{"id":102831,"date":"2026-09-01T17:59:44","date_gmt":"2026-09-01T20:59:44","guid":{"rendered":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/um-mergulho-nas-politicas-culturais-da-china\/"},"modified":"2026-09-01T17:59:44","modified_gmt":"2026-09-01T20:59:44","slug":"um-mergulho-nas-politicas-culturais-da-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/um-mergulho-nas-politicas-culturais-da-china\/","title":{"rendered":"Um mergulho nas pol\u00edticas culturais da China"},"content":{"rendered":"<figure><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"497\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FOREIGN202302211014000527230167113.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/FOREIGN202302211014000527230167113.jpg 800w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/09\/FOREIGN202302211014000527230167113-300x186.jpg 300w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2026\/09\/FOREIGN202302211014000527230167113-768x477.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>Foto:  Di\u00e1rio do Povo Online <\/figcaption><\/figure>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<h4>Boletim Outras Palavras<\/h4>\n<p>Receba por email, diariamente, todas as publica\u00e7\u00f5es do site<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n                <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n                <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n              <\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n            <button type=\"submit\">Assinar<\/button><br \/>\n            <button disabled type=\"button\"> <\/p>\n<div><\/div>\n<p> <span>Loading&#8230;<\/span> <\/button>\n          <\/div>\n<\/p><\/div>\n<div>\n<div>\n<h4>Agradecemos!<\/h4>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 inscrito e come\u00e7ar\u00e1 a receber os boletins em breve. Boa leitura!<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Como parte da programa\u00e7\u00e3o do Ano Cultural Brasil\u2013China 2026, uma delega\u00e7\u00e3o de servidores do Minist\u00e9rio da Cultura e do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores participou, entre os dias 11 e 24 de agosto, do Semin\u00e1rio \u201cInova\u00e7\u00e3o Cultural e Integra\u00e7\u00e3o da Diversidade Cultural Brasileira no \u00c2mbito da Iniciativa de Civiliza\u00e7\u00e3o Global\u201d.<\/p>\n<p>Entre a capital Pequim e as cidades de Hangzhou e Huzhou, na prov\u00edncia de Zhejiang, no leste da China, foram dias intensos de muito estudo, aprendizado, compartilhamento de experi\u00eancias, fortalecimento de la\u00e7os e coopera\u00e7\u00e3o cultural com a China. Uma imers\u00e3o em diferentes territ\u00f3rios, escalas, manifesta\u00e7\u00f5es e express\u00f5es culturais, e di\u00e1logos de alto n\u00edvel com professores, gestores, pesquisadores e especialistas, que nos permitiram um contato bastante qualificado com o que a China realiza hoje na \u00e1rea.<\/p>\n<p>O tema das Pol\u00edticas Culturais na China ainda \u00e9 pouco pesquisado e desenvolvido no Brasil, e a bibliografia dispon\u00edvel em portugu\u00eas \u00e9 pequena e dispersa. Neste sentido, procuramos apresentar neste texto uma contribui\u00e7\u00e3o panor\u00e2mica, a partir de impress\u00f5es iniciais da viagem e dos conte\u00fados apresentados no Semin\u00e1rio, que nos permitem enxergar a centralidade da cultura no processo de desenvolvimento chin\u00eas.<\/p>\n<div>\n<div><img loading=\"lazy\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\"src=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Prancheta-4.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Prancheta-4.png 680w, https:\/\/outraspalavras.nyc3.cdn.digitaloceanspaces.com\/media\/2022\/12\/Prancheta-4-300x110.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" width=\"680\" height=\"250\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Pol\u00edticas culturais, no contexto atual da China, devem ser compreendidas de forma abrangente, a partir de conceitos-chave como: planejamento estatal, integra\u00e7\u00e3o entre cultura e turismo, revitaliza\u00e7\u00e3o rural, regenera\u00e7\u00e3o urbana, ind\u00fastria cultural, economia da cultura e coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<h3><strong>AIBO: Uma plataforma de forma\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio foi organizada pela Academy for International Business Officials (AIBO), institui\u00e7\u00e3o vinculada ao Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio da Rep\u00fablica Popular da China. Criada em 1980, a Academia realiza desde 1998 programas de capacita\u00e7\u00e3o internacional para autoridades e servidores p\u00fablicos. At\u00e9 o final de 2025, esses programas reuniram mais de 84 mil participantes de 160 pa\u00edses e organiza\u00e7\u00f5es internacionais e regionais.<\/p>\n<p>Nas duas semanas que estivemos na China, convivemos com delega\u00e7\u00f5es de diversos pa\u00edses, em especial da \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina, que participavam de forma\u00e7\u00f5es similares nos mais diferentes temas: sa\u00fade, tecnologia e intelig\u00eancia artificial, com\u00e9rcio exterior, governan\u00e7a, entre outros temas.<\/p>\n<p>A escala impressiona, mas o m\u00e9todo talvez seja ainda mais significativo. Cada delega\u00e7\u00e3o recebe uma programa\u00e7\u00e3o adaptada aos seus interesses, combinando exposi\u00e7\u00f5es conceituais, observa\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias e conviv\u00eancia. A forma\u00e7\u00e3o funciona, assim, como plataforma de interc\u00e2mbio e tamb\u00e9m como a\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica externa: apresenta interpreta\u00e7\u00f5es sobre o desenvolvimento chin\u00eas, constr\u00f3i rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a e amplia redes de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Podemos considerar que este investimento massivo em coopera\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 tamb\u00e9m um elemento de diplomacia cultural, na medida em que, para al\u00e9m das aulas e conte\u00fados formativos, estas iniciativas oferecem a pessoas do mundo inteiro uma experi\u00eancia de imers\u00e3o, conviv\u00eancia e contato direto com a realidade social e cultural do pa\u00eds.<\/p>\n<h3><strong>Cultura e Projeto Nacional<\/strong><\/h3>\n<p>As pol\u00edticas culturais na China integram o arranjo das cinco dimens\u00f5es do desenvolvimento \u2014 econ\u00f4mica, pol\u00edtica, cultural, social e ecol\u00f3gica \u2014 e se relacionam ao horizonte de 2049, centen\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da China.<\/p>\n<p>Realizado em outubro de 2022, o XX Congresso Nacional do Partido Comunista da China conferiu \u00e0 cultura uma posi\u00e7\u00e3o central para o desenvolvimento do pa\u00eds, associando-a diretamente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um Estado socialista moderno, ao fortalecimento da confian\u00e7a cultural e ao \u201crejuvenescimento da na\u00e7\u00e3o chinesa\u201d. No relat\u00f3rio final aprovado, que orienta os cinco anos seguintes e oferece diretrizes para o horizonte de 2035, a moderniza\u00e7\u00e3o chinesa \u00e9 concebida n\u00e3o apenas em termos econ\u00f4micos e tecnol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m como um processo de desenvolvimento coordenado entre o progresso material e o avan\u00e7o cultural e \u00e9tico da sociedade.<\/p>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre a tradi\u00e7\u00e3o cultural milenar chinesa e o atual projeto de desenvolvimento deve ser compreendida como um processo de sele\u00e7\u00e3o, reinterpreta\u00e7\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica permanente. Depois de momentos de forte tens\u00e3o entre revolu\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o ao longo do s\u00e9culo XX, o Presidente Xi Jinping e a dire\u00e7\u00e3o atual do Partido Comunista da China atribuem ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, aos valores filos\u00f3ficos e \u00e0s express\u00f5es culturais acumuladas em mais de cinco mil anos uma fun\u00e7\u00e3o central na constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional, na coes\u00e3o social e na legitima\u00e7\u00e3o de um caminho chin\u00eas de moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na perspectiva do Partido, a moderniza\u00e7\u00e3o chinesa necessita de uma base cultural pr\u00f3pria, capaz de evitar tanto a simples reprodu\u00e7\u00e3o do passado quanto a assimila\u00e7\u00e3o de modelos ocidentais. A cultura milenar passa, assim, a funcionar simultaneamente como mem\u00f3ria civilizacional, recurso para a inova\u00e7\u00e3o, fundamento da confian\u00e7a cultural e elemento estrat\u00e9gico do projeto de rejuvenescimento nacional.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas culturais na China n\u00e3o s\u00e3o, portanto, quest\u00f5es perif\u00e9ricas, acionadas apenas depois que as prioridades econ\u00f4micas est\u00e3o resolvidas. No discurso oficial do Estado chin\u00eas, a cultura ocupa posi\u00e7\u00e3o central na busca por um desenvolvimento de \u201calta qualidade\u201d, da resposta \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o por uma vida melhor e da forma\u00e7\u00e3o de coes\u00e3o social.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma arquitetura institucional na qual objetivos nacionais s\u00e3o traduzidos em planos setoriais, pol\u00edticas provinciais e projetos territoriais.<\/p>\n<h3><strong>Cultura e turismo: integra\u00e7\u00e3o como m\u00e9todo<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2018, a China institucionalizou a cria\u00e7\u00e3o de seu Minist\u00e9rio de Cultura e Turismo, sob a diretriz de \u201cmoldar o turismo por meio da cultura e promover a cultura por meio do turismo\u201d, orientando uma integra\u00e7\u00e3o profunda entre os dois setores. Mais do que uma articula\u00e7\u00e3o administrativa, ou subordina\u00e7\u00e3o de um setor ao outro, essa integra\u00e7\u00e3o revela a centralidade atribu\u00edda \u00e0 cultura como recurso simultaneamente simb\u00f3lico, educativo, econ\u00f4mico, territorial e diplom\u00e1tico, capaz de contribuir para o desenvolvimento de alta qualidade, para a coes\u00e3o social, para a revitaliza\u00e7\u00e3o urbana e rural e para a proje\u00e7\u00e3o internacional da China.<\/p>\n<p>Segundo o professor Zhou Bo, da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, \u201ca cultura \u00e9 a alma do turismo, e o turismo \u00e9 o ve\u00edculo da cultura\u201d. A cultura acrescenta profundidade, narrativa e singularidade; o turismo amplia a circula\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia e acesso. A cultura passa, assim, a fornecer conte\u00fados, s\u00edmbolos, narrativas e identidade aos destinos tur\u00edsticos, enquanto o turismo se transforma em meio de circula\u00e7\u00e3o, valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e apropria\u00e7\u00e3o social do patrim\u00f4nio e das express\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, essa integra\u00e7\u00e3o ultrapassa a cria\u00e7\u00e3o de atra\u00e7\u00f5es para visitantes. Ela envolve patrim\u00f4nio material e imaterial, gastronomia, paisagem, com\u00e9rcio, mobilidade, hospedagem, eventos, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e vida cotidiana. O chamado \u201cturismo de abrang\u00eancia total\u201d trata uma regi\u00e3o inteira como destino, conectando diferentes setores e escalas de governo.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 que, a partir de um planejamento estatal centralizado com execu\u00e7\u00e3o descentralizada, mas que observa diretrizes nacionais comuns, \u00e9 poss\u00edvel implementar solu\u00e7\u00f5es em diferentes dimens\u00f5es e escalas. Uma rede complexa de atores econ\u00f4micos e institucionais, envolvendo empresas p\u00fablicas, governos locais e provinciais, universidades, institutos de pesquisa e ag\u00eancias de desenvolvimento, trabalha em sinergia e em distintas modalidades de fomento a iniciativas culturais e tur\u00edsticas, com resultados muito diferentes entre si e igualmente surpreendentes. Apresentamos aqui alguns exemplos, a partir das visitas t\u00e9cnicas realizadas pela miss\u00e3o brasileira neste interc\u00e2mbio:<\/p>\n<h3><strong>798 Art District: mem\u00f3ria industrial e reinven\u00e7\u00e3o urbana<\/strong><\/h3>\n<p>Pequim surpreende pela velocidade e pela escala de suas transforma\u00e7\u00f5es. No 798 Art District, essa capacidade de reinven\u00e7\u00e3o ganha forma concreta. O territ\u00f3rio abrigava um complexo industrial constru\u00eddo na d\u00e9cada de 1950 por t\u00e9cnicos e arquitetos da antiga Alemanha Oriental e com forte influ\u00eancia do modernismo industrial associado \u00e0 escola Bauhaus.<\/p>\n<p>Com a desativa\u00e7\u00e3o de parte das f\u00e1bricas, artistas, ateli\u00eas e pequenos empreendimentos culturais come\u00e7aram a ocupar o espa\u00e7o no final dos anos 1990 e in\u00edcio dos anos 2000. O processo, inicialmente aut\u00f4nomo, foi sendo incorporado \u00e0s estrat\u00e9gias de desenvolvimento cultural e transforma\u00e7\u00e3o urbana de Pequim, especialmente no ciclo de prepara\u00e7\u00e3o para os Jogos Ol\u00edmpicos de 2008.<\/p>\n<p>Atualmente, o 798 Art District ocupa aproximadamente 520 mil metros quadrados e re\u00fane mais de 600 institui\u00e7\u00f5es e empreendimentos. Museus, galerias, teatros, salas de concerto, livrarias, centros de design, tecnologia e artes visuais convivem com restaurantes, lojas e estruturas fabris preservadas. A mem\u00f3ria industrial n\u00e3o foi apagada: tornou-se parte da identidade do lugar e da experi\u00eancia oferecida ao p\u00fablico. E o 798 Art District se tornou um dos principais destinos tur\u00edsticos e culturais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a expans\u00e3o comercial e tur\u00edstica evidenciaram tamb\u00e9m as contradi\u00e7\u00f5es deste processo. A chegada de grandes empresas e institui\u00e7\u00f5es culturais nacionais e internacionais ativou o conhecido mecanismo da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e come\u00e7ou a deslocar os agentes que iniciaram a transforma\u00e7\u00e3o: artistas, criadores e pequenos empreendedores culturais. Uma tens\u00e3o que ocorre em diferentes cidades do mundo. Foi necess\u00e1rio ent\u00e3o estudar a replicabilidade do modelo do Distrito 798 em outros territ\u00f3rios, e a\u00ed surge outra experi\u00eancia exitosa: Langyuan Station.<\/p>\n<h3><strong>Langyuan Station: patrim\u00f4nio como ativo econ\u00f4mico e cultural<\/strong><\/h3>\n<p>Se o 798 nasceu de uma ocupa\u00e7\u00e3o art\u00edstica posteriormente incorporada ao planejamento urbano, o Langyuan Station permite observar um modelo mais diretamente induzido pelo poder p\u00fablico. Iniciado em 2019, o projeto foi implantado em uma antiga \u00e1rea de armaz\u00e9ns da Beijing Textile, conjunto que preserva mais de 30 galp\u00f5es das d\u00e9cadas de 1970 e 1980, al\u00e9m de 2,23 quil\u00f4metros de ferrovia industrial, em uma \u00e1rea de aproximadamente 135 mil metros quadrados.<\/p>\n<p>O modelo de financiamento desse processo revela uma forma diferente e inovadora de indu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica estatal: o investidor inicial foi o Shouchuang Group, cujo nome oficial \u00e9 Beijing Capital Group Co., conglomerado estatal pertencente ao governo municipal de Pequim. Para o desenvolvimento desta iniciativa, foi criada uma outra empresa, a Beijing Shouchuang Langyuan Cultural Development Co., especializada na transforma\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de antigos espa\u00e7os industriais, que centrou a sua atua\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio em tr\u00eas dimens\u00f5es: recupera\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica, instala\u00e7\u00e3o de empresas culturais e produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de conte\u00fados e experi\u00eancias \u2014 exposi\u00e7\u00f5es, livrarias, teatros, festivais, mercados criativos, gastronomia e eventos de moda.<\/p>\n<p>Segundo o Beijing News, esta empresa operadora investiu inicialmente 70 milh\u00f5es de yuans na reforma de im\u00f3veis alugados, utilizando esse capital como prova de conceito. Em seguida, o parque atraiu cerca de 1,3 bilh\u00e3o de yuans de capital social. A curadoria dos ocupantes tamb\u00e9m fez parte da estrat\u00e9gia: pequenos espa\u00e7os, somando menos de 2 mil metros quadrados, foram oferecidos por tr\u00eas anos sem aluguel a designers selecionados. A l\u00f3gica pode ser resumida como: investimento estatal inicial, produ\u00e7\u00e3o de identidade cultural do territ\u00f3rio, redu\u00e7\u00e3o do risco e atra\u00e7\u00e3o posterior de empresas e recursos privados.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o buscou restaurar os edif\u00edcios como pe\u00e7as congeladas no tempo. Preservou-se a casca industrial \u2014 tijolos, volumetria, trilhos e configura\u00e7\u00e3o geral \u2014 enquanto novas estruturas e fun\u00e7\u00f5es foram inseridas no interior. Uma l\u00f3gica que busca combinar preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio com infraestruturas contempor\u00e2neas. A f\u00f3rmula incentivada na ocupa\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis \u00e9 \u201cloja na frente, f\u00e1brica atr\u00e1s\u201d, pela qual empresas de produ\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os abrem parte de seus espa\u00e7os ao p\u00fablico e participam da vida urbana do parque.<\/p>\n<p>Langyuan ajuda a compreender a pol\u00edtica chinesa de reforma urbana e como a cultura pode ser parte deste processo, assim como ilustra uma caracter\u00edstica importante do modelo chin\u00eas: o Estado n\u00e3o atua apenas por meio de minist\u00e9rios, secretarias ou subs\u00eddios, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s de empresas estatais capazes de investir, administrar im\u00f3veis, atrair operadores privados e articular objetivos culturais, urban\u00edsticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n<h3><strong>A China em pequena escala: cultura e turismo<\/strong><\/h3>\n<p>Quando pensamos na China, geralmente pensamos em grande escala: cerca de 1,4 bilh\u00e3o de habitantes, dimens\u00f5es continentais, megacidades e cifras bilion\u00e1rias. Mas existe tamb\u00e9m uma China em pequena escala. \u00c9 a China das vilas e aldeias onde culturas comunit\u00e1rias se articulam \u00e0 natureza, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e aos modos de vida. Os pequenos territ\u00f3rios s\u00e3o parte importante da estrat\u00e9gia nacional do \u201cturismo de abrang\u00eancia total\u201d.<\/p>\n<p>Huzhou \u00e9 uma cidade de porte m\u00e9dio para os padr\u00f5es chineses, com cerca de 3,5 milh\u00f5es de habitantes, em uma \u00e1rea administrativa que re\u00fane distritos urbanos, condados, vilas e territ\u00f3rios rurais. Parte significativa de sua popula\u00e7\u00e3o vive fora dos centros urbanos, portanto os vetores de desenvolvimento que orientam o planejamento estatal para esses territ\u00f3rios incluem uma combina\u00e7\u00e3o entre atividades industriais, economia rural, patrim\u00f4nio cultural e pol\u00edticas de sustentabilidade cultural e ambiental.<\/p>\n<p>A Vila Lu \u2014 ou Lucun \u2014, em Huzhou, \u00e9 um territ\u00f3rio de 1,8 mil habitantes reconhecido como \u201cCidade Mundial do Turismo Rural\u201d e que abriga a sede permanente da Confer\u00eancia Mundial de Turismo Rural. A cultura da seda, os vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos, a paisagem das \u00e1guas e a mem\u00f3ria da aldeia formam a base de atividades de hospedagem, forma\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o cultural e interc\u00e2mbio internacional.<\/p>\n<p>J\u00e1 na antiga vila de Nanxun, a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio convive com atividades culturais, comerciais e tur\u00edsticas. Encravado em um distrito urbano, o s\u00edtio hist\u00f3rico abriga rios, canais, pontes de pedra e uma arquitetura caracter\u00edstica das antigas cidades mercantis, com intensa circula\u00e7\u00e3o cultural e tur\u00edstica \u2014 note-se que estamos falando de turismo interno, de outras regi\u00f5es e prov\u00edncias da China, pois praticamente n\u00e3o vimos turistas ocidentais por ali. Nanxun possui rela\u00e7\u00e3o direta com o Grande Canal da China, s\u00edtio serial reconhecido como Patrim\u00f4nio Mundial pela UNESCO em 2014.<\/p>\n<p>Na Vila da Cultura do Ch\u00e1 de Meijiawu, no distrito de Xihu, em Hangzhou, a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola impulsiona o turismo e novas cadeias econ\u00f4micas. O cultivo, os saberes associados ao ch\u00e1, a gastronomia, a paisagem e a hospitalidade s\u00e3o apresentados como dimens\u00f5es complementares de uma mesma experi\u00eancia. Nesta vila, pudemos entrar em contato com o dia a dia de habitantes de uma cidade do interior da China: em meio a uma tarde quente de ver\u00e3o, com as portas das casas abertas, foi poss\u00edvel entrar, experimentar um ch\u00e1, e compr\u00e1-lo diretamente das m\u00e3os dos pequenos produtores locais.<\/p>\n<p>Esses casos mostram que a integra\u00e7\u00e3o entre cultura e turismo n\u00e3o \u00e9 formulada apenas em termos mercadol\u00f3gicos. Ela considera a perman\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es no campo, a gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda, a prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio, as voca\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas locais e a sustentabilidade ambiental. Isso n\u00e3o elimina conflitos ou assimetrias, mas amplia o campo das pol\u00edticas culturais: o territ\u00f3rio \u00e9 a unidade que integra a interven\u00e7\u00e3o de um amplo conjunto de pol\u00edticas p\u00fablicas associadas ao desenvolvimento cultural.<\/p>\n<h3><strong>Entre coopera\u00e7\u00e3o e soft power<\/strong><\/h3>\n<p>Na Iniciativa de Civiliza\u00e7\u00e3o Global, proposta pela China em 2023, a cultura ocupa simultaneamente o lugar de fundamento das trajet\u00f3rias nacionais de desenvolvimento e de instrumento para a constru\u00e7\u00e3o de novas formas de relacionamento internacional. Sua formula\u00e7\u00e3o oficial organiza-se em torno de quatro princ\u00edpios: respeito \u00e0 diversidade das civiliza\u00e7\u00f5es; reconhecimento de valores comuns \u00e0 humanidade; articula\u00e7\u00e3o entre heran\u00e7a cultural e inova\u00e7\u00e3o; e fortalecimento dos interc\u00e2mbios culturais e das rela\u00e7\u00f5es entre os povos.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, a Iniciativa de Civiliza\u00e7\u00e3o Global confere \u00e0 cultura uma fun\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica: exposi\u00e7\u00f5es, semin\u00e1rios, coopera\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, turismo, tradu\u00e7\u00e3o de obras, preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio e programas de forma\u00e7\u00e3o tornam-se meios de aproxima\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, produ\u00e7\u00e3o de consensos e proje\u00e7\u00e3o internacional da China.<\/p>\n<p>No vocabul\u00e1rio ocidental, iniciativas desse tipo s\u00e3o denominadas soft power: a capacidade de produzir influ\u00eancia por meio de valores, narrativas, rela\u00e7\u00f5es e atra\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o apenas por instrumentos econ\u00f4micos ou militares. A categoria ajuda a entender, mas n\u00e3o explica tudo o que est\u00e1 em jogo na Iniciativa de Civiliza\u00e7\u00e3o Global.<\/p>\n<p>A China compartilha experi\u00eancias de desenvolvimento e, ao faz\u00ea-lo, oferece uma interpreta\u00e7\u00e3o sobre sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria, seus valores e seu lugar no mundo. A no\u00e7\u00e3o de \u201ccomunidade de futuro compartilhado para a humanidade\u201d organiza parte dessa narrativa e procura apresentar a coopera\u00e7\u00e3o como alternativa a rela\u00e7\u00f5es internacionais baseadas exclusivamente na competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa proje\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se realiza fora dos programas oficiais. Em artigo de opini\u00e3o publicado no China Daily em 20 de agosto de 2026, o professor Tseng Taiyuan analisa o fen\u00f4meno chamado \u201cChinamaxxing\u201d: a incorpora\u00e7\u00e3o, por jovens ocidentais, de refer\u00eancias chinesas ligadas ao cotidiano, ao bem-estar, \u00e0 tecnologia, ao consumo e \u00e0 vida urbana. Para o autor, \u201cas percep\u00e7\u00f5es p\u00fablicas globais s\u00e3o moldadas [\u2026] por experi\u00eancias humanas compartilhadas e resultados sociais tang\u00edveis\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa). A formula\u00e7\u00e3o ajuda a compreender que a influ\u00eancia chinesa no mundo n\u00e3o circula apenas por discursos ou pol\u00edticas de Estado, mas por imagens, pr\u00e1ticas, produtos culturais, plataformas digitais e relatos de viagem.<\/p>\n<h3><strong>Quest\u00f5es para o Brasil<\/strong><\/h3>\n<p>Mais do que modelos prontos para reprodu\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia chinesa oferece mecanismos que merecem ser estudados, conhecidos e avaliados. O primeiro \u00e9 a capacidade de planejar em diferentes escalas e horizontes temporais. O segundo \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticas culturais, turismo, patrim\u00f4nio, desenvolvimento urbano e revitaliza\u00e7\u00e3o rural. O terceiro \u00e9 a \u00eanfase chinesa em considerar a cultura uma dimens\u00e3o estrat\u00e9gica das iniciativas de posicionamento do pa\u00eds diante do mundo.<\/p>\n<p>Para um observador brasileiro, acostumado \u00e0 instabilidade pol\u00edtica, \u00e0 descontinuidade administrativa e \u00e0 disputa permanente pela legitimidade do investimento cultural, esse enquadramento produz estranhamento e interesse. A cultura \u00e9 mobilizada simultaneamente como direito, recurso simb\u00f3lico, setor econ\u00f4mico, componente da identidade nacional e ferramenta de desenvolvimento. O Brasil parte de outra hist\u00f3ria, outra organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e outra concep\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o social. Nossa diversidade cultural, nosso federalismo e a presen\u00e7a ativa da sociedade civil exigem solu\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 poss\u00edvel relacionar a vis\u00e3o estrat\u00e9gica do Estado chin\u00eas com o conceito de abrang\u00eancia que orienta as pol\u00edticas culturais no Brasil a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. A abrang\u00eancia tornou-se, a partir da gest\u00e3o de Gilberto Gil no MinC (2003-2008), um princ\u00edpio estruturante das pol\u00edticas culturais brasileiras: amplia\u00e7\u00e3o do conceito de cultura, diversifica\u00e7\u00e3o dos sujeitos reconhecidos pelo Estado, territorializa\u00e7\u00e3o do acesso aos recursos p\u00fablicos e democratiza\u00e7\u00e3o dos processos de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>O Ano Cultural Brasil\u2013China 2026, institu\u00eddo pelos presidentes Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Xi Jinping ap\u00f3s as celebra\u00e7\u00f5es dos cinquenta anos de rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas em 2024, vem sendo um grande \u00eaxito. Segundo dados da Embaixada brasileira em Pequim, mais de 300 iniciativas e eventos foram ou ser\u00e3o realizadas como parte desta efem\u00e9ride entre 2026 e 2027. \u00c9 preciso aproveitar este momento como uma janela estrat\u00e9gica para fazer do interc\u00e2mbio cultural n\u00e3o apenas uma sucess\u00e3o de espet\u00e1culos e exposi\u00e7\u00f5es, mas um campo permanente de coopera\u00e7\u00e3o em pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Transformar essa agenda em redes de pesquisa, programas regulares de forma\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00f5es, coprodu\u00e7\u00f5es, resid\u00eancias art\u00edsticas e projetos institucionais duradouros permitir\u00e1 ampliar o conhecimento rec\u00edproco e construir uma coopera\u00e7\u00e3o menos epis\u00f3dica e mais equilibrada. O Ano Cultural deve ser compreendido, portanto, como ponto de partida para uma pol\u00edtica cont\u00ednua de interc\u00e2mbio cultural entre estes dois pa\u00edses continentais, diversos e capazes de oferecer caminhos e respostas aos grandes desafios da humanidade neste turbulento s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Voltamos da China com imagens, encontros e mem\u00f3rias, mas tamb\u00e9m com a percep\u00e7\u00e3o de que as pol\u00edticas culturais ganham for\u00e7a quando deixam de falar apenas para si mesmas. Na experi\u00eancia chinesa, elas dialogam com o territ\u00f3rio, a economia, a educa\u00e7\u00e3o, a tecnologia e a pol\u00edtica externa. Talvez esse seja o aprendizado mais f\u00e9rtil: recolocar a cultura no centro das perguntas sobre desenvolvimento, democracia, soberania e futuro.<\/p>\n<hr>\n<p><strong>Fontes e refer\u00eancias de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Programa Preliminar do Semin\u00e1rio de Capacita\u00e7\u00e3o sobre Inova\u00e7\u00e3o Cultural e Integra\u00e7\u00e3o da Diversidade no Brasil no \u00c2mbito da Iniciativa de Civiliza\u00e7\u00e3o Global, AIBO\/MOFCOM, agosto de 2026.<\/p>\n<p>WANG Qingyuan. Vis\u00e3o geral das condi\u00e7\u00f5es nacionais da China e da moderniza\u00e7\u00e3o chinesa. Material de aula, AIBO, 2026.<\/p>\n<p>ZHOU Jiucai. Sistema de pol\u00edticas e planejamento estrat\u00e9gico para a integra\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da ind\u00fastria tur\u00edstica da China. Material de aula, AIBO, 2026.<\/p>\n<p>SHAO Yingjun. Reforma e Abertura da China e Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mico-Comercial entre China e Brasil. Material de aula, AIBO, 2026.<\/p>\n<p>ZHOU Bo. Pr\u00e1ticas e experi\u00eancias de Zhejiang na integra\u00e7\u00e3o entre cultura e turismo na China. Material de aula, 2023\/2026.<\/p>\n<p>ZENG Fanwen. Explora\u00e7\u00e3o dos recursos culturais chineses e sua transforma\u00e7\u00e3o em turismo. Material de aula, AIBO, 2026.<\/p>\n<p>Minist\u00e9rio da Cultura. Ano Cultural Brasil-China 2026. Portal Gov.br.<\/p>\n<p>Academy for International Business Officials (AIBO\/MOFCOM). Informa\u00e7\u00f5es institucionais e perfis de programas de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pacific Asia Travel Association. About the World Rural Tourism Town.<\/p>\n<p>Beijing News. Reportagem sobre regenera\u00e7\u00e3o urbana e o modelo de investimento do Langyuan Station, 6 abr. 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/m.bjnews.com.cn\/detail\/1680739897168827.html.<\/p>\n<p>China Economic Net. Reportagem sobre a transforma\u00e7\u00e3o do antigo conjunto de armaz\u00e9ns da Beijing Textile, 26 set. 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.ce.cn\/culture\/gd\/201809\/26\/t20180926_30389822.shtml.<\/p>\n<p>Beijing Daily. Reportagem sobre a cadeia audiovisual e a renova\u00e7\u00e3o do Langyuan Station, 21 fev. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/xinwen.bjd.com.cn\/content\/s69f5cc21e4b0cd719ea173fb.html.<\/p>\n<p>TSENG, Taiyuan. Western Gen Z is embracing Eastern rhythms. China Daily, 20 ago. 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.chinadaily.com.cn\/a\/202608\/20\/WS6a866629a3106bc57421c833.html.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><span><em>Outras Palavras \u00e9 feito por muitas m\u00e3os. 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Antigos complexos fabris viram distritos art\u00edsticos. Estimula-se o turismo interno. Coopera\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 intensa. Circuito vai al\u00e9m das cidades, envolvendo a produ\u00e7\u00e3o da ch\u00e1 e da seda<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/descolonizacoes\/um-mergulho-nas-politicas-culturais-da-china\/\">Um mergulho nas pol\u00edticas culturais da China<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/\">Outras Palavras<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":102832,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[292,5599,81562,15415,65571,81563,81564,7226,6464,81565,3927,1232],"tags":[],"class_list":["post-102831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-china","category-descolonizacoes","category-expressoes-culturais","category-identidade-nacional","category-intercambios-culturais","category-langyuan-station","category-memoria-civilizacional","category-modernizacao","category-politicas-culturais","category-politicas-culturais-na-china","category-soft-power","category-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102831\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=102831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redept.com.br\/blogosfera\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}