{"id":101661,"date":"2026-08-25T15:22:48","date_gmt":"2026-08-25T18:22:48","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/democracia-e-populismo-o-acerto-de-marilena-chaui\/"},"modified":"2026-08-25T15:22:48","modified_gmt":"2026-08-25T18:22:48","slug":"democracia-e-populismo-o-acerto-de-marilena-chaui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/democracia-e-populismo-o-acerto-de-marilena-chaui\/","title":{"rendered":"DEMOCRACIA E POPULISMO, o acerto de Marilena\u00a0Chau\u00ed\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>O\u00a0rec\u00e9m-lan\u00e7ado\u00a0livro de pequenos ensaios e palestras da fil\u00f3sofa Marilena\u00a0Chau\u00ed, \u201cDemocracia e\u00a0Populismo:\u00a0A nova classe trabalhadora\u201d,\u00a0pela\u00a0Editora Cortez,\u00a0traz\u00a0\u00e0\u00a0luz de forma did\u00e1tica e em poucas p\u00e1ginas (130)\u00a0uma explica\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da centralidade da luta pela preserva\u00e7\u00e3o da democracia\u00a0no Brasil e no mundo.\u00a0<\/p>\n<p>Uma das principais intelectuais\u00a0da hist\u00f3ria\u00a0brasileira, fil\u00f3sofa\u00a0e pesquisadora com dezenas de obras publicadas,\u00a0a autora dispensa apresenta\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>No momento em que\u00a0as for\u00e7as democr\u00e1ticas e de esquerda enfrentam,\u00a0no mundo e,\u00a0em especial,\u00a0no Brasil,\u00a0o crescimento\u00a0de\u00a0ideias\u00a0que defendem\u00a0pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias e antipovo,\u00a0que\u00a0visam\u00a0o\u00a0rompimento da ordem democr\u00e1tica,\u00a0a mestra fala da import\u00e2ncia da democracia\u00a0para o futuro das lutas sociais.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o se atendo a nomenclaturas\u00a0ou adjetivos: se a democracia \u00e9\u00a0\u201cburguesa\u201d,\u00a0\u201cliberal\u201d ou popular,\u00a0Marilena\u00a0Chau\u00ed\u00a0aponta que \u00e9 na conviv\u00eancia democr\u00e1tica que os setores populares e de esquerda tem uma avenida aberta para\u00a0colocar na ordem do dia suas reivindica\u00e7\u00f5es e lutas pela melhoria das condi\u00e7\u00f5es\u00a0de vida dos de baixo. Tra\u00e7a,\u00a0ainda,\u00a0o car\u00e1ter autorit\u00e1rio\u00a0das elites econ\u00f4micas brasileiras e seu transbordamento para as classes m\u00e9dias\u00a0que,\u00a0desejando tornar-se parte do \u201cclube\u201d elitista, destilam\u00a0aos pobres e deserdados o mesmo desprezo\u00a0manifestado pelos\u00a0herdeiros da Casa Grande.\u00a0<\/p>\n<p>Em sua defesa da democracia, a decana da filosofia\u00a0brasileira ensina:\u00a0<em>\u201c\u00danica forma\u00a0sociopol\u00edtica na qual o car\u00e1ter\u00a0do poder e das lutas tende a se evidenciar\u00a0nas sociedades de classe, na medida em que os direitos s\u00f3 ampliam seu alcance\u00a0ou s\u00f3 surgem\u00a0como novos pela a\u00e7\u00e3o das classes populares\u00a0contra a cristaliza\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-pol\u00edtica\u00a0que favorece a classe dominante\u2026 a marca\u00a0da democracia moderna, permitindo sua passagem\u00a0da democracia liberal para a democracia social, encontra-se no fato\u00a0de se somente as classes populares\u00a0e\u00a0os exclu\u00eddos\u00a0sentem a exig\u00eancia de\u00a0reivindicar direitos e criar novos direitos.\u201d<\/em>\u00a0<\/p>\n<p>Interpretando a g\u00eanese filos\u00f3fico-sociol\u00f3gica\u00a0emanada\u00a0atualmente pela academia brasileira e\u00a0pelas ci\u00eancias sociais da escola americana,\u00a0Chau\u00ed\u00a0explicita\u00a0sua discord\u00e2ncia te\u00f3rica com a\u00a0constitui\u00e7\u00e3o nos governos petistas de uma nova classe m\u00e9dia.\u00a0Interp\u00f5e com clareza que o que se consolidou foi uma nova classe trabalhadora. Classe que partindo da l\u00f3gica da pir\u00e2mide social dos economistas, saiu do chamado\u00a0subproletariado\u00a0postado\u00a0nos\u00a0setores D e\u00a0E, e\u00a0emergiu\u00a0para\u00a0a classe C\u00a0\u2013\u00a0a m\u00e9dia\u00a0baixa.\u00a0Tendo alguns\u00a0(poucos)\u00a0emergido at\u00e9 a B, e,\u00a0uma\u00a0pequena franja ascendido\u00a0a\u00a0classe A.\u00a0<\/p>\n<p>Dividido\u00a0em\u00a0cinco partes:\u00a01- Democracia, populismo e messianismo no Brasil, 2-\u00a0A nova classe trabalhadora, 3- A nova classe m\u00e9dia\u00a0ou nova classe trabalhadora\u00a0brasileira?\u00a04- A educa\u00e7\u00e3o como direito e 5-\u00a0A respeito do virtual,\u00a0o livro perpassa os principais problemas\u00a0da atual conjuntura brasileira\u00a0destacando as diferen\u00e7as operadas no pa\u00eds a partir da introdu\u00e7\u00e3o do neoliberalismo\u00a0nos anos 1990 e\u00a0demarca\u00a0o rompimento com essa escalada\u00a0nos governos petistas.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 na tamb\u00e9m breve apresenta\u00e7\u00e3o\u00a0percebe-se a preocupa\u00e7\u00e3o da autora em se manter em conex\u00e3o\u00a0com a conjuntura. Ela faz\u00a0desse trabalho\u00a0um material que fugindo completamente da escol\u00e1stica academicista,\u00a0nos faz vislumbrar\u00a0escritos que elucidam a din\u00e2mica atual do Brasil e do mundo, e,\u00a0reafirma a necessidade das for\u00e7as de esquerda\u00a0em\u00a0continuarem o combate contra o neoliberalismo\u00a0privilegiando a a\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a\u00a0den\u00fancia\u00a0contra a captura dos aparelhos de Estado e das finan\u00e7as p\u00fablicas\u00a0pelos\u00a0interesses\u00a0e o privil\u00e9gio\u00a0da classe dominante.<em>\u00a0<\/em>\u00a0<\/p>\n<p><em>Diz Chaui: \u201c\u00a0Os acontecimentos mundiais \u2013 o genoc\u00eddio em Gaza, a guerra da Ucr\u00e2nia, a guerra de Trump contra o Ir\u00e3\u2026, os avan\u00e7os da extrema direita no continente, de que a invas\u00e3o da\u00a0Venezuela\u00a0\u00e9 o caso exemplar, e o aumento exponencial\u00a0das desigualdades econ\u00f4micas e sociais\u00a0nos colocam diante de problemas que j\u00e1 se anunciavam\u00a0com a hegemonia do neoliberalismo e do mundo digital\u00a0\u2013\u00a0explicam a publica\u00e7\u00e3o destes pequenos textos sobre a sociedade\u00a0e a pol\u00edticas brasileiras, retomando a quest\u00e3o da democracia, dos direitos\u00a0e das\u00a0lutas dos movimentos de classes sociais. Esperamos dar uma contribui\u00e7\u00e3o para a discuss\u00e3o\u00a0sociopol\u00edtica a que somos chamados em um momento t\u00e3o\u00a0amea\u00e7ador\u201d.<\/em>\u00a0Inicia\u00a0a autora\u00a0explicitando\u00a0seu compromisso pol\u00edtico e acad\u00eamico com\u00a0a supera\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia neoliberal,\u00a0e os avan\u00e7os do extremismo direitista que no Brasil tem a sua express\u00e3o\u00a0no bolsonarismo e seu n\u00facleo golpista.\u00a0<\/p>\n<p>Surge,\u00a0no cerne da publica\u00e7\u00e3o,\u00a0um balan\u00e7o das realiza\u00e7\u00f5es dos governos petistas\u00a0e a rea\u00e7\u00e3o\u00a0desses governos progressistas\u00a0ao desmonte do Estado e a inclus\u00e3o dos setores deserdados pelo capital\u00a0no or\u00e7amento p\u00fablico.\u00a0Essa caracteriza\u00e7\u00e3o, na opini\u00e3o da autora, p\u00f5e os governos na rota da social democracia,\u00a0pois, \u00e0 despeito das insufici\u00eancias, demarca:\u00a0<em>\u201cCom todos os problemas, equ\u00edvocos, idas e vindas, coaliz\u00f5es\u00a0pouco recomend\u00e1veis (fruto do sistema pol\u00edtico-partid\u00e1rio\u00a0e eleitoral\u00a0legado pela ditadura e seus casu\u00edsmos) e\u00a0aus\u00eancia de reformas b\u00e1sicas\u2026 foi contra\u00a0o modelo implementado pela reforma tucana\u00a0que se ergueram os governos Lula e Dilma, ou o que Andr\u00e9 Singer designa como lulismo*\u2026 eu designo\u00a0como a constru\u00e7\u00e3o da cidadania ou a conquista da democracia\u00a0e consolida\u00e7\u00e3o de direitos\u201d.\u00a0<\/em>\u00a0A constru\u00e7\u00e3o da cidadania\u00a0\u2013 uma ideia-for\u00e7a que durante\u00a0d\u00e9cadas\u00a0esteve no centro das reivindica\u00e7\u00f5es da esquerda brasileira\u00a0ganhou forma e subst\u00e2ncia nos governos do PT.\u00a0\u00c9 o que reconhece a mestra:\u00a0<em>\u201cEstudos, pesquisas e an\u00e1lises mostram que houve uma mudan\u00e7a profunda\u00a0na composi\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, gra\u00e7as aos programas governamentais\u00a0de transfer\u00eancia de renda, inclus\u00e3o social e erradica\u00e7\u00e3o\u00a0da pobreza, \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica de pleno emprego\u00a0e eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o\u00a0de parte dos direitos sociais das classes populares (sobretudo\u00a0alimenta\u00e7\u00e3o,\u00a0sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o\u00a0e moradia), \u00e0 articula\u00e7\u00e3o entre esses programas e o princ\u00edpio do\u00a0desenvolvimento sustent\u00e1vel e aos primeiros passos de uma reforma agr\u00e1ria\u00a0que permita \u00e0s popula\u00e7\u00f5es do campo\u00a0n\u00e3o recorrer \u00e0 migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada aos centros urbanos\u2026\u201d.<\/em>\u00a0<\/p>\n<p>Ela faz essa\u00a0mesma digress\u00e3o quando discute o populismo\u00a0no Brasil,\u00a0abordando\u00a0com riqueza de detalhes as formas de mando e de\u00a0captura via clientelismo\u00a0dos\u00a0governos\u00a0populistas,\u00a0e que\u00a0formata\u00a0esse estilo de\u00a0domina\u00e7\u00e3o\u00a0no governo central, nos estados e munic\u00edpios.\u00a0\u00a0A\u00a0classe dominante e seus prepostos\u00a0trazem\u00a0gravado como heran\u00e7a\u00a0o\u00a0modo de produ\u00e7\u00e3o proveniente do escravagismo\u00a0e\u00a0que foi\u00a0agravado ao longo do tempo pela forma\u00e7\u00e3o do\u00a0ex\u00e9rcito\u00a0de reserva da classe trabalhadora,\u00a0fruto da migra\u00e7\u00e3o interna\u00a0pela superexplora\u00e7\u00e3o e as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de vida no campo.\u00a0<\/p>\n<p>Foi ali que se aprofundou a\u00a0tutela, o favor, a clientela e a assist\u00eancia\u00a0direta\u00a0ao povo\u00a0sem media\u00e7\u00e3o institucional\u00a0pelas elites dirigentes, cujo ciclo foi interrompido nos governos do PT.\u00a0<\/p>\n<p>Em sentido oposto, ela proclama:\u00a0<em>\u201cEssa caracteriza\u00e7\u00e3o me permite afirmar\u00a0que o chamado lulismo ou os governos de Lula n\u00e3o podem ser definidos\u00a0pelo populismo: a) porque o governante\u00a0n\u00e3o pertence \u00e0 classe dominante;\u00a0b) porque esses governos\u00a0operaram com as media\u00e7\u00f5es institucionais do espa\u00e7o p\u00fablico\u00a0e impediram a\u00a0privatiza\u00e7\u00e3o\u00a0desse espa\u00e7o;\u00a0c) porque esses governos, por meios de Audi\u00eancias P\u00fablicas Nacionais, se realizaram como espa\u00e7o aberto\u00a0de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos movimentos sociais\u00a0e das centrais sindicais; d) porque operaram\u00a0para a cria\u00e7\u00e3o de novos direitos, de maneira a afastar o centro definidor da sociedade\u00a0brasileira, isto \u00e9, a divis\u00e3o social como polariza\u00e7\u00e3o\u00a0entre\u00a0car\u00eancia e\u00a0privil\u00e9gio, polariza\u00e7\u00e3o que, procurei mostrar,\u00a0(ao longo do livro) \u00e9 o pressuposto necess\u00e1rio do populismo\u201d.<\/em>\u00a0Chau\u00ed\u00a0ainda fala das mudan\u00e7as no campo da cultura\u00a0e nos valores simb\u00f3licos que permeiam a vida das mulheres e\u00a0dos jovens. Cita o Enem e seus milh\u00f5es de aderentes, o\u00a0Prouni e as cotas como esfor\u00e7o governamental de inclus\u00e3o das maiorias.\u00a0<\/p>\n<p><strong>E a\u00a0nova\u00a0classe m\u00e9dia?<\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>Depois de dissertar sobre a composi\u00e7\u00e3o\u00a0hist\u00f3rica e geneal\u00f3gica da classe m\u00e9dia tradicional no\u00a0pa\u00eds,\u00a0Marilena pontua suas contradi\u00e7\u00f5es \u00e0 esquerda e \u00e0 direita. No primeiro caso,\u00a0demonstrando\u00a0o\u00a0car\u00e1ter voluntarista-esquerdista,\u00a0de parte dos segmentos \u00e0 esquerda,\u00a0e, pelo outro lado um messianismo\u00a0extremo-direitista\u00a0em parte do conservadorismo.\u00a0Ambival\u00eancia que persiste ao longo do tempo.\u00a0Mostra ainda uma diferen\u00e7a substancial\u00a0pelo car\u00e1ter\u00a0de composi\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia\u00a0\u201cantiga\u201d e a \u201cnova\u201d que na opini\u00e3o relatada, ela n\u00e3o reconhece. Essa opini\u00e3o pode ser o gancho que as for\u00e7as de esquerda precisam para compreender os valores, os anseios e desejos dessa nova classe trabalhadora para que possamos\u00a0disput\u00e1-la\u00a0pela l\u00f3gica coletiva em detrimento do individualismo neoliberal.\u00a0<\/p>\n<p>No quarto texto que comp\u00f5e o arcabou\u00e7o do livro,\u00a0a professora discorre sobre o tema \u2018<em>A educa\u00e7\u00e3o como direito\u2019<\/em>, a partir de uma\u00a0palestra ministrada para os militantes do\u00a0Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Ao longo do texto, a professora fala\u00a0da import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia\u00a0cr\u00edtica\u00a0da popula\u00e7\u00e3o\u00a0e como\u00a0ela pode ser a\u00a0alavanca de rompimento com as condi\u00e7\u00f5es de submiss\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o\u00a0e mandonismo\u00a0impostas pelo neoliberalismo, e que tem na classe dirigente do pa\u00eds\u00a0o fio condutor que,\u00a0historicamente,\u00a0se comporta\u00a0como\u00a0reprodutora das formas\u00a0mais vis da explora\u00e7\u00e3o capitalista.\u00a0Desmonta o velho mito da cordialidade\u00a0fruto da imag\u00e9tica\u00a0propalada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicional:\u00a0<em>\u201cOs\u00a0meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa\u00a0e os poderes olig\u00e1rquicos da sociedade brasileira nos fazem crer, cotidianamente, num mito: o de que a sociedade brasileira\u00a0\u00e9 ordeira, pac\u00edfica e acolhedora, e que nela a viol\u00eancia\u00a0\u00e9 um momento acidental,\u00a0um surto, uma epidemia que pode ser combatida\u00a0por meio da repress\u00e3o policial. Esse mito oculta que\u00a0a viol\u00eancia \u00e9 o modo de ser da sociedade brasileira, isto \u00e9, que ela \u00e9 estruturalmente violenta\u00a0e autorit\u00e1ria.\u201d<\/em>\u00a0<\/p>\n<p>Na quinta e \u00faltima parte,\u00a0intitulada\u00a0\u2018<em>A respeito do virtual\u2019<\/em>,\u00a0vem luz\u00a0\u00e0\u00a0forma de compreens\u00e3o dial\u00e9tica\u00a0que se percebe em grande parte de outros textos de Marilena\u00a0Chau\u00ed.\u00a0Seu compromisso em buscar\u00a0a totalidade dos eventos, das coisas\u00a0e cuja escrita\u00a0\u2013\u00a0principalmente,\u00a0quando passa pela pol\u00edtica\u00a0em si\u00a0\u2013\u00a0torna-se facilmente intelig\u00edvel para\u00a0aqueles\u00a0n\u00e3o iniciados nos ditames da academia e que fazem da milit\u00e2ncia\u00a0pelas causas sociais um objetivo concreto.\u00a0<\/p>\n<p>Em poucas p\u00e1ginas, passa-se pelo cyberespa\u00e7o, o\u00a0p\u00f3s-modernismo, o espa\u00e7o temporal\u00a0e\u00a0des\u00e1gua\u00a0na apropria\u00e7\u00e3o pelo neoliberalismo\u00a0dos mecanismos da web para a acumula\u00e7\u00e3o de dados, riqueza e dom\u00ednio das mentes. Marilena\u00a0exp\u00f5e a captura do espa\u00e7o p\u00fablico pelo capital que,\u00a0para manter\u00a0o seu padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o,\u00a0precisa desmontar todas as formas de Estado de\u00a0Bem-Estar Social\u00a0constru\u00eddo ao longo de muitas lutas. Remontado \u00e0 Europa do\u00a0p\u00f3s-guerra,\u00a0ao\u00a0New\u00a0Deal, nos Estados Unidos\u00a0e as conquistas sociais dos governos petistas.\u00a0Encerra como uma esp\u00e9cie de tributo\u00a0a Adorno, Horkheimer e Marcuse, ao mencionar o subproduto do virtual: o digital\u00a0party\u00a0e as fakes\u00a0news\u00a0como dois fen\u00f4menos pol\u00edticos.\u00a0<em>Um que desfaz os la\u00e7os sociais e pol\u00edticos e o outro, reduz a pol\u00edtica ao cinismo, ou seja,\u00a0\u00e0 decis\u00e3o deliberada\u00a0de fazer da mentira o modo de governar.<\/em>\u00a0<\/p>\n<p>Vale muito a leitura. O livro se encontra em v\u00e1rias plataformas de vendas online e livrarias.\u00a0<\/p>\n<p><strong><em>Alberto Cantalice<\/em><\/strong><em>\u00a0\u00e9 diretor de comunica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo<\/em>\u00a0<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/a-classe-trabalhadora-tem-pressa-o-fim-da-escala-6x1-nao-pode-ser-engavetado-pelo-senado\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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