{"id":101063,"date":"2026-08-20T17:42:44","date_gmt":"2026-08-20T20:42:44","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/e-se-a-inteligencia-artificial-matar-a-internet-que-a-criou\/"},"modified":"2026-08-20T17:42:44","modified_gmt":"2026-08-20T20:42:44","slug":"e-se-a-inteligencia-artificial-matar-a-internet-que-a-criou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/e-se-a-inteligencia-artificial-matar-a-internet-que-a-criou\/","title":{"rendered":"E se a intelig\u00eancia artificial matar a internet que a criou?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"578\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ia-vs-machine-learning-diferencas112.avif\" alt=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ia-vs-machine-learning-diferencas.1.12-1024x578.jpg 1024w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ia-vs-machine-learning-diferencas.1.12-300x169.jpg 300w, https:\/\/vermelho.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ia-vs-machine-learning-diferencas.1.12-768x433.jpg 768w, https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ia-vs-machine-learning-diferencas112.avif 1152w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/p>\n<p>Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 fez uma pesquisa no Google e n\u00e3o precisou acessar nenhum site para conseguir a resposta. O chamado \u201cModo IA\u201d fez isso por voc\u00ea. Parece algo pequeno, mas essa mudan\u00e7a j\u00e1 provoca transforma\u00e7\u00f5es importantes na forma como a informa\u00e7\u00e3o circula na internet.<\/p>\n<p>Durante anos, a internet funcionou a partir de um acordo silencioso que parecia beneficiar todo mundo. Pessoas, jornalistas, pesquisadores, criadores de conte\u00fado e empresas produziam conhecimento. O Google organizava esse conte\u00fado, indicava os resultados e, em troca, levava milh\u00f5es de pessoas at\u00e9 os sites.<\/p>\n<p>Era esse fluxo constante de visitantes que ajudava a sustentar economicamente a internet aberta. Quem produzia informa\u00e7\u00e3o recebia audi\u00eancia; quem buscava informa\u00e7\u00e3o encontrava respostas; e o Google consolidava sua posi\u00e7\u00e3o como principal porta de entrada da web.<\/p>\n<p>Esse modelo, por\u00e9m, est\u00e1 sendo profundamente alterado. Com a incorpora\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial \u00e0s buscas, o Google deixou de ser apenas um intermedi\u00e1rio entre o usu\u00e1rio e os sites. Agora, ele pr\u00f3prio entrega a resposta.<\/p>\n<p>Em vez de abrir uma reportagem, acessar um blog especializado ou visitar um portal de not\u00edcias, muitas vezes basta ler o resumo produzido pela IA. O clique deixa de ser necess\u00e1rio e o usu\u00e1rio resolve sua d\u00favida sem sair da plataforma.<\/p>\n<p>Parece uma evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, mas ela esconde uma mudan\u00e7a muito mais profunda: o maior mecanismo de busca do planeta utiliza o conhecimento produzido por milhares de sites para construir uma resposta pr\u00f3pria sem necessariamente devolver o usu\u00e1rio \u00e0s fontes que produziram esse conhecimento.<\/p>\n<p><strong>Quem controla a informa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos de fake news e idolatria, essa mudan\u00e7a na l\u00f3gica de pesquisa \u00e9 especialmente perigosa. Milh\u00f5es de pessoas passam a receber informa\u00e7\u00f5es sintetizadas por sistemas de intelig\u00eancia artificial, muitas vezes sem acessar as fontes originais ou conhecer os crit\u00e9rios que determinaram aquela resposta.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos tratar essas ferramentas como neutras. Elas s\u00e3o desenvolvidas e controladas por empresas que possuem interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Em uma nova economia cada vez mais concentrada nas m\u00e3os das Big Techs, opini\u00f5es e informa\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis aos interesses dessas empresas podem ganhar maior visibilidade e ser apresentadas como consensos, enquanto outras perspectivas podem ser invisibilizadas ou relegadas a segundo plano.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas quem produz a informa\u00e7\u00e3o, mas quem controla o sistema que decide como ela ser\u00e1 apresentada a milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>E nenhuma s\u00edntese \u00e9 neutra. Ela \u00e9 resultado de escolhas: quais fontes utilizar, quais informa\u00e7\u00f5es destacar, quais interpreta\u00e7\u00f5es ignorar e qual narrativa apresentar como principal. Essas escolhas deixam de estar distribu\u00eddas entre milhares de jornalistas, pesquisadores e produtores de conte\u00fado e passam a ser concentradas nas m\u00e3os de poucas empresas privadas que controlam os modelos de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p><strong>O poder das plataformas<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que vemos o tamanho desse poder. O Brasil teve uma amostra importante durante a discuss\u00e3o do PL 2630, de autoria do deputado Orlando Silva (PCdoB). Em 2023, o Google utilizou sua pr\u00f3pria p\u00e1gina inicial no pa\u00eds para exibir uma mensagem contr\u00e1ria ao projeto, levando seu posicionamento diretamente aos usu\u00e1rios do buscador.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio demonstrou a capacidade de uma empresa privada com enorme alcance de utilizar sua pr\u00f3pria infraestrutura para interferir no ambiente em que acontece o debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>Agora imagine quando essa mesma empresa deixar de apenas indicar links e passar a ser, para boa parte da popula\u00e7\u00e3o, a principal \u2014 ou \u00fanica \u2014 fonte de respostas sobre qualquer assunto.<\/p>\n<p><strong>Menos cliques, menos audi\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a j\u00e1 pode ser observada nos dados. Um experimento de campo realizado em 2026 encontrou que, quando uma AI Overview aparecia nos resultados, os cliques org\u00e2nicos para fora do Google ca\u00edam 39,8%, enquanto as buscas terminadas sem clique aumentavam 34,5%.<\/p>\n<p>Outro estudo, que analisou 161.382 pares de p\u00e1ginas da Wikip\u00e9dia, estimou uma redu\u00e7\u00e3o de aproximadamente 15% no tr\u00e1fego di\u00e1rio das p\u00e1ginas em ingl\u00eas expostas aos AI Overviews.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise do Pew Research Center, publicada em 2025, encontrou um resultado ainda mais significativo: nas buscas que apresentavam uma AI Overview, os usu\u00e1rios clicaram nas fontes citadas pelo resumo em apenas cerca de 1% das visitas. A presen\u00e7a desses resumos tamb\u00e9m esteve associada a menos cliques nos resultados tradicionais e a uma maior probabilidade de a navega\u00e7\u00e3o terminar ali.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos, portanto, diante de uma discuss\u00e3o sobre um futuro distante. As pessoas j\u00e1 est\u00e3o mudando a maneira como consomem informa\u00e7\u00e3o e, junto com essa mudan\u00e7a de comportamento, est\u00e1 sendo alterada a rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica que durante d\u00e9cadas sustentou boa parte da internet aberta.<\/p>\n<p><strong>O impacto sobre quem produz informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A consequ\u00eancia pode ser grave. Se os usu\u00e1rios deixam de entrar nos sites, esses sites perdem audi\u00eancia. Com menos audi\u00eancia, perdem receita publicit\u00e1ria, assinantes e relev\u00e2ncia. Com menos receita, v\u00eam os cortes, as demiss\u00f5es e, em alguns casos, o fechamento.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos falando apenas de pequenos blogs independentes, mas tamb\u00e9m de grandes reda\u00e7\u00f5es, portais especializados, revistas e ve\u00edculos que h\u00e1 d\u00e9cadas ajudam a construir o conhecimento dispon\u00edvel na internet.<\/p>\n<p>Existe a\u00ed um paradoxo fundamental. Os sistemas de intelig\u00eancia artificial dependem de uma enorme infraestrutura de conhecimento produzida anteriormente por seres humanos \u2014 jornalistas, pesquisadores, escritores, programadores, institui\u00e7\u00f5es e milh\u00f5es de usu\u00e1rios. Mas sua expans\u00e3o pode reduzir justamente as condi\u00e7\u00f5es financeiras para que essas pessoas continuem produzindo esse conhecimento.<\/p>\n<p>Uma nova onda de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho desses profissionais da comunica\u00e7\u00e3o e pesquisadores pode estar a caminho. Quanto mais eficiente uma plataforma se torna em resumir aquilo que foi produzido por outros, menor \u00e9 a necessidade de o usu\u00e1rio visitar quem produziu a informa\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p><strong>Conhecimento como mat\u00e9ria-prima<\/strong><\/p>\n<p>O problema tamb\u00e9m ultrapassa os sites. Livros, artigos acad\u00eamicos e outras obras est\u00e3o no centro de uma disputa cada vez maior sobre o que pode ser utilizado para treinar sistemas de intelig\u00eancia artificial e em quais condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pesquisas j\u00e1 demonstraram que determinados modelos conseguem reproduzir trechos substanciais de livros presentes em seus dados de treinamento, mostrando que a discuss\u00e3o sobre propriedade intelectual e apropria\u00e7\u00e3o do conhecimento n\u00e3o \u00e9 meramente hipot\u00e9tica. Em 2026, editoras tamb\u00e9m passaram a questionar judicialmente o uso de livros protegidos por direitos autorais no treinamento de sistemas de IA.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas se a intelig\u00eancia artificial \u201cl\u00ea\u201d ou n\u00e3o determinado livro, mas quem tem o direito de transformar conhecimento produzido por outras pessoas em mat\u00e9ria-prima de sistemas capazes de gerar enormes receitas para empresas privadas.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que o futuro da produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado se torna ainda mais preocupante. Os grandes sites podem passar a produzir cada vez mais pensando nos algoritmos que ir\u00e3o consumir seus textos, e n\u00e3o necessariamente nas pessoas que deveriam l\u00ea-los.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de conhecimento deixa de seguir uma l\u00f3gica baseada na rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico e passa para uma l\u00f3gica de alimenta\u00e7\u00e3o de sistemas automatizados. Um pagamento pode compensar parte do valor econ\u00f4mico de uma reportagem, mas n\u00e3o devolve aos ve\u00edculos seus leitores, sua comunidade ou sua identidade editorial.<\/p>\n<p>O risco \u00e9 construirmos uma internet repleta de conte\u00fado produzido por seres humanos, mas cada vez mais padronizado e acessado por m\u00e1quinas em vez de pessoas.<\/p>\n<p><strong>A diversidade de vozes em risco<\/strong><\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m amea\u00e7a uma das caracter\u00edsticas mais importantes da internet aberta: a diversidade de vozes.<\/p>\n<p>Um artigo carrega a experi\u00eancia de quem escreveu, suas refer\u00eancias, sua forma de organizar argumentos, seus conhecimentos e seus vieses. A riqueza da internet sempre esteve na possibilidade de comparar diferentes interpreta\u00e7\u00f5es sobre um mesmo assunto, ler autores distintos, discordar, aprofundar um tema e construir uma vis\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Quando diferentes fontes s\u00e3o substitu\u00eddas por uma \u00fanica resposta produzida por intelig\u00eancia artificial, esse percurso desaparece.<\/p>\n<p>Isso nos leva a uma pergunta que j\u00e1 era importante nos mecanismos de busca tradicionais, mas ganha uma dimens\u00e3o muito maior com a intelig\u00eancia artificial: quem decide o que aparece quando uma pessoa pergunta alguma coisa?<\/p>\n<p>Um estudo de 2026 analisou 55.393 consultas e 98.020 afirma\u00e7\u00f5es presentes em AI Overviews e encontrou que 11% das afirma\u00e7\u00f5es analisadas n\u00e3o tinham suporte nas p\u00e1ginas citadas. O mesmo estudo apontou que quase 30% dos dom\u00ednios utilizados como fonte n\u00e3o apareciam sequer na primeira p\u00e1gina tradicional de resultados.<\/p>\n<p>Isso demonstra que a IA n\u00e3o est\u00e1 simplesmente reorganizando links para facilitar a navega\u00e7\u00e3o. Ela est\u00e1 construindo uma resposta a partir de um processo pr\u00f3prio de interpreta\u00e7\u00e3o e s\u00edntese. E, quando esse processo est\u00e1 concentrado nas m\u00e3os de poucas empresas privadas, a discuss\u00e3o deixa de ser exclusivamente tecnol\u00f3gica. Estamos falando de poder pol\u00edtico e informacional.<\/p>\n<p><strong>Debate chega aos governos<\/strong><\/p>\n<p>Esse debate j\u00e1 deixou de ser uma preocupa\u00e7\u00e3o restrita a pesquisadores e jornalistas e passou a chegar aos governos e \u00f3rg\u00e3os reguladores.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, em agosto de 2026, a Alliance de la Presse d\u2019Information G\u00e9n\u00e9rale pediu que a autoridade concorrencial francesa intervenha contra os resumos gerados por intelig\u00eancia artificial pelo Google, argumentando que eles reduzem o tr\u00e1fego e a receita dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A entidade citou dados da Arcom segundo os quais os resumos de IA teriam contribu\u00eddo para uma queda de 33% a 38% no tr\u00e1fego dos sites de m\u00eddia.<\/p>\n<p>Se uma plataforma consegue utilizar o conte\u00fado produzido por ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o para responder ao usu\u00e1rio e, ao mesmo tempo, reduz a necessidade de o usu\u00e1rio visitar esses ve\u00edculos, existe um problema que precisa ser discutido.<\/p>\n<p><strong>Soberania digital tamb\u00e9m est\u00e1 em jogo<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o pode assistir a esse processo de fora. O pa\u00eds j\u00e1 possui o Plano Brasileiro de Intelig\u00eancia Artificial, coordenado pelo Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, que prev\u00ea R$ 23 bilh\u00f5es em investimentos e estabelece objetivos relacionados ao desenvolvimento de modelos em portugu\u00eas, forma\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o de trabalhadores, pesquisa e soberania tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio MCTI tem tratado a soberania digital como quest\u00e3o estrat\u00e9gica, defendendo investimentos em supercomputa\u00e7\u00e3o, semicondutores, modelos nacionais e infraestrutura pr\u00f3pria para reduzir a depend\u00eancia de tecnologias estrangeiras.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 em discuss\u00e3o no Congresso o PL 2338\/2023, que estabelece regras para o desenvolvimento, a implementa\u00e7\u00e3o e o uso de sistemas de intelig\u00eancia artificial no Brasil.<\/p>\n<p>Essas iniciativas s\u00e3o importantes, mas soberania digital n\u00e3o pode significar apenas possuir servidores ou desenvolver modelos nacionais, nem se resumir a um debate acad\u00eamico. Um pa\u00eds soberano tem capacidade de decidir sobre a tecnologia, seus dados, seus objetivos e os direitos das pessoas afetadas por ela.<\/p>\n<p>O significado de soberania digital precisa chegar ao povo brasileiro, e sistemas como o \u201cModo IA\u201d do Google amea\u00e7am essa possibilidade.<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses tamb\u00e9m est\u00e3o tentando construir suas pr\u00f3prias respostas para essa disputa. Na China, o debate oficial sobre intelig\u00eancia artificial vem sendo tratado como uma quest\u00e3o de desenvolvimento nacional, governan\u00e7a e soberania tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Na abertura da Confer\u00eancia Mundial de Intelig\u00eancia Artificial de 2026, em Xangai, Xi Jinping defendeu coopera\u00e7\u00e3o e compartilhamento para impulsionar a inova\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m destacou a necessidade de garantir que a intelig\u00eancia artificial seja segura, control\u00e1vel e permane\u00e7a sob controle humano. O discurso tamb\u00e9m abordou quest\u00f5es relacionadas \u00e0 tomada de decis\u00f5es algor\u00edtmicas, \u00e9tica e acesso \u00e0 tecnologia.<\/p>\n<p><strong>Uma internet feita para seres humanos?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez estejamos assistindo ao come\u00e7o da morte da internet como a conhecemos. N\u00e3o porque ela v\u00e1 desaparecer, mas porque sua ess\u00eancia est\u00e1 mudando.<\/p>\n<p>A internet aberta sempre foi constru\u00edda pela circula\u00e7\u00e3o de conhecimento entre pessoas. Se esse processo for substitu\u00eddo por uma din\u00e2mica em que pessoas produzem conhecimento para alimentar sistemas de intelig\u00eancia artificial, que sintetizam esse conte\u00fado e respondem por n\u00f3s, teremos perdido algo muito maior do que os cliques.<\/p>\n<p>Teremos enfraquecido a rela\u00e7\u00e3o direta entre quem produz conhecimento e quem deseja aprend\u00ea-lo e, junto com ela, perdido a diversidade de perspectivas.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso evitar que a chamada \u201cinternet morta\u201d domine o ambiente digital, defendendo uma pol\u00edtica tecnol\u00f3gica que fortale\u00e7a a soberania digital brasileira, valorize quem produz conhecimento e impe\u00e7a que a infraestrutura informacional do futuro fique subordinada exclusivamente aos interesses de poucas empresas.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o, portanto, n\u00e3o \u00e9 simplesmente se os sites v\u00e3o sobreviver. \u00c9 se ainda existir\u00e1 uma internet feita para seres humanos e uma intelig\u00eancia artificial colocada a servi\u00e7o da sociedade, ou se aceitaremos que o conhecimento produzido por muitos seja transformado em mat\u00e9ria-prima para sistemas poderosos controlados por poucos. <\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/2026\/08\/20\/e-se-a-inteligencia-artificial-matar-a-internet-que-a-criou\/\">E se a intelig\u00eancia artificial matar a internet que a criou?<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/\">Vermelho<\/a>.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/de-onde-vem-dinheiro-para-a-grandeza-da-china\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dragao-chines-150x150.jpeg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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