u00e1lise dos novos fascismos globais. S\u00e3o Paulo, Ubu Editora, 2026.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Moldados pelas telas e redes sociais, como os alunos percebem sua pr\u00f3pria \u00e9poca e desenvolvem ideias cr\u00edticas? Quem \u201cdoutrina\u201d mais: o professor de Hist\u00f3ria ou o <i>influencer<\/i>?<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-brasileira\/educacao-as-humanidades-diante-do-colapso\/\">Educa\u00e7\u00e3o: as Humanidades diante do colapso<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":100565,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2968,6961,8993,6007,31878,8672,95,9135,4368,2298,423,72514,80130,5111,2956,44658,61],"tags":[],"class_list":["post-100564","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-avanco-tecnologico","category-big-data","category-byung-chul-han","category-crise-brasileira","category-docencia","category-doutrinacao","category-educacao","category-educacao-brasileira","category-educacao-publica","category-escola","category-extrema-direita","category-homeschooling","category-militarizacoes","category-neofascismo","category-neoliberalismo","category-sociabilidade","category-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100564"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100564\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100565"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}