{"id":100950,"date":"2026-08-20T05:30:00","date_gmt":"2026-08-20T08:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mineradoras-estrangeiras-detem-4-a-cada-10-projetos-de-terras-raras-no-pais\/"},"modified":"2026-08-20T05:30:00","modified_gmt":"2026-08-20T08:30:00","slug":"mineradoras-estrangeiras-detem-4-a-cada-10-projetos-de-terras-raras-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mineradoras-estrangeiras-detem-4-a-cada-10-projetos-de-terras-raras-no-pais\/","title":{"rendered":"Mineradoras estrangeiras det\u00eam 4 a cada 10 projetos de terras raras no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><strong>COM A SEGUNDA MAIOR<\/strong> reserva do mundo, o Brasil atrai cada vez mais mineradoras estrangeiras interessadas em explorar terras raras \u2014 conjunto de 17 elementos qu\u00edmicos essenciais \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e \u00e0s ind\u00fastrias b\u00e9lica e de tecnologia.<\/p>\n<p>A ANM (Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o) vem registrando recordes nos pedidos de explora\u00e7\u00e3o. Dos 2.727 requerimentos apresentados at\u00e9 junho deste ano, 86% foram protocolados de 2023 para c\u00e1. Quase metade (42%) pertence a empresas sediadas no exterior \u2014 principalmente na Austr\u00e1lia, nos Estados Unidos e no Canad\u00e1 \u2014 ou a subsidi\u00e1rias delas.<\/p>\n<p>Os achados fazem parte de uma investiga\u00e7\u00e3o conjunta entre a <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> e a ag\u00eancia norte-americana Associated Press.\u00a0<\/p>\n<p>A an\u00e1lise tamb\u00e9m identificou uma onda recente de investimentos norte-americanos no Brasil, sobretudo ap\u00f3s a China restringir as exporta\u00e7\u00f5es de terras raras aos Estados Unidos, em abril de 2025, em resposta \u00e0s tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. O pa\u00eds asi\u00e1tico domina a cadeia produtiva do min\u00e9rio, incluindo a extra\u00e7\u00e3o, o processamento e a produ\u00e7\u00e3o de itens de alta tecnologia, como \u00edm\u00e3s.\u00a0<\/p>\n<p>O avan\u00e7o dos EUA inclui financiamentos do DFC (banco de desenvolvimento do governo norte-americano) para diferentes mineradoras, al\u00e9m da aquisi\u00e7\u00e3o, em abril, da \u00fanica produtora comercial de terras raras do Brasil, a Serra Verde, por uma empresa dos EUA da qual o governo norte-americano \u00e9 acionista.<\/p>\n<p>Embora as empresas ligadas ao capital estrangeiro representem apenas 12% dos titulares de requerimentos de terras raras, elas controlam 42% de todos os pedidos. Isso inclui 31 dos 45 processos mais avan\u00e7ados \u2014 em opera\u00e7\u00e3o ou pr\u00e9-opera\u00e7\u00e3o comercial.\u00a0<\/p>\n<p>A corrida pelas jazidas de terras raras, contudo, pode trazer riscos ambientais. Ao todo, 25% dos requerimentos se sobrep\u00f5em a unidades de conserva\u00e7\u00e3o ou comunidades tradicionais, ou est\u00e3o a at\u00e9 10 quil\u00f4metros desses territ\u00f3rios. Especialistas afirmam que, mesmo a essa dist\u00e2ncia, projetos de minera\u00e7\u00e3o podem causar danos sociais e ambientais.<\/p>\n<p>Segundo o Observat\u00f3rio da Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica, projeto de jornalismo de dados da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, do Inesc e do grupo de pesquisa PoEMAS, os requerimentos miner\u00e1rios de terras raras podem afetar at\u00e9 283 \u00e1reas protegidas, entre terras ind\u00edgenas, territ\u00f3rios quilombolas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure><img fetchpriority=\"high\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"922\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terrasr-raras-tempo.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terrasr-raras-tempo-922x1024.png 922w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terrasr-raras-tempo-270x300.png 270w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terrasr-raras-tempo-768x853.png 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terrasr-raras-tempo-1382x1536.png 1382w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terrasr-raras-tempo.png 1620w\" sizes=\"(max-width: 922px) 100vw, 922px\"><\/figure>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"922\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terras-raras-nacionalidades.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terras-raras-nacionalidades-922x1024.png 922w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terras-raras-nacionalidades-270x300.png 270w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terras-raras-nacionalidades-768x853.png 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terras-raras-nacionalidades-1382x1536.png 1382w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/grafico-terras-raras-nacionalidades.png 1620w\" sizes=\"(max-width: 922px) 100vw, 922px\"><\/figure>\n<h2>Austr\u00e1lia e EUA lideram pedidos para explora\u00e7\u00e3o de terras raras\u00a0<\/h2>\n<p>De acordo com a an\u00e1lise da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> e da Associated Press, 11 das 20 empresas com o maior n\u00famero de requerimentos para terras raras s\u00e3o ligadas a investidores estrangeiros, principalmente de Austr\u00e1lia, Estados Unidos e Canad\u00e1.<\/p>\n<p>As empresas desses pa\u00edses oferecem investimentos capazes de reduzir os riscos em um setor no qual poucos projetos se tornam economicamente vi\u00e1veis, afirma Julio Nery, diretor de assuntos miner\u00e1rios do Ibram (Instituto Brasileiro de Minera\u00e7\u00e3o), associa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>As mineradoras australianas lideram o ranking entre as empresas estrangeiras, com 695 requerimentos miner\u00e1rios. Quase um ter\u00e7o deles, 217 pedidos, foi feito pela Borborema Recursos Minerais, subsidi\u00e1ria da Brazilian Rare Earths Pty Ltd, com sede em Sydney.<\/p>\n<p>\u201cAs empresas australianas est\u00e3o se posicionando desde cedo. Elas trazem conhecimento geol\u00f3gico, capital, disposi\u00e7\u00e3o para assumir riscos e credibilidade perante governos ocidentais que buscam alternativas ao fornecimento chin\u00eas\u201d, explica Robert Muggah, cofundador do Instituto Igarap\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cParece fazer parte de uma tentativa mais ampla de construir uma cadeia de suprimento de terras raras sem a China, tendo o Brasil como base de recursos e a Austr\u00e1lia como intermedi\u00e1ria estrat\u00e9gica\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>A cada mil potenciais ocorr\u00eancias de terras raras, apenas cem projetos justificam trabalhos de sondagem e pesquisa, explica Nery, do Ibram. \u201cDesses cem, voc\u00ea acaba ficando com apenas dois bons projetos. A taxa de sucesso n\u00e3o \u00e9 muito alta\u201d, analisa.<\/p>\n<p>\u201cO governo australiano, assim como o brasileiro, reconhece que o mercado de minerais cr\u00edticos est\u00e1 bastante concentrado no momento. O desafio reside em onde e como os mercados operam e como os minerais s\u00e3o produzidos\u201d, afirma Sophie Davies, embaixadora da Austr\u00e1lia no Brasil.<\/p>\n<p>Empresas dos Estados Unidos ficam em segundo lugar, com 347 requerimentos.<\/p>\n<p>A Alpha Minerals Brazil, recentemente incorporada pela Rare Earth Americas Inc. (REA), empresa sediada no Texas (EUA), responde por 181. Originalmente constitu\u00edda nas Ilhas Cayman, a companhia transferiu seu domic\u00edlio para os Estados Unidos em 2025 e afirmou estar \u201cem uma miss\u00e3o para se tornar a principal fonte de fornecimento de terras raras para os Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2026, a empresa anunciou 15 milh\u00f5es de d\u00f3lares em investimentos privados para expandir suas opera\u00e7\u00f5es no Brasil e nos EUA. Em abril, a REA iniciou o processo para abrir capital nos Estados Unidos e concluiu a oferta p\u00fablica de a\u00e7\u00f5es em maio, com a capta\u00e7\u00e3o de 63 milh\u00f5es de d\u00f3lares.\u00a0<\/p>\n<p>Entre as mineradoras campe\u00e3s de requerimentos miner\u00e1rios est\u00e1 a Minera\u00e7\u00e3o Apollo, parcialmente controlada pela Atlas Lithium, sediada nos EUA.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aparece a Aclara Resources, empresa canadense com projetos de minera\u00e7\u00e3o de terras raras no Chile e no Brasil. Recentemente, a companhia inaugurou uma planta-piloto de processamento na Louisiana (EUA), onde pretende transformar terras raras em metais e ligas.<\/p>\n<p>O levantamento de processos miner\u00e1rios \u00e9 baseado em dados p\u00fablicos da ANM. A an\u00e1lise da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> e da Associated Press considera apenas os requerimentos em que as terras raras s\u00e3o a subst\u00e2ncia principal.\u00a0<\/p>\n<p>Os registros de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria foram obtidos por meio do Cruzagrafos, plataforma desenvolvida pela Abraji (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo), cruzados com informa\u00e7\u00f5es da Receita Federal, de juntas comerciais estaduais e da SEC (Securities and Exchange Commission), \u00f3rg\u00e3o regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" width=\"922\" height=\"1024\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mapa-terras-raras-1843x2048.png\" alt=\"mapa terras raras\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mapa-terras-raras-922x1024.png 922w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mapa-terras-raras-270x300.png 270w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mapa-terras-raras-768x853.png 768w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mapa-terras-raras-1382x1536.png 1382w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mapa-terras-raras-1843x2048.png 1843w\" sizes=\"(max-width: 922px) 100vw, 922px\"><figcaption>Design: Rodrigo Bento\/Rep\u00f3rter Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Com apoio bilion\u00e1rio, governo americano vira s\u00f3cio de mina de Goi\u00e1s<\/h2>\n<p>O destaque entre as empresas com mais requerimentos \u00e9 a Serra Verde, \u00fanica produtora comercial de terras raras do Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do ano, quando era fornecedora de mat\u00e9ria-prima para a China, a mineradora instalada em Goi\u00e1s recebeu financiamento p\u00fablico dos EUA e foi comprada pela empresa norte-americana USA Rare Earth, que tem o governo norte-americano como acionista minorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em janeiro, o Departamento de Com\u00e9rcio dos Estados Unidos anunciou 1,6 bilh\u00e3o de d\u00f3lares em apoio \u00e0 USA Rare Earth, em um acordo que previa a participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria do governo na empresa.<\/p>\n<p>J\u00e1 em fevereiro, o governo de Donald Trump anunciou o financiamento de 565 milh\u00f5es de d\u00f3lares para a Serra Verde, por meio do DFC. O acordo tamb\u00e9m inclu\u00eda uma op\u00e7\u00e3o para que o governo dos Estados Unidos adquirisse uma participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria na opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio foi fechado rapidamente. Em abril, a USA Rare Earth anunciou a compra da Serra Verde por cerca de 2,8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (em torno de R$ 14 bilh\u00f5es).\u00a0<\/p>\n<p>A Serra Verde \u00e9 a \u00fanica produtora fora da \u00c1sia com capacidade para fornecer os quatro elementos de terras raras magn\u00e9ticas \u2014 neod\u00edmio, praseod\u00edmio, dispr\u00f3sio e t\u00e9rbio \u2014 essenciais para as ind\u00fastrias automotiva, m\u00e9dica, de energia renov\u00e1vel, eletr\u00f4nica, rob\u00f3tica, de defesa e aeroespacial.<\/p>\n<p>\u201cO setor de terras raras do Ocidente atravessa um momento decisivo, enquanto governos e ind\u00fastrias estrat\u00e9gicas buscam com urg\u00eancia fontes confi\u00e1veis desses minerais cr\u00edticos, especialmente das escassas terras raras pesadas\u201d, afirmou Thras Moraitis, CEO do Grupo Serra Verde, em comunicado divulgado durante a aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Recentemente, a USA Rare Earth fechou mais uma aquisi\u00e7\u00e3o. Em julho, anunciou a compra de uma fatia da francesa Carester, firma especializada em separa\u00e7\u00e3o, processamento e reciclagem de terras raras.\u00a0<\/p>\n<p>O acordo coloca a Serra Verde como fornecedora de mat\u00e9ria-prima, enquanto a USA Rare Earth ter\u00e1 acesso \u00e0s tecnologias desenvolvidas pela companhia francesa. O comunicado n\u00e3o menciona transfer\u00eancia de tecnologia ao Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>Esse caminho contraria o desejo do governo brasileiro, que defende um caminho de neutralidade na disputa entre China e EUA, mas com prioridade a projetos que desenvolvam a capacidade tecnol\u00f3gica nacional.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO passaporte para atuar no nosso pa\u00eds \u00e9 o compromisso real com o desenvolvimento conjunto, para agrega\u00e7\u00e3o de valor, adensamento produtivo, pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o, e a cria\u00e7\u00e3o de bons empregos no Brasil\u201d, afirmou Carlos Leonardo Durans, diretor do MDIC (Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os), durante coletiva de imprensa em abril sobre os minerais cr\u00edticos.<\/p>\n<h2>Sem projetos de terras raras, China amplia interesse no Brasil<\/h2>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FM_DJI_20251017_0687.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FM_DJI_20251017_0687-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FM_DJI_20251017_0687-300x200.jpg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FM_DJI_20251017_0687-768x511.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/FM_DJI_20251017_0687.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Vista a\u00e9rea da Terra Ind\u00edgena Waimiri Atroari, no Amazonas; territ\u00f3rio \u00e9 vizinho da Minera\u00e7\u00e3o Taboca, empresa recentemente comprada por uma estatal chinesa que planeja pesquisar terras raras na regi\u00e3o (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A an\u00e1lise da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> e da Associated Press mostra que, embora n\u00e3o detivessem requerimentos de terras raras no Brasil at\u00e9 junho, as empresas chinesas se movimentam para entrar no setor.<\/p>\n<p>A Minera\u00e7\u00e3o Taboca, maior produtora de estanho refinado do Brasil, foi comprada no ano passado pela estatal China Nonferrous Metal Mining Group. A empresa \u2014 respons\u00e1vel por uma mina na Amaz\u00f4nia investigada por poss\u00edvel contamina\u00e7\u00e3o de um rio e morte de animais aqu\u00e1ticos na Terra Ind\u00edgena Waimiri Atroari \u2014 anunciou planos para estudar o potencial de terras raras na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em 2025, a Shenghe Resources Holding assinou um memorando de entendimento com as empresas brasileiras WEG Minera\u00e7\u00e3o e Fenrir do Brasil. A Fenrir tem um projeto de minera\u00e7\u00e3o em Minas Gerais voltado \u00e0 pesquisa de alum\u00ednio e de outros elementos, incluindo terras raras.<\/p>\n<p>O boom em torno das terras raras brasileiras tem acelerado o debate em torno de novas regras para explora\u00e7\u00e3o de minerais cr\u00edticos.\u00a0<\/p>\n<p>Em maio, a C\u00e2mara dos Deputados aprovou um projeto de lei que institui uma pol\u00edtica federal para o setor. A proposta, ainda n\u00e3o votada no Senado, estabelece prioridades de investimento em minerais cr\u00edticos e cria um conselho nacional para monitorar a influ\u00eancia estrangeira sobre empresas do setor.<\/p>\n<p>\u201cO desafio hoje \u00e9 que a China domina o processamento e o refino de terras raras\u201d, diz o deputado Z\u00e9 Silva (Uni\u00e3o Brasil-MG), autor do projeto de lei. \u201cPela nossa proposta, as empresas s\u00e3o bem-vindas para investir, mas precisam transferir tecnologia para o Brasil, incluindo capacidade de processamento.\u201d<\/p>\n<p>A proposta recebeu cr\u00edticas de ambientalistas e defensores dos direitos de comunidades tradicionais. Entidades afirmam que o texto n\u00e3o prev\u00ea salvaguardas adequadas. Acrescenta-se ao rol de preocupa\u00e7\u00f5es a nova Lei Geral de Licenciamento Ambiental, em vigor desde fevereiro, que reduziu as zonas de prote\u00e7\u00e3o no entorno de projetos de minera\u00e7\u00e3o e acelerou a concess\u00e3o de licen\u00e7as ambientais para empreendimentos considerados estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>O governo federal, por meio do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, tamb\u00e9m tem discutido medidas para acelerar a aprova\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00f5es destinadas a projetos de minerais cr\u00edticos, segundo reportagem do jornal \u201cFolha de S.Paulo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o dos impactos nos territ\u00f3rios, \u00e9 uma estrutura que est\u00e1 sendo criada sem a participa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas\u201d, avalia Alcebias Sapar\u00e1, vice-coordenador da Coiab (Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira).<\/p>\n<p>A nova lei \u00e9 um \u201cretrocesso da prote\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, afirma Suely Ara\u00fajo, coordenadora de Pol\u00edticas P\u00fablicas do Observat\u00f3rio do Clima, que acionou o STF contra a nova lei junto a outras 13 organiza\u00e7\u00f5es. Elas argumentam que a nova lei de licenciamento viola princ\u00edpios constitucionais de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente.<\/p>\n<p>\u201cO direito dos povos ind\u00edgenas n\u00e3o se negocia. Isso tem que ficar claro para quem quiser discutir minera\u00e7\u00e3o nas terras ind\u00edgenas\u201d, complementa Sapar\u00e1.<\/p>\n<h2>Boom de terras raras aumenta press\u00e3o sobre comunidades tradicionais<\/h2>\n<p>Em meio ao debate sobre as novas regras de licenciamento, alguns projetos de minera\u00e7\u00e3o de terras raras avan\u00e7aram sem o consentimento das comunidades afetadas, como exige a Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT, ratificada pelo Brasil em 2004.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 o que aconteceu com o Projeto Carina, da Aclara Resources, composto por requerimentos miner\u00e1rios parcialmente sobrepostos ao territ\u00f3rio quilombola Fam\u00edlia Magalh\u00e3es, no norte de Goi\u00e1s.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-12-at-103804.jpeg\" alt=\"H\u00e1 20 anos \u00e0 espera da titula\u00e7\u00e3o, o Quilombo Fam\u00edlia Magalh\u00e3es, no norte de Goi\u00e1s, v\u00ea avan\u00e7ar projeto de minera\u00e7\u00e3o de terras raras da empresa canadense Aclara Resources (Foto: Arquivo Pessoal)\" srcset=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-12-at-10.38.04-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-12-at-10.38.04-300x225.jpeg 300w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-12-at-10.38.04-768x576.jpeg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/WhatsApp-Image-2026-08-12-at-103804.jpeg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>H\u00e1 20 anos \u00e0 espera da titula\u00e7\u00e3o, o Quilombo Fam\u00edlia Magalh\u00e3es, no norte de Goi\u00e1s, v\u00ea avan\u00e7ar projeto de minera\u00e7\u00e3o de terras raras da empresa canadense Aclara Resources (Foto: Arquivo Pessoal)<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<p>Formada por 30 fam\u00edlias, a comunidade foi reconhecida como quilombola em 2004 e aguarda h\u00e1 20 anos pela titula\u00e7\u00e3o da terra.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o que avan\u00e7ou foi o projeto da Aclara. No ano passado, a mineradora iniciou o processo de licenciamento ambiental. Depois, obteve financiamento de 5 milh\u00f5es de d\u00f3lares do DFC para o desenvolvimento do projeto.\u00a0<\/p>\n<p>Neste ano, a empresa publicou o estudo de viabilidade, que prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o da unidade industrial em 2027 e o in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es em 2028. A empresa estima um investimento inicial de 780 milh\u00f5es de d\u00f3lares e projeta receita m\u00e9dia anual de 599 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Apesar de a ANM j\u00e1 ter concedido autoriza\u00e7\u00f5es miner\u00e1rias no local e de o projeto estar avan\u00e7ado, a Conven\u00e7\u00e3o 169 determina que, em pa\u00edses como o Brasil, onde os recursos do subsolo pertencem ao Estado, os governos devem \u201cconsultar os povos interessados, a fim de se determinar se os interesses desses povos seriam prejudicados, e em que medida, antes de se empreender ou autorizar qualquer programa de prospec\u00e7\u00e3o ou explora\u00e7\u00e3o dos recursos existentes nas suas terras\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, a comunidade s\u00f3 teve o primeiro encontro oficial sobre o projeto na \u00faltima semana de julho, com media\u00e7\u00e3o do Incra (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria). Na ocasi\u00e3o, os moradores conheceram o projeto e o plano para a elabora\u00e7\u00e3o do estudo de impactos sobre o quilombo.<\/p>\n<p>O encontro foi confirmado por Gilvan Magalh\u00e3es, presidente da associa\u00e7\u00e3o de moradores. \u201cAgora n\u00f3s vamos discutir internamente e elaborar projetos [de compensa\u00e7\u00e3o] para apresentar \u00e0 empresa\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Magalh\u00e3es diz que a comunidade n\u00e3o \u00e9 contra o projeto, mas faz cobran\u00e7as \u00e0 empresa. \u201cEla precisa agir com responsabilidade e lidar com os problemas que vai causar.\u201d<\/p>\n<p>A comunidade teme que a minera\u00e7\u00e3o possa afetar rios e nascentes locais e a fauna da regi\u00e3o, incluindo antas, on\u00e7as e cobras.\u00a0<\/p>\n<p>Em nota, a Aclara afirmou que o projeto \u00e9 formado por seis direitos miner\u00e1rios outorgados pela ANM que \u201coriginalmente abrangiam \u00e1reas\u201d do quilombo, mas que a empresa \u201coptou por excluir\u201d essas \u00e1reas do projeto. \u201cEssas \u00e1reas permanecer\u00e3o fora do empreendimento, que n\u00e3o realizar\u00e1 atividades de minera\u00e7\u00e3o nelas\u201d, diz o comunicado.<\/p>\n<p>A empresa afirmou que a unidade industrial ainda n\u00e3o foi constru\u00edda e que o encontro do final de julho \u00e9 parte do processo de licenciamento ambiental e de consulta aos quilombolas. A empresa diz tamb\u00e9m respeitar os direitos das comunidades tradicionais (leia a resposta na \u00edntegra).<\/p>\n<p>\u201cA minera\u00e7\u00e3o sempre deixa rastros\u201d, alerta Magalh\u00e3es. \u201cEla causa desmatamento e afeta o bioma. Esperamos que a empresa enfrente esses problemas e pague por aquilo que n\u00e3o conseguir reparar.\u201d<\/p>\n<div data-elementor-type=\"section\" data-elementor-id=\"129686\" data-elementor-post-type=\"elementor_library\">\n<div>\n<div data-id=\"e5e1762\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"360\" height=\"300\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/apoie--11.webp\" alt=\"Apoie a Rep\u00f3rter Brasil\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/apoie--11.webp 360w, https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/apoie-1-300x250.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p><strong>25 anos investigando para mudar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Rep\u00f3rter Brasil j\u00e1 ajudou a impulsionar leis, fortalecer direitos e combater o trabalho escravo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 2026, fazemos 25 anos \u2014 e vem muito mais por a\u00ed!<\/strong><\/p>\n<p>The post Mineradoras estrangeiras det\u00eam 4 a cada 10 projetos de terras raras no pa\u00eds appeared first on Rep\u00f3rter Brasil.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/com-articulacao-do-senador-rogerio-sergipe-vai-receber-duas-policlinicas-do-novo-pac\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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empresas de Austr\u00e1lia, Estados Unidos e Canad\u00e1 t\u00eam maior presen\u00e7a<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2026\/08\/mineradoras-estrangeiras-detem-4-a-cada-10-projetos-terras-raras-no-brasil\/\">Mineradoras estrangeiras det\u00eam 4 a cada 10 projetos de terras raras no pa\u00eds<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[13690,80394,5879,14,10615,40599,5799,35599,4036],"tags":[],"class_list":["post-100950","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-_destaque-da-home-1","category-aclara","category-conteudo-original-em-portugues","category-goias","category-minerais-criticos","category-observatorio-da-transicao-energetica","category-reportagens","category-serra-verde","category-terras-raras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100950"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100950\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}