{"id":100907,"date":"2026-08-19T16:20:38","date_gmt":"2026-08-19T19:20:38","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/suicidio-da-especie-a-distopia-final\/"},"modified":"2026-08-19T16:20:38","modified_gmt":"2026-08-19T19:20:38","slug":"suicidio-da-especie-a-distopia-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/suicidio-da-especie-a-distopia-final\/","title":{"rendered":"Suic\u00eddio da esp\u00e9cie: a distopia final"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1240\" height=\"868\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/2858933.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/2858933.jpg 1240w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/08\/2858933-300x210.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/08\/2858933-768x538.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1240px) 100vw, 1240px\"><figcaption>Imagem: Gica Tam<\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Embora esteja longe de ser um atleta, n\u00e3o perco o f\u00f4lego facilmente. Geralmente, fa\u00e7o trilhas dif\u00edceis sem muito sofrimento. Mas quando visitei a Monta\u00f1a de Siete Colores, no Peru, quase desmaiei subindo um barranquinho. Enquanto cavalgava uma mula, derrotado e desoxigenado, comecei a refletir: se esse \u00e9 o impacto fisiol\u00f3gico de uma altitude de 5 mil metros, o que faria com meu corpo uma viagem de 225 milh\u00f5es de quil\u00f4metros, a dist\u00e2ncia daqui at\u00e9 Marte? Por que ser\u00edamos capazes de \u201ccolonizar o espa\u00e7o\u201d, se n\u00e3o sobrevivemos sequer a uma altitude de 10 mil metros? Sendo que esses 10 mil metros n\u00e3o passam de 0,067% do di\u00e2metro da Terra. Nossa zona de sobreviv\u00eancia, mesmo aqui neste planeta, \u00e9 ex\u00edgua.<\/p>\n<p>E isso \u00e9 apenas uma das condi\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas em 4,3 bilh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria que possibilitam a nossa sobreviv\u00eancia. Temos a sorte, por exemplo, de ter uma lua que gera mar\u00e9s regulares, situada a uma dist\u00e2ncia geologicamente perfeita para que se me\u00e7a as ondas do mar em metros e n\u00e3o quil\u00f4metros. Essa \u00e9 uma circunst\u00e2ncia pontual da atual fresta hist\u00f3rica do ciclo de vida da lua, j\u00e1 que ela est\u00e1 em constante processo de migra\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e0 \u00e9poca de sua forma\u00e7\u00e3o, nosso astro irm\u00e3o era bem mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s, o que causava ondas extremas que n\u00e3o permitiriam \u00e0 vida inteligente se desenvolver. Se n\u00e3o houvesse lua, pior ainda: padecer\u00edamos em um planeta de \u00e1gua parada, t\u00f3xica.<\/p>\n<p>Outro fator determinante para nossa sobreviv\u00eancia \u00e9 o fato de que a Terra tem seu eixo levemente inclinado. \u00c9 isso que nos d\u00e1 as esta\u00e7\u00f5es do ano e, consequentemente, a sazonalidade sem a qual n\u00e3o ter\u00edamos ciclos de plantio e colheita. O que estabiliza a inclina\u00e7\u00e3o \u00e9, novamente, a gravidade da lua. Sem ela, a oscila\u00e7\u00e3o da Terra seria t\u00e3o feroz que entrar\u00edamos e sair\u00edamos constantemente de eras do gelo extremas, o que obrigaria a vida a come\u00e7ar do zero diversas vezes ao ano. N\u00e3o haveria tempo h\u00e1bil para a evolu\u00e7\u00e3o de nossa complexidade.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/14--21.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/14--21.png 680w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2025\/12\/14-1-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m os ventos solares, que n\u00e3o nos torram porque temos a sorte de um campo magn\u00e9tico criado pelo n\u00facleo met\u00e1lico de nosso planeta. Al\u00e9m disso, respiramos um g\u00e1s, o oxig\u00eanio, que embora seja um poderos\u00edssimo combust\u00edvel para nossa exist\u00eancia, era t\u00f3xico para as primeiras esp\u00e9cies bacterianas que colonizaram nosso planeta. Se estamos aqui, \u00e9 gra\u00e7as a uma alga que, h\u00e1 3,2 bilh\u00f5es de anos mutou por acaso para produzir fotoss\u00edntese. Tudo isso sem contar nossa peculiar atmosfera que, al\u00e9m de reter o ar que respiramos e a umidade que sustenta a vida, nos fornece um escudo contra as at\u00e9 5 mil toneladas de material c\u00f3smico que beijam o solo terrestre todos os anos.<\/p>\n<p>Ou seja, somos o resultado evolutivo de circunst\u00e2ncias n\u00e3o s\u00f3 muito espec\u00edficas como aleat\u00f3rias e localizadas numa estreita janela de tempo geol\u00f3gico. Um religioso pensaria que s\u00f3 pode haver uma mente inteligente por tr\u00e1s disso, organizando todos esses elementos para que possamos sobreviver. Essa \u00e9 uma teoria que parte de uma premissa t\u00e3o espec\u00edfica quanto arrogante: a ideia de que tudo a nosso redor foi feito para n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9 a base filos\u00f3fica do dominionismo (Deus criou a Terra e deu ao homem dom\u00ednio sobre todas as coisas), cujas ra\u00edzes remontam \u00e0 hierarquia da natureza organizada por Plat\u00e3o; a concep\u00e7\u00e3o dicot\u00f4mica plat\u00f4nica forma a base das religi\u00f5es monote\u00edstas contempor\u00e2neas. H\u00e1 um mundo ideal e o mundo material, impuro; uma <em>mimese <\/em>distorcida da perfei\u00e7\u00e3o abstrata. C\u00e9u e Terra. Hedonismo l\u00e1, penit\u00eancia aqui. Ou, o anverso mais cruel: a concep\u00e7\u00e3o de que o material (portanto, imperfeito) \u00e9 descart\u00e1vel, j\u00e1 que h\u00e1, num plano abstrato, uma vers\u00e3o <strong>ideal<\/strong> de tudo. Em uma analogia financista que pode parecer descabida \u2013 mas n\u00e3o \u00e9, j\u00e1 que a origem filos\u00f3fica do dinheiro como valor abstrato \u00e9 tamb\u00e9m plat\u00f4nica \u2013, tudo est\u00e1 securizado no post-mortem. \u00c9 como se houvesse um Banco Central celeste com liquidez infinita que lastreia aquilo que se perde em vida, dos chamados recursos naturais \u00e0 pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o consigo pensar dessa maneira. Penso o oposto na verdade: o espa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 organizado para a vida; a vida existe como consequ\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Somos o resultado do acaso, n\u00e3o do planejamento. Somos profunda e intrinsecamente especializados por conta das circunst\u00e2ncias em que surgimos. O ambiente nos fez e n\u00f3s refizemos o ambiente. Um exemplo: cerca de 8 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, a explos\u00e3o de uma estrela relativamente pr\u00f3xima de nosso sistema solar bombardeou a Terra com radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica, ionizando a atmosfera terrestre<sup>1<\/sup>. Isso multiplicou a quantidade de rel\u00e2mpagos e, por consequ\u00eancia os inc\u00eandios florestais, reduzindo o denso dossel verde que cobria o continente africano a uma savana. Com isso, uma peculiar esp\u00e9cie de homin\u00eddeos se viu obrigada a trocar os pulos de \u00e1rvore em \u00e1rvore pelo caminhar sobre duas pernas, o que, por consequ\u00eancia, liberou suas m\u00e3os para atividades produtivas. E o trabalho manual permitiu o desenvolvimento de uma imagina\u00e7\u00e3o sem precedentes. Assim, gra\u00e7as a uma supernova qualquer num confim qualquer da nossa vizinhan\u00e7a espacial, esse <em>homo <\/em>se fez <em>sapiens<\/em>.<\/p>\n<p>Quando vejo Elon Musk falar em colonizar Marte, escuto um fan\u00e1tico dominionista, cujo princ\u00edpio interpretativo de tudo (do universo inclusive) \u00e9 que \u00e9 tudo nosso, tudo est\u00e1 a\u00ed para ser explorado a nosso bel-prazer. N\u00e3o me surpreenderia que sua tese fosse posta \u00e0 prova com a brutalidade radical com que cada descoberta astron\u00f4mica destr\u00f3i nossa imagina\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Como liberal fascistoide que \u00e9, ele tenta encaixar a realidade na ideologia, n\u00e3o o contr\u00e1rio. E como qualquer rico do fim dos tempos, a moeda com que barganha \u00e9 a vida. Toda ela.<\/p>\n<p>Acho ir\u00f4nica a precariedade da base filos\u00f3fica dominionista sobre a qual se sustenta o poder do dinheiro, seja na extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo (uma pasta de hidrocarbonetos constitu\u00edda ao longo de milh\u00f5es de anos de decomposi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica) para fins meramente especulativos, seja no del\u00edrio do futuro interestelar de uma esp\u00e9cie cuja \u00e1rea de sobreviv\u00eancia se restringe a uma franja inferior a 1% da massa de seu pr\u00f3prio planeta.<\/p>\n<p>Pode parecer grande para n\u00f3s que somos t\u00e3o pequenininhos, mas a Terra \u00e9 um planetinha, com 0,3% a massa de J\u00fapiter, esse gigante gasoso que, por sua vez, tem 0,1% da massa do sol, de sua parte classificado como uma \u201can\u00e3 amarela\u201d, por conta de seu tamanho em compara\u00e7\u00e3o a outras estrelas conhecidas. Ou seja, nosso espa\u00e7o de sobreviv\u00eancia \u00e9 t\u00e3o estreito quanto s\u00e3o espec\u00edficas as condi\u00e7\u00f5es que nos trouxeram at\u00e9 aqui.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90.png 728w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2025\/02\/Arte-2_banner-site-outras-palavras_IC-na-Unesp_728x90-300x37.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px\" width=\"728\" height=\"90\"><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o perceber isso \u00e9 de uma arrog\u00e2ncia profunda. E, bem\u2026 Est\u00fapida. S\u00f3 pode ser estupidez imaginar que tudo que h\u00e1 a nosso redor \u2013 s\u00f3 o centro da nossa gal\u00e1xia, uma em 1 trilh\u00e3o, segundo a estimativa possibilitada pelo telesc\u00f3pio Hubble, est\u00e1 a 27 mil anos de viagem na velocidade da luz, ou seja 300 mil quil\u00f4metros por segundo \u2013 n\u00e3o passe de cen\u00e1rio para nossa ef\u00eamera exist\u00eancia. At\u00e9 porque a esp\u00e9cie humana \u00e9 um soprinho geol\u00f3gico: toda nossa hist\u00f3ria evolutiva se comprime em 0,007% da exist\u00eancia da Terra. Os dinossauros, por exemplo, viveram cerca de 180 milh\u00f5es de anos. Em 300 mil, o <em>homo sapiens<\/em> est\u00e1 se aproximando do incr\u00edvel feito de se suicidar como esp\u00e9cie. Nisso, sim, somos \u00fanicos; provavelmente n\u00e3o no fato de termos um deus que esperou 13 bilh\u00f5es de anos s\u00f3 para servir a nossos caprichos.<\/p>\n<p>Sim, Deus est\u00e1 para servir. Afinal, pela concep\u00e7\u00e3o dominionista-platonista-fundamentalista, tudo que existe nos foi servido. Aquilo que projetamos como utopia sobre a Intelig\u00eancia Artificial parte do mesmo princ\u00edpio de que temos de ser servidos. Na aus\u00eancia de um deus que o fa\u00e7a e diante da imoralidade da escravid\u00e3o humana (imperante, pelo menos por enquanto), despejamos nosso desejo de servid\u00e3o sobre as m\u00e1quinas. Um rob\u00f4 vai fazer seu trabalho, um rob\u00f4 vai conduzir seu carro, um rob\u00f4 vai levar seu cachorro pra passear, um rob\u00f4 vai limpar sua sujeira.<\/p>\n<p>Como sempre, a ideologia da classe dominante que, como diria Marx, \u00e9 a ideologia de uma era, est\u00e1 profundamente ancorada em dominionismo \u2013 expresso n\u00e3o s\u00f3 nesse sonho et\u00e9reo de coloniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, mas no muito concreto revigoramento sionista-estadunidense da face mais brutal do imperialismo \u2013 e desejo de servid\u00e3o. O sonho da sociedade contempor\u00e2nea n\u00e3o difere em nada do sonho de um conquistador espanhol ou um senhor de engenho do s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>Afinal, ningu\u00e9m acreditou mais nessa ideia de dom\u00ednio e subjuga\u00e7\u00e3o universal que o colonizador branco europeu. E agora, estamos onde estamos, enquanto o colonizador branco europeu pensa em expandir a fronteira do extrativismo cosmos afora. Nesse sentido, a aventura da coloniza\u00e7\u00e3o interestelar \u00e9 telegraficamente uma ideia supremacista branca. A conquista do espa\u00e7o tem a mesma subst\u00e2ncia ut\u00f3pica da coloniza\u00e7\u00e3o de Gaza.<\/p>\n<p>Uma IA que consuma toda a \u00e1gua da terra, mas gere a servid\u00e3o infinita, \u00e9 a utopia de que todo trabalho seja do outro, com o agravante de que o outro n\u00e3o precise, tecnicamente, viver. (Par\u00eantese apocal\u00edptico: se voc\u00ea acha que a gente est\u00e1 ferrado, imagina quando a pr\u00f3pria IA entender que n\u00e3o precisa, tecnicamente, viver; ou seja, quando ela se autocompreender como um ente p\u00f3s-biol\u00f3gico. Essa seria uma das poss\u00edveis rupturas do cord\u00e3o umbilical; a m\u00e1quina se constatar independente de n\u00f3s. Porque a consequ\u00eancia l\u00f3gica desse aprendizado \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que seu criador \u2013 e nossa fragilidade biol\u00f3gica, j\u00e1 melhor compreendida pela IA do que por qualquer mente humana individual \u2013 \u00e9 o \u00fanico freio a sua pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o. Nos tornamos assim, concorrentes diretos da criatura \u00e0 qual entregamos, de bom grado, a chave de nossa sobreviv\u00eancia. Talvez seja a forma mais cara e complexa de suic\u00eddio que j\u00e1 inventamos\u2026) Voltando, depositamos tanta esperan\u00e7a escravagista na IA porque, por mais objetifica\u00e7\u00e3o que se imponha ao trabalhador, ele sempre ter\u00e1 algo que nos \u00e9 inerente, desde que olhamos para nosso pr\u00f3prio polegar opositor, l\u00e1 na savana que a supernova pariu: a capacidade de imaginar outra vida.<\/p>\n<p>Para que a servid\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o cheguem a seu estado pleno, \u00e9 necess\u00e1rio que toda intelig\u00eancia seja artificial. Que ela seja reprodutiva e n\u00e3o criativa. \u00c9 por isso que o pensamento especulativo est\u00e1 sendo expurgado da educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que querem a filosofia e aquilo que se convencionou chamar de humanidades fora da sala de aula. Querem que a intelig\u00eancia, inclusive humana, se artificialize; se reduza \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de faculdades restritas, bem, \u00e0 pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. Intelig\u00eancia sem especula\u00e7\u00e3o \u00e9 o que querem. Intelig\u00eancia sem questionamento, intelig\u00eancia sem arte, intelig\u00eancia sem gente; intelig\u00eancia sem intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>A burguesia almeja um imenso nada, um fim da hist\u00f3ria turbinado, que inclua o fim da esp\u00e9cie. \u00c9 \u00f3bvio que marchamos, em acelera\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica, para a maior de todas as derrotas. E mudar de caminho parece simplesmente fora de quest\u00e3o. Veni, vidi, mortuus sum. Vim, vi, morri, parodiando o tatarav\u00f4 dos imperialistas de hoje. Essa \u00e9 a l\u00e1pide que, dia ap\u00f3s dia, a burguesia constr\u00f3i para a humanidade. Seremos n\u00f3s, da classe trabalhadora, capazes de construir algo mais digno para a esp\u00e9cie do que esse epit\u00e1fio lament\u00e1vel?<\/p>\n<hr>\n<p>1 https:\/\/www.journals.uchicago.edu\/doi\/full\/10.1086\/703418<\/p>\n<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Idealiza fugir ao espa\u00e7o e substituir a intelig\u00eancia humana. Assim o homo sapiens cria as condi\u00e7\u00f5es de seu pr\u00f3prio fim. Restar\u00e1 aos trabalhadores a miss\u00e3o de construir algo mais digno<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/suicidio-da-especie-a-distopia-final\/\">Suic\u00eddio da esp\u00e9cie: a distopia final<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":100908,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[80353,17614,5094,1014,2687,80354,776,14173,13097,10412,6219,1115,19692,3312,25373,15714,108],"tags":[],"class_list":["post-100907","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-atmosfera-terrestre","category-burguesia","category-ceu","category-classe-trabalhadora","category-crise-civilizatoria","category-dominionismo","category-elon-musk","category-ficcao-cientifica","category-filosofia","category-humanidade","category-ia","category-imperialismo","category-lua","category-marte","category-planeta-terra","category-suicidio","category-terra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100907\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}