{"id":101748,"date":"2026-08-26T09:00:00","date_gmt":"2026-08-26T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/funai-reve-posicao-adotada-no-governo-bolsonaro-e-pede-suspensao-da-licenca-de-belo-sun\/"},"modified":"2026-08-26T09:00:00","modified_gmt":"2026-08-26T12:00:00","slug":"funai-reve-posicao-adotada-no-governo-bolsonaro-e-pede-suspensao-da-licenca-de-belo-sun","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/funai-reve-posicao-adotada-no-governo-bolsonaro-e-pede-suspensao-da-licenca-de-belo-sun\/","title":{"rendered":"Funai rev\u00ea posi\u00e7\u00e3o adotada no governo Bolsonaro e pede suspens\u00e3o da licen\u00e7a de Belo Sun"},"content":{"rendered":"<p>A Diretoria de Gest\u00e3o Ambiental e Territorial (Digat) da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai) defende a suspens\u00e3o ou a anula\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a de explora\u00e7\u00e3o de ouro da Belo Sun na Volta Grande do Xingu, no Par\u00e1. O \u00f3rg\u00e3o afirma que as comunidades ind\u00edgenas ainda n\u00e3o tiveram os poss\u00edveis impactos da mina analisados e que faltam informa\u00e7\u00f5es sobre pontos centrais do projeto, como o uso da \u00e1gua, o processamento do min\u00e9rio e a barragem de rejeitos.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o consiste em um of\u00edcio enviado em 7 de agosto pela Digat \u00e0 Procuradoria Federal Especializada junto \u00e0 Funai. O documento foi produzido no \u00e2mbito da tentativa de concilia\u00e7\u00e3o conduzida pelo Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRF-1), que, em fevereiro deste ano, em decis\u00e3o monocr\u00e1tica do Desembargador Fl\u00e1vio Jardim, restabeleceu a licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o da Belo Sun.<\/p>\n<p><!-- alsoRead -->Para a Digat, ainda existem \u201cinforma\u00e7\u00f5es essenciais n\u00e3o suficientemente esclarecidas\u201d para avaliar os impactos da mina e garantir que os povos ind\u00edgenas sejam consultados conhecendo as poss\u00edveis consequ\u00eancias do empreendimento. Por isso, a diretoria sustenta que a licen\u00e7a concedida pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Par\u00e1 (Semas), sem anu\u00eancia da Funai, \u201cdeve ser suspensa ou anulada\u201d at\u00e9 que as pend\u00eancias sejam resolvidas.<\/p>\n<p>Para Diogo Cabral, advogado do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o licenciamento n\u00e3o deveria ter avan\u00e7ado enquanto essas pend\u00eancias permanecessem sem solu\u00e7\u00e3o. Ele lembra que o projeto prev\u00ea uma barragem de rejeitos com capacidade de 35 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos e processamento de min\u00e9rio com cianeto pr\u00f3ximo ao rio Xingu. Nesse cen\u00e1rio, afirma, cabe \u00e0 empresa demonstrar a seguran\u00e7a e a viabilidade socioambiental da atividade, \u201ce n\u00e3o ao \u00f3rg\u00e3o t\u00e9cnico justificar sua cautela\u201d.<\/p>\n<p>O advogado tamb\u00e9m contesta a possibilidade de pend\u00eancias do licenciamento serem resolvidas posteriormente por meio de condicionantes. \u201cDeixar essas exig\u00eancias para \u2018condicionantes futuras\u2019 inverte a l\u00f3gica preventiva do licenciamento: permite que quest\u00f5es que deveriam ser resolvidas antes da autoriza\u00e7\u00e3o fiquem para depois\u201d, afirmou o advogado.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a8ed52bb310f\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a8ed52bb310f\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption><em>Funai exige que Belo Sun fa\u00e7a uma Avalia\u00e7\u00e3o de Impactos Cumulativos, considerando todos os efeitos dos empreendimentos na Volta Grande<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>Aus\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n<p>A Funai aponta indefini\u00e7\u00f5es no pr\u00f3prio desenho do Projeto Volta Grande. Segundo a Digat, h\u00e1 diverg\u00eancias quanto \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e falta uma defini\u00e7\u00e3o consolidada da estrutura de beneficiamento, na qual o min\u00e9rio ser\u00e1 processado. A licen\u00e7a restabelecida pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Par\u00e1 (Semas) tamb\u00e9m n\u00e3o contempla a barragem de rejeitos nem a implanta\u00e7\u00e3o da Cava Ouro Verde, uma das \u00e1reas previstas para a extra\u00e7\u00e3o do ouro.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da mina com Belo Monte. A pr\u00f3pria Norte Energia, respons\u00e1vel pela hidrel\u00e9trica, j\u00e1 apontou incompatibilidades entre os dois empreendimentos, com riscos \u00e0 qualidade e \u00e0 vaz\u00e3o da \u00e1gua e aos peixes, al\u00e9m da possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o no trecho de vaz\u00e3o reduzida do Xingu. A empresa chegou a pedir a reavalia\u00e7\u00e3o do licenciamento da mina diante do \u201cconflito entre as atividades\u201d.<\/p>\n<p>Agora, a Funai cobra da Semas uma manifesta\u00e7\u00e3o sobre essas preocupa\u00e7\u00f5es e exige que a Belo Sun fa\u00e7a uma Avalia\u00e7\u00e3o de Impactos Cumulativos, considerando como os efeitos dos empreendimentos podem se somar aos dos povos ind\u00edgenas da Volta Grande.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a8ed52bb392f\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a8ed52bb392f\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><\/figure>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a8ed52bb3f11\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a8ed52bb3f11\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><\/figure>\n<h2><strong>Comunidades que ficaram fora dos estudos<\/strong><\/h2>\n<p>A Funai tamb\u00e9m identificou comunidades ind\u00edgenas que n\u00e3o haviam sido consideradas nos estudos da Belo Sun. O levantamento foi feito ap\u00f3s um compromisso assumido pelo \u00f3rg\u00e3o durante a tentativa de concilia\u00e7\u00e3o no TRF-1 e incluiu grupos que vivem fora de terras ind\u00edgenas j\u00e1 demarcadas.<\/p>\n<p>Ao todo, foram identificadas 20 comunidades e aldeias em diferentes situa\u00e7\u00f5es fundi\u00e1rias. Seis est\u00e3o na Reserva Ind\u00edgena Jerico\u00e1, ainda em processo de constitui\u00e7\u00e3o; cinco t\u00eam reivindica\u00e7\u00f5es territoriais registradas na Funai; e outras nove est\u00e3o fora de terras ind\u00edgenas demarcadas.<\/p>\n<p>Entre elas est\u00e3o S\u00edtio Kanip\u00e1, Iaw\u00e1, Jerico\u00e1 II, Kadj, Kaniam\u00e3, Kura\u00ed-Bom Futuro, Comunidade do Buraco, S\u00e3o Francisco, Jerico\u00e1, Marapan\u00ed, Pacaja\u00ed, Ilha da Fazenda, Garimpo do Galo\/Vila do Galo, Vila da Ressaca, Nova Alian\u00e7a, Itat\u00e1\/Yta Juruna, IIA Xipaya, Debanda, Dez Irm\u00e3os e Abelardo.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o no levantamento n\u00e3o significa que todas sejam consideradas afetadas pela mina. A Funai afirma que os estudos ainda precisam determinar quais impactos o projeto pode provocar nessas comunidades e, a partir disso, definir at\u00e9 onde se estende a \u00e1rea de influ\u00eancia do empreendimento.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o atinge uma reivindica\u00e7\u00e3o antiga de ind\u00edgenas da Volta Grande que ficaram fora do processo de licenciamento por viverem em \u00e1reas ainda n\u00e3o formalmente reconhecidas como terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cSomos contra qualquer empreendimento que venha a destruir o nosso territ\u00f3rio. [\u2026] A nossa luta sempre foi pelo reconhecimento do nosso povo, porque somos ind\u00edgenas e sempre vivemos aqui na Volta Grande do Xingu\u201d, afirma Claudevan da Silva Santos, ind\u00edgena Juruna e integrante do Movimento dos Ind\u00edgenas N\u00e3o Aldeados da Volta Grande do Xingu (MINDVGX).<\/p>\n<p>Para Liana Amin Lima, professora da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a situa\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria dessas comunidades n\u00e3o afasta seu direito de participar da consulta.<\/p>\n<p>\u201cA Conven\u00e7\u00e3o 169 da OIT n\u00e3o restringe os direitos \u00e0 consulta pr\u00e9via a povos aldeados ou a povos cujos territ\u00f3rios estejam reconhecidos, titulados, demarcados e\/ou homologados\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Um dos casos destacados pela Funai \u00e9 o da comunidade S\u00e3o Francisco, do povo Juruna, localizada pr\u00f3xima \u00e0 \u00e1rea prevista para a mina. O \u00f3rg\u00e3o cobra que a Belo Sun esclare\u00e7a a possibilidade de realoca\u00e7\u00e3o da comunidade, mencionada nos estudos do empreendimento, e avalie os impactos dessa eventual mudan\u00e7a.<\/p>\n<figure data-wp-context='{\"imageId\":\"6a8ed52bb4646\"}' data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"6a8ed52bb4646\"><button type=\"button\" aria-haspopup=\"dialog\" data-wp-bind--aria-label=\"state.thisImage.triggerButtonAriaLabel\" data-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-style--right=\"state.thisImage.buttonRight\" data-wp-style--top=\"state.thisImage.buttonTop\"><br \/>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewbox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\"><\/path>\n\t\t\t<\/svg><br \/>\n\t\t<\/button><figcaption>O ex-presidente da Funai, Marcelo Xavier, foi o principal executor de uma pol\u00edtica indigenista amplamente classificada por servidores, lideran\u00e7as e entidades internacionais como anti-ind\u00edgena<\/figcaption><\/figure>\n<h2><strong>A mudan\u00e7a de entendimento durante o governo Bolsonaro<\/strong><\/h2>\n<p>A exclus\u00e3o de ind\u00edgenas que viviam fora de terras formalmente reconhecidas j\u00e1 havia sido questionada na pr\u00f3pria Funai seis anos antes. Em julho de 2020, t\u00e9cnicos do \u00f3rg\u00e3o consideraram inapto o Estudo do Componente Ind\u00edgena (ECI) apresentado pela Belo Sun e apontaram essa quest\u00e3o como uma das pend\u00eancias que impediam o avan\u00e7o do licenciamento.<\/p>\n<p>A Belo Sun defendia que esses ind\u00edgenas, ent\u00e3o tratados no processo como \u201cdesaldeados\u201d, fossem inclu\u00eddos no Plano B\u00e1sico Ambiental Geral, destinado ao conjunto da popula\u00e7\u00e3o atingida pelo empreendimento, e n\u00e3o no componente espec\u00edfico destinado aos povos ind\u00edgenas. A equipe t\u00e9cnica da Funai discordou e cobrou que a empresa identificasse essas comunidades e avaliasse os impactos da mina sobre elas.<\/p>\n<p>O parecer tamb\u00e9m mantinha outras pend\u00eancias, entre elas a situa\u00e7\u00e3o de Ituna-Itat\u00e1, \u00e1rea protegida devido \u00e0 presen\u00e7a de ind\u00edgenas isolados. A Belo Sun defendia que o territ\u00f3rio ficasse fora da \u00e1rea de influ\u00eancia do empreendimento; t\u00e9cnicos da Funai apontavam riscos relacionados \u00e0 chegada de mais de 2 mil trabalhadores, \u00e0 press\u00e3o fundi\u00e1ria e \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o dos grupos isolados.<\/p>\n<p>Foi para discutir as conclus\u00f5es desse parecer que representantes da Belo Sun e da JGP Consultoria, contratada pela mineradora para elaborar o estudo, foram \u00e0 sede da Funai, em Bras\u00edlia, em 1\u00ba de outubro de 2020.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro, sob a gest\u00e3o do delegado da Pol\u00edcia Federal Marcelo Xavier, que presidiu a funda\u00e7\u00e3o entre 2019 e 2022. Em 2025, Xavier foi condenado, em primeira inst\u00e2ncia, a 10 anos de pris\u00e3o por perseguir e intimidar servidores do \u00f3rg\u00e3o. Da decis\u00e3o ainda cabe recurso.<\/p>\n<p>Sua gest\u00e3o \u00e0 frente da Funai foi marcada pela aproxima\u00e7\u00e3o aos interesses do agroneg\u00f3cio e foi classificada como \u2018anti-ind\u00edgena\u2019 pela Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib), que chegou a pedir seu afastamento na Justi\u00e7a. Segundo a entidade, durante sua presid\u00eancia, o \u00f3rg\u00e3o paralisou processos de demarca\u00e7\u00e3o \u2013 sem novas terras ind\u00edgenas homologadas entre 2019 e 2021 \u2013, restringiu a atua\u00e7\u00e3o na defesa das comunidades e adotou medidas que facilitaram a certifica\u00e7\u00e3o de propriedades privadas em \u00e1reas ind\u00edgenas ainda n\u00e3o homologadas.\u00a0<\/p>\n<p>O encontro foi conduzido por Carla Fonseca de Aquino Costa, servidora do Ibama cedida \u00e0 Funai, que \u00e0 \u00e9poca comandava a Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Licenciamento Ambiental, respons\u00e1vel pela an\u00e1lise dos impactos de empreendimentos sobre os povos ind\u00edgenas. Sua gest\u00e3o foi marcada por manifesta\u00e7\u00f5es que apontavam que sua atua\u00e7\u00e3o, durante a gest\u00e3o de Marcelo Xavier, havia sido pautada por decis\u00f5es que fragilizaram a prote\u00e7\u00e3o aos povos ind\u00edgenas e favoreceram o avan\u00e7o de processos de licenciamento ambiental contestados.<\/p>\n<p>Segundo a ata da reuni\u00e3o, a Belo Sun voltou a defender que os ind\u00edgenas considerados \u201cdesaldeados\u201d permanecessem no PBA Geral e que Ituna-Itat\u00e1 ficasse fora da \u00e1rea de influ\u00eancia da mina. Ao final do encontro, a coordena\u00e7\u00e3o, comandada por Carla, permitiu que a empresa apresentasse esclarecimentos complementares e manteve a an\u00e1lise do processo em andamento.<\/p>\n<p>Trinta dias depois, uma nova informa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica alterou parte das conclus\u00f5es de julho. Quest\u00f5es antes consideradas impeditivas deixaram de ser impeditivas para o licenciamento. O novo documento aceitou que os ind\u00edgenas fora de terras regularizadas fossem tratados no PBA Geral e manteve Ituna-Itat\u00e1 fora da \u00e1rea de influ\u00eancia da mina. Outras pend\u00eancias poderiam ser resolvidas nas etapas seguintes, conforme os documentos obtidos pela <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong>.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a abriu caminho para que, em 2021, a Funai considerasse atendidas as exig\u00eancias relativas ao estudo ind\u00edgena e \u00e0 consulta realizada com os povos Juruna e Arara. Foi esse entendimento que, cinco anos depois, passou a integrar os fundamentos utilizados pelo TRF-1 para restabelecer a licen\u00e7a da Belo Sun.<\/p>\n<p>Agora, a pr\u00f3pria Funai volta a exigir que as comunidades fora de terras demarcadas sejam consideradas na an\u00e1lise dos impactos do empreendimento. O documento de agosto cita, inclusive, o parecer t\u00e9cnico de julho de 2020 entre as refer\u00eancias para a complementa\u00e7\u00e3o dos estudos.<\/p>\n<p>Para Liana Amin, limitar a an\u00e1lise \u00e0 dist\u00e2ncia f\u00edsica entre a mina e Ituna-Itat\u00e1 ignora justamente os impactos indiretos que motivaram a manifesta\u00e7\u00e3o da equipe t\u00e9cnica da Funai.<\/p>\n<p>\u201cA invisibiliza\u00e7\u00e3o de povos isolados e dos impactos diretos e indiretos sobre esses povos e territ\u00f3rios \u00e9 algo grav\u00edssimo, pois amea\u00e7a o direito \u00e0 exist\u00eancia, colocando em risco a sobreviv\u00eancia f\u00edsica e cultural desses grupos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A pesquisadora ressalta que a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 44\/2020 do Conselho Nacional dos Direitos Humanos recomenda, como diretriz oficial de direitos humanos, que, confirmada a presen\u00e7a de povos isolados em \u00e1reas de impacto direto ou indireto, o processo de licenciamento seja suspenso e a obra seja considerada invi\u00e1vel.<\/p>\n<div data-initially-open=\"false\" data-click-to-close=\"true\" data-auto-close=\"true\" data-scroll=\"false\" data-scroll-offset=\"0\">\n<h2 role=\"button\">Leia a resposta completa da Belo Sun aqui<\/h2>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A reportagem tentou contato com o ex-presidente da Funai, Marcelo Xavier, mas n\u00e3o obteve resposta. Carla Fonseca de Aquino Costa n\u00e3o foi localizada para comentar.<\/p>\n<p>Questionado sobre a atua\u00e7\u00e3o da servidora, o Ibama afirmou que os atos praticados por ela durante o per\u00edodo em que esteve na Funai s\u00e3o de responsabilidade funcional da pr\u00f3pria servidora e da Funai. O \u00f3rg\u00e3o acrescentou que Carla n\u00e3o exerce atualmente cargo ou fun\u00e7\u00e3o no Ibama e que estaria cedida \u00e0 Companhia Ambiental do Estado de S\u00e3o Paulo (Cetesb).<\/p>\n<p>A Cetesb, por\u00e9m, informou que solicitou a cess\u00e3o da servidora, mas que o processo administrativo para formaliz\u00e1-la ainda n\u00e3o havia sido conclu\u00eddo. A Funai n\u00e3o se manifestou sobre a atua\u00e7\u00e3o de sua ex-coordenadora de licenciamento ambiental.<\/p>\n<!-- Begin Yuzo --><div class='yuzo_related_post style-1'  data-version='5.12.89'><!-- without result --><div class='yuzo_clearfixed yuzo__title yuzo__title'><h3>Related Post<\/h3><\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/mercosul-ue-via-campesina-e-organizacoes-civis-criticam-novo-acordo-entre-blocos\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.org\/blogosfera\/wp-content\/plugins\/yuzo-related-post\/assets\/images\/default.png') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; \"><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t\t   <span class=\"yuzo__text--title\" style=\"font-size:13px;\">Mercosul-UE: Via Campesina e organiza\u00e7\u00f5es civis cr...<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <\/a>\n\n\t\t\t\t\t\t  <\/div>\n\t\t\t\t\t\t  <div class=\"relatedthumb \" style=\"width:125px;float:left;overflow:hidden;\">  \n\t\t\t\t\t\t\t  \n\t\t\t\t\t\t\t  <a  href=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/bolsonaro-usa-pichacao-da-justica-para-jogar-religiosos-contra-o-stf\/\"  >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t  <div class=\"yuzo-img-wrap \" style=\"width: 125px;height:90px;\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"yuzo-img\" style=\"background:url('https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/0.114615001679090560-150x150.jpg') 50% 50% no-repeat;width: 125px;height:90px;margin-bottom: 5px;background-size: cover; 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